Eugénio Sequeira (freguesia de Cascais, Cascais, Portugal, 7 de abril de 1937), de nome completo Eugénio Manuel Bilstein de Menezes de Sequeira, é um agrónomo, ambientalista, político e investigador português conhecido pelo seu trabalho na área das ciências do solo, da sustentabilidade agrícola e da conservação da natureza. É uma das figuras fundadoras do movimento ambientalista moderno em Portugal e foi uma personalidade proeminente na Liga para a Protecção da Natureza (LPN), a mais antiga organização não governamental de defesa do ambiente em Portugal.

Biografia

Infância e formação

Eugénio Sequeira nasceu em Cascais, a 7 de Abril de 1937, na Casa da Horta da Quinta de Santa Clara, atual Biblioteca Municipal de Cascais, em Cascais, Portugal, filho de Joaquim Hemetério Adrião de Sequeira (1895—1976) e de Maria da Luz de Gouvêa Homem Bilstein de Menezes (1901–1961) e neto materno de Maria Pia de Gouveia Menezes (1878–1969) e de Eugénio Augusto de Almada e Castro Bilstein de Menezes (1869–1960), que serviu como Major de Artilharia durante a Primeira Guerra Mundial, e que recebeu a 10 de Julho de 1920 o grau de Oficial da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito.

Foi o mais novo de seis irmãos, entre os quais Maria Eugénia Bilstein de Menezes Luiz de Sequeira (1925–2016), esposa de João Varela Gomes, militar e opositor ao regime do Estado Novo (Portugal), conhecido pelo seu papel central na Revolta de Beja (ocorrida na noite de passagem de ano de 1961 para 1962), com quem teve vários filhos, incluindo o crítico e historiador de arte Paulo Varela Gomes.

Casou com Marta Gonçalves Pinto da Silva de Sequeira, filha do botânico António Rodrigo Pinto da Silva e da botânica e palinóloga portuguesa Quitéria de Jesus Gonçalves Pinto da Silva. A esposa foi também investigadora na Estação Agronómica Nacional, tal como o próprio Eugénio e os seus sogros.

É pai de três filhos, entre os quais Miguel Menezes de Sequeira (nome completo Miguel Pinto da Silva Menezes de Sequeira), professor auxiliar na Faculdade de Ciências da Vida da Universidade da Madeira, onde integra o Grupo de Botânica da Madeira, com mais de 4000 citações e centenas de publicações científicas, segundo o Google Scholar.

Eugénio Sequeira concluiu o curso de Engenharia Agronómica no Instituto Superior de Agronomia em 1961, com uma tese realizada no Laboratório de Estudos de Nutrição Animal, obtendo a classificação de 19 valores.

Na Guerra Colonial Portuguesa

A 3 de abril de 1973 embarcou na Gare Marítima da Rocha do Conde de Óbidos no NTT Angra do Heroísmo, como capitão miliciano de artilharia da Companhia de Cavalaria 3378 (ou CCAV 3378, que teve como Unidade Mobilizadora o Regimento de Cavalaria n.º 3, aquartelado em Estremoz), conhecida depois por «Os Kimbas do Olossato», em direcção à Guiné, durante a Guerra Colonial Portuguesa. A companhia desembarcou em Bissau, no estuário do Geba, em 9 de Abril de 1973. Eugénio Sequeira comandava a subunidade de cavalaria que, após realização da Instrução de Aperfeiçoamento Operacional (IAO), que decorreu de 12 de abril a 8 de maio de 1971, no Centro de Instrução Militar (CIM), em Cumeré, seguiu em 13 de maio de 1971 para o Olossato. Segundo relatos de veteranos, Eugénio Sequeira, compreensivo e jovem, era visto pelos soldados como uma figura paterna, que chegava a influenciar positivamente o percurso de vida dos seus subordinados. Corriam então rumores de que mantinha correspondência, através da França, com Amílcar Cabral, líder do PAIGC, o que levou a crenças iniciais, infundadas, de imunidade a ataques. Após quase dois anos de acção, os Kimbas embarcam 26 de março de 1973, em Bissau, no NTT Uíge, de regresso a Lisboa, onde desembarcam a 31 de março de 73.

Carreira profissional

Em 1965 integrou o Departamento de Pedologia da Estação Agronómica Nacional (atual Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária – INIAV), tendo sido coordenador desse departamento a partir de 1983. Foi promovido a Investigador Principal em 1981 e a Investigador Coordenador em 1989, cargo em que se aposentou.

Desenvolveu investigação em diversas áreas, incluindo o comportamento de microelementos no solo e nas plantas, problemas de poluição, distribuição radicular, conservação do solo e da água e qualidade dos solos. Foi pioneiro na promoção da sementeira direta como medida de prevenção da erosão e desenvolveu um sistema inovador de recuperação de solos degradados através da injeção em profundidade de lamas de estações de tratamento de águas residuais (ETAR), pelo qual recebeu um prémio no Japão.

Colaborou com o botânico António Rodrigo Pinto da Silva (seu sogro) em estudos sobre a flora das áreas serpentínicas portuguesas.

Foi professor convidado em várias instituições de ensino superior, entre as quais a Universidade Técnica de Lisboa, Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, Escola Universitária Vasco da Gama, Universidade Nova de Lisboa, Universidade do Algarve e politécnicos de Beja e Coimbra. Foi ainda membro do Conselho Científico da Escola Superior Agrária de Beja (1999–2001) e do Conselho Técnico do Instituto de Hidráulica, Engenharia Rural e Ambiente (1999–2000).

Entre 1995 e 1996 coordenou a nível nacional a Medida IV – Investigação e Desenvolvimento Experimental do PAMAF (áreas de Florestas, Solos e Ambiente). Coordenou igualmente o Grupo de Conselho Científico do Ministério da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas, preparando contributos para reuniões sobre arborização e o Programa Nacional de Combate à Desertificação.

Foi Presidente da Sociedade Portuguesa da Ciência do Solo. Foi membro do Conselho Nacional do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (CNADS) e do Conselho Nacional de Combate à Desertificação. Foi perito inscrito no Roster of Experts da Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (UNCCD).

Carreira política

Na esfera política membro destacado do Partido Socialista. Exerceu as funções de Presidente da Assembleia Municipal de Cascais (1976–1979) e de Vereador na Câmara Municipal de Cascais (1989–1993).

Ativismo ambiental

Associou-se à Liga para a Protecção da Natureza (LPN) em 27 de maio de 1970, sendo um dos seus associados mais antigos e longevos. Participou em vários mandatos da Direção Nacional, tendo exercido a Presidência por três períodos: 1996–1999, 2005–2009 e 2018–2019.

Impulsionou projetos emblemáticos como o “Castro Verde Sustentável”, que compatibiliza práticas agrícolas com a conservação de aves estepárias, e várias iniciativas de adaptação e mitigação da desertificação. Representou a LPN na Câmara Ambiental do Forest Stewardship Council (FSC) Portugal até 2020.

Foi a partir de 2001 o responsável científico da LPN no projeto “Avaliação da sustentabilidade de alguns sistemas de culturas no Baixo Alentejo”. Tem sido uma voz ativa e consistente em temas como sustentabilidade agrícola, ordenamento do território, combate à desertificação e gestão florestal, participando em debates e entrevistas sobre incêndios florestais, alterações climáticas, seca e qualidade da água pós-incêndios.

Vida pessoal

Residiu a maior parte da vida em Cascais. Atualmente reside nas Lajes das Flores na Ilha das Flores, Açores.

Prémios e distinções

Prémio Quercus 2013, atribuído pela Quercus - Associação Nacional de Conservação da Natureza.

Portugal Dryland Champion 2013, pela Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (UNCCD).

Associado Honorário da ZERO – Associação Sistema Terrestre Sustentável (2023).

Associado Honorário da Liga para a Protecção da Natureza (2023).

Diversos prémios nacionais e internacionais pelos trabalhos em Agricultura Sustentável, incluindo prémio no Japão pelo sistema de recuperação de solos com injeção de lamas de ETAR.

Homenagem com busto no Centro de Educação Ambiental da LPN em Castro Verde (Vale Gonçalinho), em 2021, promovida por ambientalistas e apoiada pela Câmara Municipal de Castro Verde.

Publicações selecionadas

Autor de centenas de obras científicas e de divulgação, que incluem:

"Toxicity and movement of heavy metals in serpentinic soils (northeastern Portugal)", em Agronomia Lusitana (1969).

"Um caso de deficiência de molibdénio em girassol", em Agronomia Lusitana (1978).

"Copper and zinc in vineyards of Central Portugal", em Water, Air, and Soil Pollution (1985).

"The methodological approach to soil erosion and important land resources evaluation of the European community", em Soil Technology (1991).

"Ecology of serpentinized area of North-East Portugal", capítulo em The Ecology of Areas with Serpentinized Rocks: A World View (1992).

"Copper and Zinc Competitive Adsorption: Desorption in Calcareous Soils", em Arid Soil Research and Rehabilitation (2000).

Portugal Millennium Ecosystem Assessment - State of the Assessment Report (2004).

"Depois do fogo" (2007), em Proteger a floresta: incêndios pragas e doenças (vol. 8) - Colecção Árvores e Florestas de Portugal.

"Ultramafics of Bragança Massif: Soils, Flora and Vegetation", em Natural Heritage from East to West (2010).

"Magnetic, geochemical and pedological characterisation of soil profiles from different environments and geological backgrounds near Coimbra, Portugal", em Geoderma (2014).

Património natural e geológico, com Miguel Magalhães Ramalho, parte da colecção Roteiros do Património de Cascais.

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