Joseph Glasco (19 de janeiro de 1925, Pauls Valley, Oklahoma — 31 de maio de 1996, Galveston, Texas) foi um pintor, desenhista e escultor norte-americano, representante do expressionismo abstrato.Raeburn, Michael (2015). Joseph Glasco: The Fifteenth American. London: Cacklegoose Press. É mais conhecido pelos seus desenhos e pinturas figurativas iniciais e, nos últimos anos, pelas suas pinturas abstratas não-figurativas, desenvolvendo as tradições da abstração dos anos 1950.

Nos seus primeiros anos em Nova Iorque, Alfonso Ossorio, Jackson Pollock, Lee Krasner e outros foram seus amigos e influências. Entre as influências artísticas de Glasco destacaram-se Jean Dubuffet e Hans Hofmann. Mais tarde, Glasco tornou-se amigo de artistas mais jovens, como Julian Schnabel, George Condo e outros representantes da nova geração da arte americana.

Biografia

Primeiros anos Joseph Glasco nasceu a 19 de janeiro de 1925 em Pauls Valley, Oklahoma, e cresceu em Tyler, Texas. Os seus pais chamavam-se Lowell e Pauline Glasco. Tinha três irmãos — Gregory, Gordon e Michael — e duas irmãs: Anne Brawley e Marion Chambers (casada com o executivo petrolífero C. Fred Chambers).

Glasco foi enviado para um internato em St. Louis, onde desenvolveu o seu interesse pelas artes, tendo posteriormente frequentado a Universidade do Texas em Austin. Durante a Segunda Guerra Mundial, foi recrutado pelo Exército dos Estados Unidos e serviu no teatro de operações europeu. Glasco tornou-se um soldado condecorado, servindo como soldado de primeira classe no 3.º Exército de Patton, participando na Batalha das Ardenas, pela qual recebeu a Medalha de Bronze. Enquanto aguardava as ordens de regresso aos EUA após o Dia da Vitória na Europa, Glasco foi colocado na Escola de Arte de Portsmouth, em Bristol, Inglaterra, onde estudou pintura e visitou frequentemente os teatros de Londres.

Após regressar ao Texas, Glasco trabalhou em Dallas, criando ilustrações publicitárias para os grandes armazéns Dreyfuss & Son. Ao perceber que a publicidade não correspondia às suas aspirações artísticas, mudou-se para Los Angeles, onde estudou brevemente com Rico Lebrun no Instituto de Arte Jepson.

México: San Miguel de Allende Glasco ingressou depois na Escola de Pintura e Escultura em San Miguel de Allende, México — instituição fundada pelo intelectual e artista peruano Felipe Cossío del Pomar e pelo americano Stirling Dickinson, diretor dos estudos artísticos. Em San Miguel de Allende, Glasco conheceu os mestres mexicanos Jesús Guerrero Galván e Rufino Tamayo e a sua esposa.Raeburn, Michael (2015). Joseph Glasco: The Fifteenth American. London: Cacklegoose Press. Estes encontros tiveram uma profunda influência no artista, abrindo-lhe a riqueza da tradição artística latino-americana.

Nova Iorque: reconhecimento Em 1949, Glasco chegou a Nova Iorque e ingressou na Liga dos Estudantes de Arte de Nova Iorque, onde estudou com George Grosz.Raeburn, Michael (2015). Joseph Glasco: The Fifteenth American. London: Cacklegoose Press. Rapidamente foi reconhecido como um mestre do desenho e da pintura com uma visão artística única.

Pouco depois de chegar a Nova Iorque, Glasco conheceu Alfonso Ossorio — artista e mecenas abastado, que o introduziu no seu círculo de amigos artistas, incluindo Jackson Pollock, Lee Krasner, Willem de Kooning, Jean Dubuffet e Clyfford Still.Raeburn, Michael (2015). Joseph Glasco: The Fifteenth American. London: Cacklegoose Press.

Aos vinte e cinco anos, Glasco realizou a sua primeira exposição individual na prestigiada Galeria Perls de Nova Iorque. Após este sucesso, tornou-se o artista mais jovem representado na coleção de expressionistas abstratos do Museu de Arte Moderna de Nova Iorque.Rodman, Selden (1961). Conversations with Artists. New York: Capricorn Books. A sua obra «Big Sitting Cat» foi adquirida para a coleção permanente do MoMA em 1949. O Metropolitan Museum of Art adquiriu igualmente um dos desenhos de Glasco de 1949.

Em 1952, Glasco foi incluído na marcante exposição de Dorothy Miller «Quinze Americanos» no MoMA, onde também expuseram William Baziotes, Jackson Pollock, Mark Rothko e Clyfford Still.Raeburn, Michael (2015). Joseph Glasco: The Fifteenth American. London: Cacklegoose Press. No mesmo ano, as suas obras integraram a exposição anual do Museu Whitney.

Após o encerramento da Galeria Perls, Glasco transferiu-se para a Galeria Catherine Viviano, que também geria o espólio de Max Beckmann. Aí conheceu o famoso colecionador de Picasso Stanley J. Seeger, que se tornou um dos seus principais mecenas. Um outro importante colecionador das pinturas e esculturas de Glasco foi Joseph Hirshhorn. Os desenhos iniciais do artista foram também colecionados pela poetisa galardoada com o Prémio Pulitzer Elizabeth Bishop. Glasco permaneceu com a Galeria Viviano até ao seu encerramento em 1970.

Paris: Galeria Facchetti Nos anos 1950 e 1960, Glasco manteve estreitos laços com o mundo artístico europeu. Em Paris, as suas obras foram expostas na Galeria Paul Facchetti (Galerie Paul Facchetti) — um dos principais espaços parisienses que apresentava o expressionismo abstrato americano ao público francês. Foi através da Facchetti que o trabalho de Glasco se tornou conhecido dos colecionadores e críticos europeus, contribuindo para o seu reconhecimento internacional.

Viagens e maturidade artística A natureza inquieta de Glasco levou-o a viver e trabalhar durante longos períodos fora de Nova Iorque. Após frequentes visitas à famosa propriedade de Ossorio «The Creeks» em East Hampton, o artista passou bastante tempo em Taos, Novo México, com o seu companheiro, o escritor William Goyen.Raeburn, Michael (2015). Joseph Glasco: The Fifteenth American. London: Cacklegoose Press. Aí tornou-se um dos «Modernistas de Taos» e conheceu Frieda Lawrence — viúva de D. H. Lawrence — que exerceu uma profunda influência na sua vida e obra.

Glasco viajou extensamente pela Europa, Norte de África e Mediterrâneo. Em 1971 e 1972, visitou Portugal — país pelo qual nutria uma afeição especial — bem como Marrocos, Lanzarote e Londres.Raeburn, Michael (2015). Joseph Glasco: The Fifteenth American. London: Cacklegoose Press, pp. 221, 249. Numa entrevista, Glasco afirmou especificamente que gostava muito de Portugal entre todos os países que havia visitado.Raeburn, Michael (2015). Joseph Glasco: The Fifteenth American. London: Cacklegoose Press, p. 249.

Sob a influência de Ossorio, Glasco começou a explorar a colagem abstrata no início dos anos 1960, mas só a meados dos anos 1970 a sua pintura se tornou completamente abstrata. Passou a criar telas abstratas rítmicas e intensamente coloridas na técnica de mosaico «tela sobre tela»: primeiro cobrindo a superfície com uma camada gestual de tinta, depois colando fragmentos de tela recortados de telas especialmente pintadas. Glasco considerava que as suas últimas pinturas abstratas eram o próximo passo após o dripping de Jackson Pollock.Wilbur, Clint; Mayo, Marti (1995). Joseph Glasco: A Celebration. Galveston: Galveston Arts Center.

Renovando os seus laços com o mundo artístico nova-iorquino, Glasco realizou duas exposições individuais na galeria Gimpel & Weitzenhoffer na Madison Avenue — em 1979 e 1983.

Grécia: Twombly e Mykonos Por volta de 1961, através da sua relação mútua com o artista italiano Afro Basaldella, Glasco conheceu o artista americano Cy Twombly em Mykonos.Raeburn, Michael (2015). Joseph Glasco: The Fifteenth American. London: Cacklegoose Press. Segundo Glasco, ele e Twombly «viam-se todos os verões em Mykonos durante anos». Esta amizade ligava dois dos mais singulares artistas americanos da sua geração, unidos pela sua independência em relação às correntes dominantes da arte americana do pós-guerra. Quarenta anos depois, ambos os artistas foram incluídos na Bienal Whitney de 1991.

Galveston, Schnabel, Condo e a Galeria Waddington No início dos anos 1970, Glasco encontrou um grande estúdio do século XIX em Galveston, Texas, tornando-o a sua residência permanente. Aí conheceu Julian Schnabel — um jovem artista que se formara na Universidade de Houston e regressara temporariamente ao Texas. Apesar da diferença de idades, os dois artistas descobriram uma afinidade espiritual e criativa e tornaram-se amigos próximos. Glasco viajava frequentemente com Schnabel e a sua família; discutiam os trabalhos um do outro e aconselhavam-se mutuamente sobre a instalação das suas exposições.Raeburn, Michael (2015). Joseph Glasco: The Fifteenth American. London: Cacklegoose Press.

Em Nova Iorque, Glasco e George Condo partilharam estúdios na Bond Street e tornaram-se amigos próximos. Neste período, Glasco, Condo e Schnabel trabalharam conjuntamente em exposições na Galeria Waddington de Londres (Waddington Galleries) — uma das galerias de arte contemporânea mais influentes de Londres na época.Raeburn, Michael (2015). Joseph Glasco: The Fifteenth American. London: Cacklegoose Press.

Mais tarde, Schnabel realizou o filme «Basquiat» (1996) — uma biografia do artista Jean-Michel Basquiat. Numa das cenas mais marcantes do filme, ouve-se uma chamada para uma linha de apoio psicológico (Suicide Hotline), remetendo o espetador para o tema da vulnerabilidade do artista num mundo da arte implacável.

Anos tardios e reconhecimento internacional A reputação de Glasco continuou a crescer quando uma das suas grandes obras foi escolhida como emblema da exposição inaugural de arte texana Fresh Paint, organizada por Barbara Rose no Museu de Belas Artes de Houston, onde era então curadora-chefe.Rose, Barbara (1985). Fresh Paint. Austin: Texas Monthly Press. Em 1986, o Museu de Arte Contemporânea de Houston realizou uma retrospetiva da obra de Glasco, organizada pela curadora (e posterior diretora) Marti Mayo.Mayo, Marti (1986). Joseph Glasco 1948–1986. Houston: Contemporary Arts Museum Houston.

Glasco continuou a expor em todo o país e no estrangeiro, viajando para a Europa, Índia, Hong Kong, Japão, Malásia, Nepal, Singapura e Tailândia.Raeburn, Michael (2015). Joseph Glasco: The Fifteenth American. London: Cacklegoose Press. Quarenta anos após a sua participação na exposição anual do Whitney de 1952, as suas obras foram incluídas na Bienal Whitney de 1991 — juntamente com Jasper Johns, Ellsworth Kelly, Joan Mitchell, Robert Rauschenberg, Julian Schnabel e Cy Twombly.

Joseph Glasco faleceu de insuficiência cardíaca a 31 de maio de 1996 em Galveston, Texas. A sua última exposição — «Joseph Glasco: A Celebration» — realizou-se no Galveston Arts Center pouco antes da sua morte.Wilbur, Clint; Mayo, Marti (1995). Joseph Glasco: A Celebration. Galveston: Galveston Arts Center.

De julho a outubro de 2025, o Museu de Belas Artes de Houston apresentou a exposição «Celebrating Joseph Glasco», comemorando o centenário do nascimento do artista.

Legado e fundação O espólio de Glasco foi confiado à Fundação Caritativa Joseph Glasco (Joseph Glasco Charitable Foundation) com o objetivo de gerir o acervo artístico, promover o legado do mestre e atribuir bolsas universitárias a estudantes negros.

Coleções museológicas No momento da aquisição pelo MoMA, Glasco era o artista mais jovem na coleção do museu. As suas obras encontram-se nos principais museus americanos, incluindo: Museu de Arte Moderna (MoMA), Nova Iorque; Metropolitan Museum of Art, Nova Iorque; Museu Whitney de Arte Americana, Nova Iorque; Museu Solomon R. Guggenheim, Nova Iorque; Museu e Jardim de Escultura Hirshhorn, Washington; Galeria de Arte Albright-Knox, Bufalo; Museu de Arte da Universidade de Princeton; Museu de Arte de Baltimore; Museu do Brooklyn; Museus de Arte de Harvard; Coleção Menil; Museu de Belas Artes de Houston; Galeria de Arte da Universidade de Yale, New Haven.

Vida pessoal