Batterygate é um termo usado para descrever reduções deliberadas de velocidade (throttling) no processador dos iPhones da Apple, a fim de evitar que aparelhos com baterias degradadas desligassem quando sob alta carga de processamento.
Críticos argumentaram que a redução de velocidade equivalia à obsolescência programada. No entanto, isso pode derivar do equívoco comum de que todos os iPhones mais antigos foram desacelerados. Alguns argumentaram que introduzir um recurso para evitar que aparelhos com baterias degradadas reiniciem é, na verdade, o oposto da obsolescência programada, já que um telefone mais lento e que não reinicia de surpresa seria preferível à alternativa.
Outras críticas surgiram do fato de que os aparelhos afetados tiveram seu desempenho reduzido sem qualquer explicação ou outras opções fornecidas ao usuário. Desde então, a Apple atualizou o iOS para fornecer notificações e configurações que permitem aos usuários visualizar a redução de desempenho e até mesmo a capacidade de desativá-la, caso o usuário prefira que seu telefone corra o risco de reiniciar sob alta carga.
A Apple foi processada e admitiu que reduziu propositalmente a velocidade dos iPhones. A empresa, desde então, fez acordos em ações coletivas e admitiu que isso ocorreu de fato.
A controvérsia surgiu pela primeira vez no final de 2016, quando foi relatado que, a partir de uma atualização recente do iOS, alguns aparelhos iPhone começaram a sofrer desligamentos inesperados quando a capacidade de sua bateria atingia 30%, o que era causado por quedas na tensão terminal da bateria abaixo de um limite de cerca de três volts exigido para a operação do dispositivo.
História Após o lançamento do iOS 10.1.1 no final de 2016, surgiram relatos de problemas no uso da bateria com a atualização. Houve também relatos de instabilidade do dispositivo por parte de alguns usuários dos modelos iPhone 6 e iPhone 6s, incluindo situações em que o dispositivo desligava inesperadamente quando a capacidade de sua bateria atingia 30% (com um usuário relatando que a porcentagem da bateria saltava inesperadamente para 1% antes do desligamento, mas ainda exibia 30% após o dispositivo ser conectado na tomada e reiniciado).
A Apple confirmou em dezembro de 2016 que alguns modelos de iPhone 6S fabricados entre setembro e outubro de 2015 sofreram um defeito de fabricação na bateria.
A empresa afirmou que esse defeito não era um problema de segurança, mas que poderia diminuir a capacidade da bateria e causar desligamentos para "proteger [os] componentes eletrônicos [do dispositivo]". Em relação a outras instâncias de desligamentos, a Apple declarou que incluiria um "recurso de diagnóstico adicional" na próxima atualização do iOS para que pudesse "melhorar os algoritmos de gerenciamento do desempenho da bateria e das operações de desligamento" em versões futuras. Com o lançamento do iOS 10.2.1 em fevereiro de 2017, a Apple afirmou ter reduzido os desligamentos inesperados no iPhone 6S em "mais de 80%" e em "mais de 70%" no iPhone 6. A Apple também relatou que esses problemas eram separados dos defeitos de fabricação supracitados no 6S.
Em dezembro de 2017, os desenvolvedores da ferramenta de benchmark Geekbench divulgaram um relatório demonstrando um padrão de degradação de desempenho em modelos de iPhone 6 atualizados para versões além do 10.2.1 e modelos de iPhone 7 atualizados além do iOS 11.2. Já havia evidências anedóticas no passado de que a Apple degradava intencionalmente o desempenho de modelos mais antigos de iPhone em novas versões do iOS como uma forma de obsolescência programada, visando incentivar as vendas de novos modelos.
Em resposta a esses relatos, a Apple emitiu uma declaração à CNET, confirmando que havia implementado controles de desempenho de software baseados na saúde da bateria em dispositivos iPhone mais antigos, com o objetivo de preservar a estabilidade do sistema e evitar desligamentos inesperados. A empresa afirmou que seu objetivo era "oferecer a melhor experiência aos clientes, o que inclui o desempenho geral e o prolongamento da vida útil de seus dispositivos", e explicou que "as baterias de íons de lítio tornam-se menos capazes de suprir as demandas de picos de corrente em condições de frio, quando têm baixa carga de bateria ou à medida que envelhecem com o tempo, o que pode resultar no desligamento inesperado do dispositivo para proteger seus componentes eletrônicos".
Logo depois, a Apple emitiu um pedido de desculpas formal, admitindo que inicialmente acreditou que os problemas eram causados por bugs no iOS e por quedas de desempenho "normais e temporárias" logo após uma atualização, mas que o "envelhecimento químico contínuo" das baterias em dispositivos iPhone mais antigos também era um fator chave. A Apple declarou que substituir a bateria do dispositivo restauraria seu desempenho total, e também anunciou que ofereceria um desconto de US$ 50 (o preço caiu de US$ 79 para US$ 29) em substituições de baterias de iPhone 6 e 6S de janeiro a dezembro de 2018, além de se comprometer a incluir informações mais detalhadas sobre a saúde da bateria em versões posteriores do iOS. Em janeiro de 2019, o CEO da Apple, Tim Cook, declarou em uma carta aos acionistas que mais de 11 milhões de substituições de bateria foram realizadas pelo programa de desconto. A empresa afirmou que nunca havia feito, nem jamais faria, "nada para encurtar intencionalmente a vida útil de qualquer produto da Apple ou degradar a experiência do usuário para forçar atualizações dos clientes".
O iOS 11.3 adicionou as prometidas informações sobre a saúde da bateria e também passou a permitir que os controles de desempenho voltados para baterias degradadas pudessem ser desativados pelo usuário.
A partir do iPhone 11, a Apple introduziu um novo sistema de gerenciamento de desempenho destinado a "reduzir os impactos no desempenho decorrentes do envelhecimento da bateria". Diferente do sistema anterior, ele está sempre ativo em resposta às capacidades atuais da bateria, e não possui um modo manual de "desempenho máximo".support.apple.com
Recepção
O colunista do USA Today, Jefferson Graham, sentiu que a Apple deveria ter feito as substituições de bateria de forma gratuita, argumentando que isso "ajudaria muito a apagar a suspeita generalizada de que a Apple tenta propositalmente tornar seus produtos mais antigos obsoletos para persuadir os consumidores a comprar novos".
Até janeiro de 2018, 32 ações coletivas haviam sido abertas contra a Apple por causa dessa questão. Um advogado de Chicago que propôs uma ação coletiva de US$ 5 milhões considerou o desconto oferecido na bateria "um insulto a clientes fiéis que, consistentemente e com muito alarde, afluíram às lojas da Apple em todo o mundo para comprar todas as versões do iPhone."
Em janeiro de 2019, o CEO da Apple, Tim Cook, declarou que a empresa havia reduzido suas projeções de lucro devido a "menos atualizações do iPhone do que havíamos antecipado", além de uma receita menor do que a esperada em mercados fortes como a China.
Em 7 de fevereiro de 2020, autoridades de proteção ao consumidor na França multaram a Apple em € 25 milhões após uma investigação formal sobre as suas atitudes. Em 28 de fevereiro de 2020, a Apple concordou com um acordo de US$ 500 milhões em um tribunal da Califórnia, sob o qual planejou pagar pelo menos US$ 25 a todos os residentes dos EUA que compraram um iPhone 6, 6 Plus, 6S, 6S Plus, SE, 7 ou 7 Plus.
Uma investigação separada movida por 34 estados e pelo Distrito de Columbia também analisou o gerenciamento de baterias pela fabricante. A investigação foi concluída em novembro de 2020, com a Apple e os estados chegando a um acordo para o pagamento de uma multa de US$ 113 milhões relacionada à redução artificial de desempenho nos dispositivos, além de a Apple se comprometer a emitir documentos transparentes relatando como seus hardwares regulam o desempenho.
Em janeiro de 2024, uma ação coletiva ordenou que a Apple pagasse usuários canadenses de iPhone até CAD$ 14,4 milhões para qualquer pessoa que possuísse um iPhone 6, iPhone 6s, iPhone SE (1ª geração) ou iPhone 7 que fora atualizado para o iOS 10.2.1 antes de 21 de dezembro de 2017. A Apple foi acusada de desacelerar iPhones mais antigos usando atualizações de software visando incentivar os consumidores a comprar iPhones novos e mais caros. No entanto, a empresa negou qualquer irregularidade ou malícia e afirmou que as atualizações foram apenas para evitar desligamentos em razão das baterias envelhecidas.
Ver também Antennagate Obsolescência programada Durapolist Aprisionamento tecnológico Críticas à Apple Inc. Bendgate
Referências
Ligações externas
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