O Ranking dos Políticos é uma think tank de viés liberal e conservador fundada em 2011 que avalia o desempenho de deputados federais e senadores em exercício no Congresso Nacional. A iniciativa classifica parlamentares a partir de critérios relacionados ao uso de recursos públicos, posicionamentos legislativos e histórico judicial, utilizando dados oficiais da Câmara dos Deputados, do Senado Federal e de tribunais de justiça.

A organização tem sede em Brasília e, desde 2016, promove anualmente o Prêmio Excelência Parlamentar, que reconhece os parlamentares mais bem avaliados segundo sua metodologia de avaliação.

De acordo com informações divulgadas pela própria entidade, seu financiamento ocorre por meio de doações de pessoas físicas e jurídicas.

Em 2018, o Intercept Brasil classificou a entidade como "um conto do vigário", que não passaria de "uma armadilha liberal para a massa incauta de eleitores que busca informações na internet para escolher seu candidato". Em 2015, a Fundação Getúlio Vargas já havia apontado que "mesmo os idealizadores alegando a neutralidade e a objetividade dos critérios, o site dá ou tira pontos dependendo da tendência do político a votar, por exemplo, em maior ou menor tributação, o que demonstra certo viés".

História O Ranking dos Políticos foi fundado em 2011 pelos empresários Alexandre Ostrowiecki e Renato Feder, empresários do setor de tecnologia e então sócios da empresa Multilaser.

De acordo com a plataforma internacional On Think Tanks, a organização foi formalmente estabelecida como uma iniciativa da sociedade civil voltada à avaliação do desempenho parlamentar, com base em dados públicos disponíveis nos portais oficiais do Congresso Nacional.

Expansão institucional Ao longo dos anos, a organização ampliou suas atividades para além do ranking, passando a produzir análises legislativas, pesquisas de opinião com parlamentares e campanhas de mobilização cívica.

Em 2016, o Ranking dos Políticos lançou o Prêmio Excelência Parlamentar, premiação anual destinada a reconhecer os parlamentares mais bem avaliados segundo sua metodologia. A cerimônia passou a ser realizada em Brasília, reunindo parlamentares, jornalistas e representantes da sociedade civil.

Objetivos e posicionamento Segundo declarações públicas da própria instituição, o Ranking dos Políticos tem como objetivo incentivar a responsabilidade fiscal, a transparência no uso de recursos públicos e a eficiência da atividade legislativa. A entidade se apresenta como uma ferramenta de transparência para que cidadãos acompanhem a atuação de seus representantes eleitos.

A iniciativa é descrita por veículos de imprensa como alinhada a pautas liberais na economia e voltada à defesa da responsabilidade fiscal, sendo apresentada por seus dirigentes como apartidária. Apesar disso, seus dirigentes são ligados a partidos políticos. Gustavo Franco, por exemplo, fez parte do Governo Fernando Henrique Cardoso e foi filiado ao PSDB e ao Novo. Outro dirigente,Flávio Rocha, foi candidato pelo PRB. Já Renato Feder, um dos fundadores da ONG, foi secretário de governo de Ratinho Júnior (PSD) e Tarcísio de Freitas (Republicanos) em gestões marcadas por denúncias de fraude, conflito de interesses e improbidade administrativa.

Metodologia e Conselho de Leis A metodologia do Ranking dos Políticos baseia-se em dados públicos oficiais, extraídos principalmente dos portais de dados abertos da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, incluindo informações sobre votações, presença em sessões, gastos com verbas parlamentares e proposições legislativas. As avaliações consideram:

Posicionamento dos parlamentares em projetos considerados relevantes pelo Conselho de Avaliação de Leis; Uso de recursos públicos; Histórico de processos judiciais ou condenações; Participação em atividades legislativas.

O modelo de pontuação é acompanhado por um Conselho de Leis, composto por especialistas de diferentes áreas do conhecimento, responsáveis por definir a pontuação atribuída aos projetos de lei analisados. Entre os integrantes notórios do conselho estão o economista e ex-presidente do Banco Central Gustavo Franco, o ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles, a ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Ellen Gracie, além de empresários e executivos.

Uma análise dos critérios utilizados, contudo, revela uma meritocracia "muito peculiar":

Em 2018, um exemplo desse viés seria a posição 505 para a deputada Luiza Erundina (PSOL-SP), a qual não respondia a qualquer processo, enquanto o deputado José Medeiros (Podemos-MT), cassado por fraude em votação, ocupava a posição 80 e era considerado "o 3° melhor congressista do seu estado".

Prêmio Excelência Parlamentar miniaturadaimagem|228x228px|Evento de Premiação Excelência Parlamentar 2025 O Prêmio Excelência Parlamentar é uma premiação anual realizada desde 2016, que reconhece os deputados federais e senadores com melhor desempenho no ranking segundo os critérios alinhados aos interesses do Mercado e aos grandes empresários. Ao contrário da propaganda que a think thank faz, a corrupção, mesmo com condenação, influencia pouco na posição do ranking.

Na 10ª edição do evento, realizada em 2025, foram premiados 90 parlamentares, sendo 72 deputados federais e 18 senadores. A cerimônia ocorreu em Brasília e reuniu parlamentares, representantes da sociedade civil, jornalistas e especialistas em política. O prêmio tem sido amplamente divulgado pela imprensa. +Principais Vencedores Por ediçãoAnoParlamentarPartidoUFCategoriaFonte2026Adriana VenturaNOVOSPMelhor DeputadoEfraim FilhoPLPBMelhor Senador2025Marcel van Hattem NOVORSMelhor DeputadoEfraim FilhoPLPBMelhor Senador2024Arnaldo JardimCidadaniaSPMelhor DeputadoCarlos PortinhoPLRJMelhor Senador2023Adriana VenturaNOVOSPMelhor DeputadaEfraim FilhoPLPBMelhor Senador2022Alex ManenteCidadaniaSPMelhor DeputadoEduardo GirãoPodemosCEMelhor Senador2021Rodrigo CoelhoPodemosSCMelhor DeputadoEduardo GirãoPodemosCEMelhor Senador2020Tiago MitraudNOVOSCMelhor DeputadoOriovisto GuimarãesPodemosPRMelhor Senador2019Tiago MitraudNOVOMGMelhor DeputadoJorginho MelloPLSCMelhor Senador2018Fábio TradPSDMSMelhor DeputadoAna AméliaPPRSMelhor Senadora2017Luiz Carlos HaulyPSDBPRMelhor DeputadoAna AméliaPPRSMelhor Senadora2016Delegado WaldirPRGOMelhor DeputadoRonaldo CaiadoDEMGOMelhor Senador

Campanhas e mobilizações Além da avaliação parlamentar, a organização promove campanhas públicas sobre temas relacionados à reforma política e ao uso de recursos públicos.

Chega de Mais Impostos Em abril de 2024, durante o Fórum da Liberdade de Porto Alegre, foi lançado o manifesto “Chega de Mais Impostos”, por meio de um abaixo-assinado. O documento menciona dados relativos à carga tributária brasileira e ao Índice de Retorno de Bem-Estar à Sociedade (IRBES).

Candidaturas independentes Em novembro de 2024, o Ranking dos Políticos lançou a campanha “Exija o Direito às Candidaturas Independentes!”, defendendo a possibilidade de candidaturas avulsas no Brasil.

Entre julho de 2025, a organização realizou pesquisa com 138 parlamentares sobre o tema, cujos resultados indicaram divisão de opiniões no Congresso Nacional. Os dados foram divulgados pela CNN Brasil.

Fim dos supersalários Em setembro de 2025, a organização lançou o “Manifesto pelo Fim dos Supersalários”, campanha voltada à discussão sobre remunerações acima do teto constitucional no serviço público. Segundo informações divulgadas pela imprensa, a iniciativa reuniu mais de 15 mil adesões em seu primeiro mês.

Reconhecimentos Ao longo de sua trajetória, o Ranking dos Políticos recebeu reconhecimentos de instituições públicas e privadas.

Em 2022, Alexandre Ostrowiecki recebeu o Prêmio Libertas na 35º edição do Fórum da Liberdade, concedido pelo Instituto de Estudos Empresariais (IEE), em reconhecimento pelo seu papel no desenvolvimento do Ranking dos Políticos.

No ano de 2023, Alexandre Ostrowiecki foi homenageado com o Prêmio Liberdade, concedido pelo Instituto de Formação de Líderes de São Paulo (IFL-SP).

Ainda em 2023, a organização recebeu a Medalha de Mérito Legislativo, concedida pela Câmara dos Deputados.

Em 2024, o Ranking dos Políticos foi agraciado com a Medalha da Inconfidência, honraria concedida pelo Governo do Estado de Minas Gerais, durante cerimônia realizada em Ouro Preto.

Em 2025, a organização recebeu o Prêmio Marco Maciel, concedido pela Associação Brasileira de Relações Institucionais e Governamentais (ABRIG), e o 3º lugar na edição de 2024, na categoria “RIG na Sociedade Civil Organizada”.

Viés liberal O Ranking dos Políticos também é alvo de críticas relacionadas aos critérios utilizados para classificar votações e à seleção dos indicadores considerados relevantes ("presença nas sessões, privilégios, processos judiciais e outros"). Analistas apontam que a definição dos pesos atribuídos a determinadas pautas e o enquadramento de projetos legislativos envolvem elementos de subjetividade que favorecem em demasia uma agenda neoliberal, em detrimento de políticas públicas que efetivamente favoreçam a população brasileira como um todo. Efetivamente, em 2018, a organização informava que em relação a temas econômicos e jurídicos:

Reportagens destacam que a organização declara adotar valores e princípios ligados a temas econômicos, como livre iniciativa, propriedade privada e economia de mercado. Segundo críticos, essa orientação colocaria em debate a caracterização do Ranking como ideologicamente neutro, algo que a própria entidade negava enfaticamente que fosse.

Embora anunciasse em seu site que suas principais bandeiras seriam "Anti-Corrupção, Anti-Privilégios, Voto Consciente", bem como "combate à corrupção", "combate aos privilégios", "combate aos desperdícios", e que a entidade não se posicionava em relação à "temas sociais" (incluindo "aborto, pena de morte, casamento gay" e outros), sistematicamente suas avaliações premiam parlamentares "ligados ao mercado e ao grande empresariado", não surpreendentemente à direita do espectro político, e muitos deles vinculados ao Centrão, conhecido por aparelhar o Estado brasileiro via emendas parlamentares. Isto contradiz o que estava publicado em seu site, onde eram denunciados

Um dos cofundadores do Ranking, Renato Feder, que em 2023 tornou-se Secretário de Educação de São Paulo no governo Tarcísio de Freitas, foi acusado de incorrer em alguns dos erros denunciados pelo Ranking em 2018 como "capitalismo de compadrio", dentre eles conflito de interesses, compras sem licitação, restrição à liberdade de cátedra, e uso de material didático com erros factuais.

Ligações externas

Categoria:Conservadorismo no Brasil Categoria:Organizações políticas do Brasil Categoria:Movimentos sociais no Brasil Categoria:Organizações sem fins lucrativos do Brasil Categoria:Organizações fundadas em 2011 Categoria:Think tanks baseados no Brasil Categoria:Organizações não governamentais do Brasil __INDEXAR__