A Sexta Armada da Índia, sob o comando de Lopo Soares de Albergaria seguiu viagem em 1504 por ordem de D. Manuel I de Portugal. No entanto, houve uma participação privada na frota, porque pelo menos um dos navios foi equipado por Catarina Dias de Aguiar, uma rica comerciante de Lisboa. Essa expedição foi uma das mais bem sucedida segundo João de Barros.Mare Luso-Indicum, l’océan indien, les pays riverains et les relations internationales, XVI-XVIII siècles, publicação do CENTRE D'ÉTUDES ISLAMIQUES ET ORIENTALES D'HISTOIRE COMPARÉE (Équipe de recherche associée au CNRS nº 206) et du CENTRE D'ÉTUDES PORTUGAISES de l'École Pratique des Hautes Études, IVe section. Artigo: Le premier voyage de Lopo Soares en Inde (1504-1505) de Geneviève Bouchon, 1976, SOCIÉTÉ D'HISTOIRE DE L'ORIENT, Paris
De facto, o conjunto das vitorias marítimas de Lopo Soares com as vitórias em terra de Duarte Pacheco Pereira foram o alicerce da fundação do Estado Português da Índia criado no ano de 1505, algumas semanas depois do regresso a Lisboa.
O capitão-mor
thumb|240x240px|Lopo Soares de Albergaria O capitão-mor era Lopo Soares de Albergaria (por vezes denominado Lopo Soares de Alvarenga, ou simplesmente Lopo Soares). Era filho de Rui Gomes de Alvarenga, chanceler-mor de D. Afonso V. E era um nobre bem relacionado com a família Almeida, cumpriu um mandato bem-sucedido (1495-1499) como capitão-geral de São Jorge da Mina na Costa do Ouro Portuguesa.
Lista dos capitães e dos navios
Os navios Os preparativos da viagem não podia ter corrido pior, o navio-almirante, o maior navio da frota portuguesa, o “Nunciada” ardeu por completo por desleixo dos marinheiros. Toda a carga foi perdida, principalmente os mantimentos e o vinho só se recuperou o chumbo e o cobre que devia servir de moeda de troca na Índia. Um comerciante italiano, e testemunha ocular, João Francisco Affaitati relata o incidente: thumb|esquerda|Nau Anunciada em 1500, na Armada de Pedro Álvares Cabral, capitaneada por Nuno Leitão no "LIvro das Armadas"
Leonardo da Ca'Masser um espião veneziano relata também o incidente, e indica que partiram assim 11 navios
Mas os cronistas portugueses falam em doze, “Uma armada de doze naus grossas….” ou treze ("de nove naos grossa e quatro somenos navetas pequenas"), por isso a composição exata da frota da 6ª Armada não é conhecida. Sabemos que haviam uma maioria de Carracas ou naus, para o transporte das mercadorias principalmente especiarias, mais algumas "navetas'" (caravelas) que, se não houvesse carga, ficariam na Índia, para reforçar o patrulhamento costeiro e 1200 homens. direita|thumb|296x296px|Representação da 6.ª Armada da Índia, em Livro das Armadas Além da Anunciada que ardeu em Lisboa, os navios eram o Cirne, (nau), o Rei pequeno (nau) e a “Nau Santo Espíritos que se chama Jelio”, a Leitoa nova, a nau Francesa, a nau Rei grande, o Bate-cabelo, o Navio Ferros, o Sant’António e o navio de Catarina Dias. Juntaram-se a esquadra a Taforrea de Rui Lourenço, a nau de D. Nuno de António Saldanha e a nau de Setúbal de Diogo Fernandes Pereira.Navios citados em dois documentos dos arquivos da Torre do Tombo: Relação da especearia pertecente a el-Rei que trouxeran Lopo Soares da Índia, s.d., TdT, CM 3-337 e relação das especearias que pertenciam a varios sugeitos empregados nas naos da Índia, s.d., CM 3-367 (Cópia dos documentos em Mare Luso-Indicum) "SOMA DE TODA A PIMENTA QUE VEO NA VIAJEMDE LOPO SSOAREZ xx biijcLRb quintais j aroba xbij arateis saber, iij Lxxxij.j.xxij. no Çirne E ij iijcLxiij.j.ix no Rrey Grande Ej xxbj.iij.b. Batecabelo Ej ijciij.ij.x 1/2. Julioa Ej xiij.j.b 1/2. a de Dom Nuno E ij iijexxxiiij. a de Setuvel E ixcLxj.iij. arobas o Rey Pequeno... Item. De Felipe de Crasto, capitam... E ij biijcL.o.bij. a Leitoa E j iiijcxxj.j.bj. a Françessa Ej Riij.iij.xb.Ssanto Amtonio E biijcLxxxbj.iij.xbij.o Fferros Ej ijexxbiij.iij.xiij.a Taforea...Item. De Ruy Lourenço, capitam.... Ej iiijcLxxix.j aroba a de Catharina Diaz." Daí talvez a confusão dos cronistas, de fato eram onze barcos na ida mas quatorze na viagem de volta e treze a chegada em Lisboa (o navio de Pêro de Mendonça afundou-se durante a viagem de volta). Os Capitães
1. Lopo Soares capitão-mor 2. Pêro de Mendonça, capitão da Leitoa Nova desapareceu na viagem de volta."MANDADO Cananor, 5 janvier 1505 Lopo Soarez, fidalguo da cassa del-Rey nosso senhor e do seu comsselho e capitam moor desta ssua frota, vos mando que des a Pero de Memdoça, outro ssy fidalgo da cassa do dito senhor e capitam da naao Leytoa Nova..." Cópia em Mare Luso-Indicum 3. Leonel Coutinho 4. Lopo de Abreu (da Ilha) 5. Pedro Afonso de Aguiar (com alcunha de o raposo). 6. Lopo Mendes de Vasconcelos 7. Manuel Teles de Vasconcelos 8. Tristão da Silva 9. Filipe de Castro capitão do Rey pequeno 10. Vasco da Silveira 11. Afonso Lopes da Costa, capitão da “nao Santo Espritos que se chama a Jelio”CONHECIMENTO Cananor, 4 janvier 1505 Sejam çertos hos que este conhyçimento vyrem como Álvaro Lopez, cavaleyro da cassa del-Rey nosso senhor he feytor da nao Santo Espritos que sse chama ha Jelioa de que he capitam Afonso Lopez da Costa...Documento da Torre do Tombo. Cópia em Mare Luso-Indicum 12. Vasco de Carvalho 13. Pedro Dias/Dinis de Setúbal (naveta), omitido em algumas listas. Dois dos capitães são veteranos de expedições anteriores: Pedro Afonso de Aguiar e Lopo Mendes de Vasconcelos navegaram na 4ª Armada de 1502. A Missão A 2ª Armada portuguesa da Índia (1500), sob o comando de Pedro Álvares Cabral, iniciou as hostilidades entre o Reino de Portugal e o Samorim (rei) de Calecute ( Kozhikode), potência marítima dominante na Costa do Malabar, na Índia.
A numerosa e bem armada 4ª Armada de 1502, liderada por Vasco da Gama, esperava, por meio de uma forte demonstração de força, persuadir o Samorim a negociar. Mas, apesar do terror, bombardeamento e cerco, o Samorim recusou-se a ceder. Essa resistência convenceu Vasco da Gama de que seria uma luta mais longa do que previsto, e que exigiria mais homens e poder de fogo do que ele tinha à disposição. A 4ª Armada de Gama deixou a Índia, com a intenção de solicitar a Lisboa uma frota mais forte, com homens e armas suficientes, senão para conquistar Calecute, pelo menos para defender as cidades-estado aliadas de Portugal, Cochim ( Kochi) e Cananor ( Kannur).
Gama entregou seu relatório a Lisboa em 1503, tarde demais para influenciar o equipamento da 5ª Armada, que havia partido sob o comando de Afonso de Albuquerque alguns meses antes. Embora não estivesse equipada para desafiar Calecute, a 5ª Armada fez o suficiente para impedir que Cochim caísse nas mãos do exército do Samorim e ajudou a reforçar suas defesas com a construção de um forte de madeira na cidade.
Baseando-se apenas no relatório de Vasco da Gama, a 6ª Armada que partiu no início de 1504 foi equipada de forma mais adequada, trazendo mais soldados e navios para proteger as feitorias portuguesas em Cochim e Cananor. Como explicitamente mencionado em seu regimento, Lopo Soares de Albergaria recebeu ordens estritas para não aceitar a paz com o Samorim de Calecute.
Viagem de ida
22 de abril de 1504 - Os navios da 6ª Armada deixam o estuário do Tejo. 2 de maio - Os navios chegam a Cabo Verde. Lopo Soares informa os capitães que por causa do incêndio partiram de Lisboa tão tarde que agora não havia margem para erros. É estabelecido um conjunto de instruções de navegação rigorosas e avisa os pilotos e capitães que em caso de erro seriam multados em 10 cruzados e presos até a Índia sem soldo. Junho - Prosseguindo em boa ordem, a 6ª Armada chega ao Cabo da Boa Esperança. Apesar das recomendações de Lopo Soares para evitar incidentes, os navios de Afonso Lopes da Costa e de Pero Afonso de Aguiar colidiram e esse último quase se afundava, mas conseguiram tapar as frinchas com couro e breu. 25 de junho - A 6ª armada chega à ilha de Moçambique. Procede-se as reparações. Lá, Lopo Soares encontra a carta deixada por Pero de Ataíde, antigo capitão da patrulha da Índia, que tinha falecido em fevereiro, e ficou assim informado do desastre da patrulha costeira de Vicente Sodré.
1º de agosto - Lopo Soares parte de Moçambique. Embora instruído pelo seu regimento a fazer uma paragem em Melinde, é possível que não a tenha feita. No entanto, Damião de Góis e João de Barros relatam que a 6ª Armada parou bem em Melinde e foi como de costume bem recebida pelo Sultão que não apenas reabasteceu os navios, como forneceu a Lopo Soares um piloto muçulmano chamado Debucar. Também entregou seis (ou dezasseis) marinheiros portugueses náufragos, sobreviventes do navio de Ataíde, que haviam sido resgatados por barcos de Melinde no início daquele ano. E que o informava do ataque de Calecute a Cochim na primavera anterior. A 6ª Armada permaneceu lá apenas dois dias, antes de partir para a travessia do Oceano Índico.
Lopo Soares na Índia Embora com algumas informações, Lopo Soares ignorava mas provavelmente suspeitava, que estava a decorrer uma batalha desesperada em Cochim. Em março, o Samorim de Calecute lançava um ataque maciço contra Cochim, com a intenção de capturar a cidade e tomar a fortaleza portuguesa com cerca de 57 000 soldados, equipados com armas de fogo turcas e canhões venezianos. A pequena guarnição portuguesa em Cochim, com cerca de 150 homens sob o comando de Duarte Pacheco Pereira, graças a um posicionamento inteligente, heroísmo individual e alguma sorte, não só conseguiu repelir esse ataque como muitos outros do exército e da frota nos meses seguintes. O último ataque tinha decorrido no início de julho, após o qual, o humilhado Samorim abandonava a ideia duma invasão.
Agosto de 1504 - a Armada de Lopo Soares de Albergaria chega à Ilha de Angediva. Lá, encontra os navios de António de Saldanha e Rui Lourenço Ravasco. Eles haviam feito parte da terceira esquadra da 5ª Armada do ano anterior. Relataram sua triste história: como se perderam e se separaram na África, como passaram o inverno atacando portos da África Oriental e navios do Mar Vermelho, e como só conseguiram realizar a travessia do Oceano Índico neste verão. Não tinham ideia do paradeiro do navio de Diogo Fernandes Pereira, tendo perdido o rastro dele há quase um ano. (Por coincidência, Diogo Fernandes Pereira havia passado o inverno sozinho em Socotorá e empreendido a travessia para a Índia no início daquela primavera, e chegando a Cochim a tempo de ajudar Duarte Pacheco a repelir os ataques do Samorim.)
Final de Agosto/Início de Setembro de 1504 - Saldanha e Lourenço juntam-se a 6ª Armada até Cananor. Chegando lá, Albergaria ouve finalmente relatos mais completos do feitor de Cananor, Gonçalo Gil Barbosa, sobre a batalha de Cochim. Enquante Lopo Soares carrega os barcos de gengibre chega um moço português prisioneiro do Samorim com uma carta dos outros prisioneiros pedindo um acordo de paz com o Samorim para serem libertados.
7 de setembro de 1504 - A Armada chega a Calecute. Lopo Soares envia uma mensagem ao Samorim, exigindo- lhe a entrega de todos os prisioneiros portugueses e dos agentes venezianos. (Porque na segunda armada de Vasco da Gama havia dois italianos João Maria e Pedro António supostos lapidarios que queriam ficar em Cochim para comprar pedras preciosas. Na verdade fugiram para Calecute para ajudar o rei a fundir canhões, a mando de Veneza. Até 1506 fundiram 300 peças e ensinaram o ofício a muitos indígenas.) O Samorim estava ausente da cidade naquele momento, mas seus ministros estavam dispostos a libertar os prisioneiros portugueses, mas não a entregar os italianos. Em resposta Lopo Soares ordena a Armada de bombardear Calecute durante quarenta e oito horas, causando grandes danos e mais de 300 mortos.