O edifício da Caixa Geral de Depósitos sito em Leiria, Portugal, é um exemplar de arquitectura financeira do século XX projectado pelo arquitecto Raul Chorão Ramalho. História A génese do actual edifício remonta à necessidade de renovação das infra-estruturas bancárias na cidade de Leiria, tendo este projecto sido fundamental para a definição das directrizes programáticas das filiais da Caixa Geral de Depósitos. Ocupando o lote onde outrora se situava o antigo Mercado Municipal, a sua construção implicou uma reestruturação profunda do quarteirão e da cidade envolvente.

Anteriormente, entre os anos de 1940 e 1941, havia sido edificado no local um imóvel da autoria do arquitecto Luís Cristino da Silva. Contudo, em 1980, procedeu-se à sua demolição total, devido às limitações da sua organização interna, caracterizada por uma compartimentação rígida e pela presença de paredes estruturais. Embora Raul Chorão Ramalho tenha equacionado inicialmente a manutenção da estrutura preexistente, a necessidade de derrubar elementos fundamentais da edificação ditou a opção por uma construção integralmente nova.

O processo de planeamento iniciou-se com um anteprojecto em 1978, sujeito a revisões sucessivas entre 1979 e 1980, levando a um projecto final executado entre 1980 e 1982. Durante este período, a equipa técnica contou com a colaboração dos arquitectos Diogo Forte Vaz, Jorge Vieira e Pedro Chorão.

Em 1983, o Instituto Português do Património Cultural emitiu um parecer que alertava para o carácter impositivo do volume projectado face à baixa cércea e reduzida monumentalidade da zona histórica circundante. Em resposta, o autor do projecto defendeu que a nova edificação permitiria a revitalização do sector e um ordenamento urbanístico mais eficaz.

O imóvel foi finalmente inaugurado a 5 de Dezembro de 1984.ALMEIDA, Álvaro Duarte de; BELO, Duarte (2007). Portugal Património: Guia-Inventário. III. Lisboa: Círculo de Leitores. p. 354

Descrição O edifício apresenta uma configuração paralelepipédica de planta rectangular, assumindo-se como um elemento de transição entre duas realidades urbanas distintas. A sul, confronta-se com uma área de construção recente e incaracterística, composta por prédios de três e quatro pisos, enquanto a norte se articula com o casario antigo da zona histórica, de apenas dois pisos. A sua implantação reordenou o espaço público, estabelecendo uma ligação com os jardins e o parque que marginam o Rio Lis. A arquitectura baseia-se num entendimento organicista, onde o espaço deve possuir a maleabilidade necessária para crescer e ser alterado em função das necessidades dos serviços, limitando as estruturas fixas ao estritamente essencial.

Exteriormente, a composição formal é definida pelo contraste entre quatro volumes opacos, revestidos a cantaria, e amplas superfícies envidraçadas. Os volumes fechados albergam os elementos de carácter fixo, como as caixas de escadas, os ascensores, as condutas e as instalações sanitárias. Em contrapartida, as áreas destinadas ao trabalho e ao atendimento ao público são envolvidas por caixilharia metálica em bronze ou de tonalidade aproximada.

Estas fachadas transparentes encontram-se dotadas de um sistema de protecção solar composto por lâminas pivotantes, que, além da sua função técnica, conferem dinamismo plástico ao conjunto através da criação de jogos de luz e sombra. O equilíbrio entre a opacidade da pedra e a transparência do vidro reflecte a preocupação do arquitecto em harmonizar a eficácia dos serviços bancários com a singularidade do contexto urbano onde o imóvel se insere.

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Categoria:Património edificado em Leiria Categoria:Caixa Geral de Depósitos