A história da interlingua compreende a formação da própria língua e também a sua comunidade de falantes.
O primeiro crédito pela interlingua deve ir para a herdeira americana Alice Vanderbilt Morris (1874–1950), que se interessou pela linguística e pelo movimento de línguas auxiliares internacionais no início da década de 1920. Em 1924, Morris e seu esposo, Dave Hennen Morris, estabeleceram a International Auxiliary Language Association (IALA) (Associação de Línguas Auxiliares Internacionais), uma associação sem fins lucrativos, em Nova Iorque. O seu objetivo era colocar o estudo de línguas auxiliares em uma base científica.Falk, Julia S. "Words without grammar: Linguists and the international language movement in the United States, Language and Communication, 15(3): pp. 241-259. Pergamon, 1995.
As investigações do problema da língua auxiliar estavam em progresso no Conselho Internacional de Pesquisa (International Research Council), no Conselho Americano de Educação (American Council on Education), no Conselho Americano de Sociedades Eruditas (American Council of Learned Societies), nas associações britânica, francesa, italiana e americana para o avanço da ciência, e em outros grupos de especialistas. Morris criou a IALA como uma continuação do seu trabalho.Bray, Mary Connell (1971), "Foreword", Interlingua-English: A dictionary of the international Language, Second Edition, New York: Frederick Ungar Publishing Company. . OCLC 162319. Retrieved on 2007-03-05. Ela desenvolveu o programa de pesquisa em consulta com Edward Sapir, William Edward Collinson e Otto Jespersen.
International Auxiliary Language Association A IALA tornou-se uma importante adepta da linguística americana convencional e fundou, por exemplo, os estudos semânticos interlinguísticos de totalidade de Sapir (1930) e os fenômenos de graduação (1944). A própria Morris editou o estudo interlinguístico dos fenômenos do ponto final de Sapir e Morris Swadesh (1932), e o estudo de indicação de Collinson (1937). Embora os Morris e sua família tenham fornecido a maior parte dos fundos da IALA, ela também recebeu apoio de grupos prestigiados como a Carnegie Corporation, a Ford Foundation e a Rockefeller Foundation.
Em seus primeiros anos, a IALA ocupou-se com três tarefas: encontrar outras organizações em todo o mundo com objetivos semelhantes; construir uma biblioteca de livros de línguas e interlinguística; e comparar línguas internacionais auxiliares existentes, como o esperanto, esperanto II, ido, latino sine flexione, novial e occidental. Na busca de seu último objetivo, ela conduziu estudos paralelos dessas línguas, com estudos comparativos de línguas nacionais, sob a direção de acadêmicos de universidades americanas e europeias. Ela também organizou conferências com proponentes dessas línguas auxiliares internacionais e debateu traços e objetivos de suas respectivas línguas. Com uma "regra de concessão" que exigia que os participantes fizessem um certo número de concessões, os primeiros debates na IALA algumas vezes cresceram de fervorosos a explosivos.
No Segundo Congresso Internacional de Interlíngua (Second International Interlanguage Congress), realizado em Genebra em 1931, a IALA começou a abrir novos caminhos. Sua conferência contou com a presença de linguistas reconhecidos, 27 dos quais assinaram um testemunho de apoio ao programa de pesquisa da IALA. Outros oito adicionaram suas assinaturas no terceiro congresso, realizado em Roma em 1933.
Também em 1933, o Professor Herbert N. Shenton da Syracuse University organizou um estudo intensivo dos problemas encontrados com interlínguas quando estas são usadas em conferências internacionais. Mais tarde no mesmo ano, o Dr. Edward L. Thorndike publicou um artigo científico sobre as velocidades relativas de aprendizagem de línguas construídas "naturais" e "modulares". Tanto Shenton quanto Thorndike foram influências importantes no trabalho da IALA a partir daquele momento.
Em 1937, os primeiros passos em direção à conclusão da interlíngua foram dados quando um comitê de 24 linguistas eminentes de 19 universidades publicou Some Criteria for an International Language and Commentary (Alguns critérios para uma língua internacional e comentário). No entanto, o início da Segunda Guerra Mundial em 1939 interrompeu os encontros bianuais do comitê.
Desenvolvimento de uma nova língua Uma mudança de curso
Originalmente, a associação não tinha a intenção de criar sua própria língua. Seu objetivo era identificar qual era a língua auxiliar já existente que melhor se adaptava à comunicação internacional, e como promovê-la mais efetivamente. Apesar de dez anos de pesquisa, cada vez mais membros da IALA concluíram que nenhuma das "interlínguas" já existentes era boa para o trabalho. Em 1937, os membros tomaram a decisão de criar uma nova língua, para surpresa da comunidade interlinguística mundial.Gopsill, F. P., e Sexton, Brian, "Pesquisa profunda leva a uma língua", História da interlíngua, 2001, revisado em 2006.
Até aquele ponto, muito do debate tinha sido equivocado sobre a decisão de usar palavras naturalísticas (ex: Novial e Occidental) ou sistemáticas (ex: Esperanto e Ido). Durante os anos de guerra, os defensores de uma interlíngua naturalística venceram. O primeiro apoio foi o artigo do Dr. Thorndike; o segundo foi uma concessão por defensores das línguas sistemáticas de que milhares de palavras já estavam presentes em muitas — ou na maioria — das línguas europeias. Seu argumento era que a derivação sistemática de palavras era um "leito de Procrusto", forçando o iniciante a esquecer e aprender de novo um novo esquema de derivação quando um vocabulário útil já estava disponível. Isto finalmente convenceu os defensores das línguas sistemáticas, e a IALA a partir daquele ponto assumiu a posição de que uma língua naturalística seria ideal.
Com a eclosão da Segunda Guerra Mundial, as atividades de pesquisa da IALA mudaram-se de Liverpool para Nova Iorque, onde E. Clark Stillman estabeleceu uma nova equipe de pesquisa. Stillman, com a assistência do Dr. Alexander Gode, desenvolveu uma técnica prototípica — uma metodologia objetiva para selecionar e normalizar o vocabulário baseada em uma comparação de línguas de controle.
Os quatro modelos Em 1943, Stillman partiu para ajudar na guerra e Gode tornou-se Diretor Interino de Pesquisa. Em 1945, a IALA publicou um Relatório Geral — em grande parte obra de Morris — que apresentava três modelos para a língua da IALA: Modelo P era um modelo naturalístico que não fazia uma tentativa de normalizar o vocabulário prototípico. Modelo E era ligeiramente esquematizado de uma maneira semelhante ao Occidental. Modelo K era moderadamente esquematizado de uma maneira semelhante ao Ido (ou seja, algo menos esquematizado que o Esperanto).
De 1946 a 1948, o renomado linguista francês André Martinet foi Diretor de Pesquisa. Durante este período, a IALA continuou a desenvolver modelos e realizou votações para determinar a forma ideal da língua final. Um exame inicial mediu reações contra os três modelos de 1945. Em 1946, a IALA enviou um exame extensivo a mais de 3000 professores de línguas e profissionais relacionados em três continentes.Gopsill, F. P., e Sexton, Brian, "A natureza, sim – um esquema, não", História da interlíngua, 2001, revisado em 2006.
Quatro modelos estavam incluídos: Modelos P e K, além de dois novos modelos que se assemelhavam ao Modelo E de 1945.
Modelo P muito naturalístico Jo habe nascite, o dea cum le oculos azure, de parentes barbare, inter le bone et virtuose Cimmerios Modelo M moderadamente naturalístico Io have nascit, o dea con le ocules azur, de parentes barbar, inter le bon e virtuos Cimmerios Modelo C ligeiramente esquemático Yo ha nascet, o deessa con le ocules azur, de parentes barbar, inter le bon e virtuose Cimerios Modelo K moderadamente esquemático Yo naskeba, o dea kon le okuli azure, de parenti barbare, inter le bone e virtuose Kimerii (interlingua moderna) Io ha nascite, o dea con le oculos azur, de parentes barbare, inter le bon e virtuose Cimmerios
O Modelo P não se alterou desde 1945; o Modelo M era relativamente moderno em comparação com o mais clássico P. O Modelo K modificou-se ligeiramente na direção do Ido.
Os resultados do exame foram surpreendentes. Os dois modelos esquemáticos, C e K, foram rejeitados — K de forma convincente. Dos dois modelos naturalísticos, o M atraiu um pouco mais de apoio do que o P. Levando em conta preconceitos nacionais (por exemplo, os franceses que preferiam desproporcionalmente o Modelo M), a IALA optou por um compromisso entre os modelos M e P, com alguns elementos de C.
Finalização Quando Martinet assumiu um cargo na Universidade de Columbia em 1948, Gode encarregou-se da fase final do desenvolvimento do interlingua. Sua tarefa era combinar elementos do Modelo M e do Modelo P, evitar os defeitos vistos em ambos pela comunidade consultada e repará-los com elementos do Modelo C conforme necessário, e simultaneamente desenvolver um vocabulário.
O vocabulário e as conjugações verbais do interlingua foram apresentados pela primeira vez em 1951, quando a IALA publicou a concluída Interlingua Grammar e o Interlingua-English Dictionary (IED) de 27.000 palavras. Em 1954, a IALA publicou um manual introdutório intitulado Interlingua a Prime Vista.
Sucesso, declínio e ressurgimento Uma primeira aplicação prática da interlíngua foi a revista científica Spectroscopia Molecular, publicada de 1952 a 1980.Breinstrup, Thomas, "Uma revolução no mundo científico" Recuperado em 16 de janeiro de 2007. Em 1954, a interlíngua foi usada no Segundo Congresso Cardiológico Mundial em Washington, DC, tanto para resumos escritos quanto para interpretação oral. Dentro de alguns anos, ela encontrou um uso similar em nove (9) congressos médicos adicionais. Entre meados dos anos 1950 e o fim dos anos 1970, cerca de trinta periódicos científicos e especialmente médicos forneciam resumos de artigos em interlíngua. Science Service, a editora da Science Newsletter naquela época, publicava uma crônica mensal em interlíngua desde o início dos anos 1950 até a morte de Gode em 1970. Em 1967, a poderosa Organização Internacional de Normalização, que normaliza a terminologia, votou quase unanimemente por adotar a interlíngua como base de seus dicionários.
A IALA fechou as suas portas em 1953, mas não se dissolveu formalmente até 1956 ou mais tarde.Esterhill, Frank, Interlingua Institute: A History. New York: Interlingua Institute, 2000. O seu papel na promoção do interlingua foi amplamente assumido pelo Science Service,F. P., and Sexton, B. C., Gopsill, "Le natura, si – un schema, no". Recuperado em 16 de janeiro de 2007. que contratou Gode como o chefe da sua recém-formada Divisão de Interlingua.Biographias: Alexander Gottfried Friedrich Gode-von Aesch. Recuperado em 16 de janeiro de 2007. Huge E. Blair, um amigo íntimo e colega de Gode, tornou-se seu assistente.Biographias: Hugh Edward Blair. Recuperado em 16 de janeiro de 2007.] Uma organização sucessora, o Interlingua Institute,Portrait del organisationes de interlingua. Recuperado em 16 de janeiro de 2007. foi fundada em 1970 para promover o interlingua nos EUA e no Canadá. O novo instituto apoiava os trabalhos de outras organizações linguísticas, fazia contribuições académicas consideráveis e produzia resumos para publicações académicas e médicas. Uma das suas maiores conquistas foi dois volumes imensos de fitopatologia produzidos pela American Phytopathological Society em 1976 e 1977.
O Interlingua Institute vagou sem direção durante um tempo após as mortes de Blair em 1967 e Gode em 1970. Segundo Esterhill, no entanto, a publicação desacelerou apenas brevemente no final dos anos 1960 e recuperou-se logo depois, por volta da época da segunda edição de 1971 do IED. O interesse florescente na Europa poderia ter contrabalançado as lutas ocorridas na América.