Associação operária (1872-1874), com representação na Associação Internacional de Trabalhadores e que publicou "O Pensamento Social".

Fundação

Fundação e localização É fundada a 14 de Janeiro de 1872. Situa-se primeiro na Rua das Gaivotas, na sede do Grémio Popular, e depois na Calçada da Estrela, nº16. Teve três seções, Chelas, Marvila e Poço do Bispo.

Designação e influências Associação que vai congregar a organização de diferentes ofícios no que foi o primeiro embrião de central sindical em Portugal, a “Associação de Resistência Fraternidade Operária”

Foi Inspirada na Internacional Operária de Bakunine, a Associação Internacional de Trabalhadores, (Londres, 1864)

Teve papel de relevo na divulgação do socialismo entre nós e estando na origem do Partido Socialista Português (o inicial).Fraternidade Operária na Infopédia [em linha]. Porto Editora. Disponível em https://www.infopedia.ptartigos/$fraternidade-operaria

Atividades e membros

Dirigentes e sócios Incluiu Antero de Quental, Azedo Gneco e José Fontana como dirigentes.

Uma ano depois da sua criação, a Fraternidade Operária chegará em Lisboa aos 10.000 sócios e no Porto aos 8.000.

Os ofícios dos sócios incluem tabacos, tecelões, serralheiros, calafates, carpinteiros navais, trabalhadores, sapateiros, canteiros, ferreiros, marceneiros, tipógrafos, fundidores, carpinteiros, torneiros, pedreiros, marinheiros, caldeireiros, barbeiros, alfaiates, serradores, costureiras, encadernadores. Tabacos e tecelões têm particular participação de mulheres.

Atividades

Trabalho: Nos dezoito meses seguintes à sua criação, organizou mais de 50 greves. num contexto em que a greve era crime. Promoveu ainda a organização das primeiras comemorações do Dia do Trabalhador.

Instrução pública

Orgãos da imprensa periódica como “O Pensamento social” (Fevereiro de 1872 a Outubro de 1873). O jornal vai incluir no cabeçalho: “Não mais deveres sem direitos, não mais direitos sem deveres” e publicará a primeira tradução do Manifesto Comunista.Sá, V. D. (1990). Esquema histórico do movimento operário português. Revista de História, 10, 1990, p. 217-224. Contou como colaboradores autores como Antero de Quental, José Fontana, Oliveira Martins, Jaime Batalha Reis, Nobre França, Eduardo Maia, Augusto Tedeschi, e Azedo Gneco.

Término e Legado

Término Ao final de dois anos, a associação extinguiu-se ao fundir-se com outras associações. Passou a designar-se de Associação dos Trabalhadores da Região Portuguesa, sob o chapéu da Internacional Operária.

Legado Em 1977, uma nova associação político-cultural, Associação de Cultura Socialista — Fraternidade Operária, liderada por António Lopes Cardoso recupera o nome por sugestão de Fernando Piteira Santos, devido ao partilhar de objetivos e herança política da organização original.Oliveira, César (1993). Os anos decisivos. Portugal 1962-1985. Um testemunho. [S.l.]: Editorial Presença

A nova Fraternidade Operária, situada à esquerda do Partido Socialista, é anunciada a 23 de Fevereiro de 1977. Com a rutura de António Lopes Cardoso e outros com o Partido Socialista, consolidou-se na criação da União da Esquerda para a Democracia Socialista (UEDS) em 1978.

Toponímia Rua Fraternidade Operária, em Marvila, Lisboa (atribuída durante a I República, em 1916)

Rua Fraternidade Operária, Carnaxide

Referências