Território de Identidade Metropolitano de Salvador é um dos 27 territórios de identidade da Bahia, que é uma forma de regionalização do estado brasileiro da Bahia. Ocupa uma área de 4.354 km² (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 2013), o que corresponde a aproximadamente 0,8% do território estadual, e agrupa Salvador (que é o município capital estadual) e municípios de seu entorno (Camaçari, Candeias, Dias d'Ávila, Itaparica, Lauro de Freitas, Madre de Deus, Mata de São João, Pojuca, São Francisco do Conde, São Sebastião do Passé, Simões Filho e Vera Cruz).territorio_identidade_vol02.pdf

Um grande patrimônio artístico e cultural, reconhecido mundialmente, faz parte do território e está sob salvaguarda do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC), autarquia vinculada à SecultBA, e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). A cidade de Salvador é referência da herança material e imaterial, com rico acervo arquitetônico e de manifestações culturais que se espalham pelos municípios, a exemplo da Capoeira, do Ofício das Baianas de acarajé, da Festa de Santa Bárbara, do Cortejo do Dois de Julho, dos Desfiles de Afoxés, da Festa do Senhor do Bonfim, do Carnaval e das festas juninas.26_metropolitano.pdf

Mais de 60 instituições do território compõem a rede de Pontos de Cultura do Estado, com destaque para Salvador, que concentra mais de 70% desse número. Em relação ao financiamento de projetos por meio dos mecanismos de fomento, o território também lidera em comparação com outros, especialmente pela demanda de iniciativas oriundas da capital.

O Território Metropolitano de Salvador apresenta comportamentos socioeconômicos díspares entre os 13 municípios que o compõem. A metrópole conjunta formada por Salvador e Lauro de Freitas registra os melhores desempenhos relacionados ao mercado de trabalho e à renda média, refletindo em um elevado índice de desenvolvimento humano em comparação aos demais municípios do território.

Histórico A constituição histórica do atual Território de Identidade Metropolitano de Salvador remonta à chegada dos europeus às terras recém-descobertas ao sul do continente americano. Os primeiros núcleos de povoamento surgiram em paralelo aos primórdios da colonização lusitana no Brasil. Na chegada dos portugueses à baía denominada Todos os Santos, descoberta em 1º de novembro de 1501, o local era habitado por indígenas tupinambás. O primeiro registro da presença de europeus na região ocorreu em 1510, quando um navio francês naufragou na altura do atual bairro do Rio Vermelho, em Salvador, deixando como sobrevivente o português Diogo Álvares Correia, conhecido como Caramuru. Posteriormente, ele exerceu papel importante como mediador nas relações entre os colonos portugueses e os nativos tupinambás.

A adoção do sistema de capitanias hereditárias pela Coroa portuguesa intensificou o processo colonizador. Em 1534, a Capitania da Baía de Todos os Santos, que se estendia da foz do Rio São Francisco até a Ilha de Itaparica, foi doada a Francisco Pereira Coutinho, que se estabeleceu dois anos depois em um pequeno assentamento, onde também se destacava a presença de Caramuru. A primeira povoação, batizada de Vila do Pereira e localizada no alto da colina onde hoje se encontra a Igreja de Santo Antônio da Barra, foi fundada em 1536 por Francisco Pereira Coutinho, sendo posteriormente denominada Vila Velha. Após um período de paz entre colonos e indígenas, disseminaram-se culturas agrícolas como a cana-de-açúcar, o tabaco e o algodão. No entanto, em 1545, um ataque dos tupinambás destruiu a comuna inicial, obrigando os colonos a se refugiarem em outras capitanias. Após novas negociações, foi firmado um novo acordo de paz, mas o naufrágio do navio que trazia os colonos de volta levou à venda das terras de Coutinho à Coroa portuguesa em 1548, que tinha como objetivo instalar o primeiro governo-geral da Colônia.

Em 1549 iniciou-se o processo de colonização efetiva do Brasil com a fundação de sua primeira capital, a Cidade de São Salvador, em 29 de março. Seu fundador, o primeiro governador-geral do Brasil, Tomé de Sousa, desembarcou no atual Porto da Barra e iniciou a construção da cidade-fortaleza, planejada para ser o centro administrativo da Colônia. Durante os séculos XVI a XVIII, Salvador consolidou-se como a principal cidade da América portuguesa, sendo a maior do Brasil e a segunda de todo o Império, atrás apenas de Lisboa. Foi capital da Colônia até 1763 e desempenhou papel central nas rotas comerciais do Atlântico Sul.

No século XIX, a cidade manteve sua relevância política e cultural, acompanhando as transformações do Brasil imperial e republicano. Os antigos engenhos do Recôncavo começaram a se modernizar, e Salvador seguiu como centro urbano de destaque na região. Na primeira metade do século XX, a vida social e cultural da capital baiana era marcada pelo comércio com as cidades do Recôncavo, pela prestação de serviços, pelo artesanato e pelo pequeno comércio varejista.

A partir da segunda metade do século XX, iniciativas estatais e obras de infraestrutura, como a construção da Usina Hidrelétrica de Paulo Afonso e a ligação rodoviária Rio-Bahia, contribuíram para mudanças significativas na dinâmica da cidade e da região metropolitana.

Geografia Predomina o clima úmido, com uma pequena faixa úmida a subúmida localizada entre o oeste de Camaçari e parte dos municípios de Pojuca e São Sebastião do Passé. A pluviometria ultrapassa os 2.000 mm anuais, com maior intensidade de chuvas durante o outono e o inverno. A temperatura média anual é de aproximadamente 24,8 ºC.

A Bacia hidrográfica do Recôncavo Norte recobre todo o território, que abriga diversas ilhas, com destaque para o arquipélago de Itaparica, além da Baía de Aratu e Baía de Todos-os-Santos, esta última considerada a maior do país. Os principais cursos d’água são os rios Das Pedras, Do Cobre, Imbaçaí, Ipitanga, Jacuípe, Jaguaripe, Joanes e Pojuca.

A quantidade de espelhos d'Água é significativa, com oito açudes e barragens: Cachoeirinha, Cobre, Ipitanga (I e II), Joanes (I e II), Pituaçu e Santa Helena.

Os Argissolos Vermelho-Amarelos predominam na maior parte do território, inclusive na ilha de Itaparica. Também ocorrem Espodossolos, Gleissolos, Latossolos, Neossolos, Organossolos e Vertissolos. As melhores aptidões para Lavouras concentram-se nos Argissolos Vermelho-Amarelos (em Camaçari, Candeias, Dias D’Ávila, Simões Filho, São Francisco do Conde, São Sebastião do Passé e Mata de São João), nos Latossolos Amarelos (em Camaçari e São Sebastião do Passé) e nos Organossolos Tiomórficos (em trechos da borda do território junto à Baía de Todos os Santos), que apresentam potencial para a conservação do patrimônio natural.

A vegetação é composta por Remanescentes de Floresta ombrófila densa, vegetação arbórea e arbustiva, além de manguezais. Há também áreas de Cerrado em Camaçari e Dias D’Ávila, e formações de Contato Cerrado-Floresta em Dias D’Ávila. Apesar de ser um território bastante urbanizado, existem áreas preservadas na porção centro-leste, entre Mata de São João e o extremo norte de Salvador, bem como na faixa central da ilha de Itaparica.

O território apresenta um uso da terra bastante diversificado, abrangendo atividades agropecuárias e industriais. Destacam-se a extração de petróleo e gás, além das áreas industriais localizadas em Candeias, Madre de Deus, Salvador, Simões Filho, São Francisco do Conde e Mata de São João. Também são registradas pastagens, cultivo de cana-de-açúcar, policulturas e silvicultura de eucalipto e pinus em Mata de São João e São Francisco do Conde. O relevo é formado por baixadas, planaltos, depressões, planícies e tabuleiros, com destaque para a Baixada Litorânea do Recôncavo, especialmente entre Simões Filho e São Sebastião do Passé, e para as planícies fluviais, marinhas e fluviomarinhas. A Depressão de Camaçari apresenta morros e colinas residuais, enquanto o Planalto Oriental e o Tabuleiro Dissecado do Recôncavo completam o conjunto, com altitude máxima em torno de 150 metros.

As principais ocorrências minerais registradas são areia, petróleo e argila, com ampla distribuição entre os municípios da região. A areia é utilizada na construção civil, fundição, indústria de transformação e tratamento de água e esgoto; o petróleo é destinado à fabricação de combustível, lubrificantes, plásticos, produtos da indústria têxtil e eletrônica, asfalto e embalagens; já a argila é aplicada em materiais de construção, cosméticos e esculturas. Outros minerais presentes incluem turfa, gnaisse, caulim e gás natural, este último encontrado em Candeias, Dias D’Ávila, Mata de São João, São Francisco do Conde, São Sebastião do Passé e Vera Cruz.

O território concentra a maior parte das indústrias de grande porte do estado, com destaque para o setor petroquímico. Os principais complexos industriais são o Centro Industrial de Aratu, o Polo Industrial de Camaçari e a Refinaria Landulfo Alves, sendo os municípios de Camaçari, Simões Filho e Candeias os mais relevantes nesse setor. Na parte sul do território, em Candeias, encontra-se a Gruta Aratu, de litologia arenítica.

Além disso, oito unidades de conservação estaduais, todas na categoria de Área de proteção ambiental, recobrem parcial ou totalmente o território. Quanto aos projetos de assentamentos de reforma agrária, o Metropolitano de Salvador apresenta número modesto, mas significativo, considerando sua urbanização: são 11 projetos distribuídos em seis municípios, totalizando 9.361 hectares e capacidade para 537 famílias. O município de Pojuca abriga o único Projeto Crédito Fundiário e Combate à Pobreza Rural, a Associação Comunitária do Riacho das Moças, com área de 88 hectares e 15 famílias beneficiadas.

Economia Durante os séculos XVI a XVIII, Salvador consolidou-se como a principal rota comercial do hemisfério sul. Era a maior cidade do Brasil e a segunda em importância dentro do Império Português, atrás apenas de Lisboa, sendo a capital da América portuguesa até 1763. A economia do território destacava-se pela produção e exportação de cana-de-açúcar, sustentada pelos engenhos do Recôncavo. No final do século XIX, os antigos engenhos começaram a se modernizar, absorvendo a produção de açúcar da região e mantendo a relevância econômica do Recôncavo. Já na primeira metade do século XX, o movimento comercial do estado era limitado, concentrando-se basicamente no fluxo de mercadorias entre Salvador e as cidades vizinhas. Nesse período, as ocupações predominantes estavam ligadas à prestação de serviços pessoais, ao artesanato, à burocracia estatal, à construção civil e ao pequeno comércio varejista.

A partir da segunda metade do século XX, iniciativas estatais abriram caminho para rápidas transformações na economia baiana. Entre elas destacam-se a construção da usina hidrelétrica de Paulo Afonso, a ligação rodoviária Rio-Bahia (BR-116), a criação do Banco do Nordeste do Brasil e da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste. Os anos 1960 e 1970 marcaram um período decisivo, com a exploração do petróleo no Recôncavo sob monopólio estatal, a construção do terminal marítimo de Madre de Deus e a implantação da Refinaria Landulpho Alves-Mataripe, em São Francisco do Conde. Esses investimentos impulsionaram a economia do entorno de Salvador, intensificando o processo de industrialização, especialmente nas áreas petroquímica e metalurgia.