A pimetrozina (n.º CAS 123312-89-0) é um composto orgânico pertencente à classe química das piridinas e azometinas, amplamente reconhecido na agricultura moderna como um inseticida sistémico altamente seletivo. Desenvolvida especificamente para o controlo de insetos sugadores, como afídios (pulgões), moscas-brancas e cigarrinhas, a substância distingue-se dos inseticidas convencionais por não atuar como uma toxina nervosa de choque imediato, mas sim através de um mecanismo fisiológico único que interrompe o comportamento alimentar do alvo. Devido ao seu perfil de seletividade, a pimetrozina é frequentemente integrada em programas de Proteção Integrada (IPM), uma vez que apresenta um impacto reduzido sobre organismos não-alvo, incluindo predadores naturais e polinizadores, quando aplicada seguindo as boas práticas agrícolas.https://irac-online.org/documents/moa-classification/https://www.fao.org/fileadmin/user_upload/IPM_Pesticide/JMPR/Evaluations/2014/pymetrozine.pdfhttps://periodicos.unicesumar.edu.br/index.php/rama/article/download/12729/7960https://www.dgav.pt/wp-content/uploads/2021/01/MANUAL-DE-PROT-FITOS-P-PROT-INTEGR-E-AGRIC-BIOLOG-DA-VINHA.pdfhttps://www.isa.utl.pt/files/pub/ISAPRESS/PDF_Livros_ProfPedroAmaro/Proteccao_Integrada.pdfhttps://www.gov.br/anvisa/pt-br/setorregulado/regularizacao/agrotoxicos/monografias/monografias-autorizadas/p/4493json-file-1
O modo de ação da pimetrozina é classificado pelo IRAC (Insecticide Resistance Action Committee) no grupo 9B, atuando como modulador dos canais iónicos TRPV nos órgãos cordotonais dos insetos. Estes órgãos são mecanorrecetores fundamentais para a proprioceção, equilíbrio e coordenação motora; a pimetrozina interfere com a sinalização sensorial, provocando a paralisia imediata e irreversível das peças bucais (estiletes) e impedindo que o inseto penetre nos tecidos da planta para se alimentar. Embora o inseto possa permanecer vivo durante algumas horas ou dias após o contacto ou ingestão, a cessação da alimentação ocorre em poucos minutos, o que minimiza drasticamente os danos diretos nas culturas e a transmissão de viroses vegetais.
Quimicamente, a pimetrozina (fórmula molecular C₁₀H₁₁N₅O) exibe isomerismo geométrico E/Z devido à ligação dupla C=N no seu grupo azometina, sendo o isómero (E) a forma comercialmente estável e biologicamente ativa. A sua natureza sistémica permite uma translocação eficiente através dos vasos vasculares da planta, movendo-se tanto para cima (acropetamente) como para baixo (basipetamente), o que garante proteção aos novos crescimentos e partes da planta não atingidas diretamente pela pulverização. Em termos ambientais, a substância é considerada de baixa persistência no solo e na água, com uma degradação rápida através de processos como a hidrólise e a fotólise, apresentando um risco de bioacumulação praticamente inexistente.
A nível toxicológico, a pimetrozina é classificada como possuindo baixa toxicidade aguda para seres humanos, aves, mamíferos e micro-organismos do solo, sendo geralmente enquadrada no Grupo III (medianamente tóxico ou pouco tóxico, dependendo da jurisdição). No entanto, estudos indicam que, embora a mortalidade direta seja baixa, podem ocorrer efeitos subletais em abelhas-melíferas (Apis mellifera), como descoordenação motora ou redução da capacidade de voo, o que exige precauções rigorosas na aplicação durante períodos de floração. Em Portugal e noutros mercados regulados, a sua utilização é sujeita a limites máximos de resíduos (LMR) rigorosos e autorizações de venda específicas emitidas por autoridades competentes, como a Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), assegurando que o seu uso contribui para uma agricultura competitiva e sustentável.
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