Matias Rodrigues Miguéis (Sumbe, 15 de agosto de 1917 — Dolisie, 20 de dezembro de 1965) foi um contabilista, escritor, político e ativista anticolonial angolano. Foi um dos mais importantes nomes iniciais do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA).
Na juventude, manifestava grande capacidade organizativa, conseguindo congregar grupos políticos, culturais e desportivos na temática nacionalista.
Entre as décadas de 1930 e 1940, Matias Miguéis trabalhava como contabilista na empresa pesqueira MAMPEZA, que possuía operações em Benguela e Luanda, em Angola, e na Ponta-Negra, no Congo-Brazavile. Trabalhando neste país, estabelece contatos com escritores de Luanda e do Brasil, mantendo certa proximidade com os nomes ligados à revista O Cruzeiro.
Juntamente com Viriato da Cruz, fundou, em 1953, o Partido da Luta Unida dos Africanos de Angola (PLUAA),Cronologia do Estado Novo - 1953: Fundação da PLUA. Museu da Presidência da República. 2017 o primeiro partido a reclamar abertamente a completa descolonização de Angola. Articula também a criação do Movimento para a Independência de Angola (MIA), o Movimento para a Independência Nacional de Angola (MINA) e o Comité Secreto da Independência. Torna-se um dos signatários do "Manifesto de 1956", um programa de reagrupamento das lutas nacionalistas, reunindo os grupos citados e outros, que deu origem ao MPLA. Uma de suas atribuições no MPLA era fazer a articulação entre o "partido interno", liderado por Manuel Pedro Pacavira, Joaquim Pinto de Andrade, Adriano Sebastião Kiwima, Kima Kienda, Deolinda Rodrigues e José Luandino Vieira, e o "partido externo" emepelalense, liderado por Lúcio Lara, Agostinho Neto, Mário Pinto de Andrade, Viriato da Cruz, Eduardo Macedo dos Santos e Hugo Azancot de Menezes, instruíndo militantes que operavam em Angola e transmitindo orientações e informações vindas de Conacri, Ponta-Negra, Quinxassa, Brazavile, Argel e Paris.
Em 1962 foi eleito secretário-geral do MPLA com Agostinho Neto na presidência. Porém, acabou por entrar em discordância com Neto e romper com a liderança do partido, aderindo à ala do MPLA liderada por Viriato da Cruz, que ainda mantinha os importantes nomes de José Domingos e José Miguel Francisco.
De regresso de uma conferência ocorrida em Jacarta (Indonésia) em 1965, foi capturado por um destacamento do MPLA nas matas de Dolisie (no Congo-Brazavile) juntamente com seu companheiro de tendência José Miguel. Passou por um julgamento sumário, em que foi acusado de alta traição por associação de sua tendência à Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA), seguido uma sessão de tortura que levou à sua morte.
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