Necrofilia é uma fascinação patológica com corpos mortos, que frequentemente toma a forma de um desejo para se envolver com eles em atividades sexuais. Embora proibida pelas leis de vários países, existiram vários casos relatados de abuso sexual de cadáveres pela história.
História
Incidentes de abuso necrofílico aconteceram durante a história. O autor grego Heródoto (c. 484-425 AC) afirmou nas suas Histórias que no Antigo Egito, corpos de mulheres excecionalmente bonitas não eram embalsamados imediatamente depois das suas mortes, mas apenas dias depois de falecerem, para prevenir a recorrência de um caso onde foi descoberto que um embalsamador teve sexo com o corpo de uma mulher recém falecida. Segundo o Talmude babilônico (3º-5º séculos AD), o Rei Herodes da Judeia (73/74 AC - 4 AC) desejava uma certa dama e, depois de ela se suicidar para evitar se casar com ele, preservou o seu corpo em mel por sete anos. Alguns dizem que ele a embalsamou para poder ter relações em ela; outras dizem que ele não teve relações com ela.Bava Batra 3b. O historiador romano-judeu Flávio Josefo (37 - c. 100 AD), cujas obras são a principal fonte da vida e caráter de Herodes, não fala sobre qualquer necrofilia da sua parte. Restos de cerâmica da civilização moche representam figuras esqueléticas mortas a terem relações sexuais com humanos vivos. Roger Dymock acusou os Lollard de cometerem necrofilia. Gilles de Rais é conhecido por ter violado sexualmente os cadáveres das suas vítimas. Segundo criminologista Herschel Prins, diz-se que até ao século XIX, se um rapariga prometida na Europa Central morresse antes do seu dia de casamento, o esposo podia continuar a cerimónia ao copular com o corpo.
Em conflitos militares
Na Guerra Russo-Turca no século XIX, forças militares abusavam de cadáveres. Durante a Guerra Marroquina de 1919-1926, necrofilia era cometida pelas tropas marroquinas. Um homem chinês foi morto pelas japoneses durante o Massacre de Nanquim, depois de se recusar a ter sexo com mulheres mortas. Durante o Genocídio em Ruanda, sexo com cadáveres foi relatado. Arthur Shawcross, um serial killer de Rochester, Nova Iorque, também praticava necrofilia. Shawcross foi condenado por 11 homicídios em novembro de 1990. Ele alegava ter morto, estuprado, decapitado, e comido duas mulheres vietcong durante uma incursão no Vietname com a 4ª Companhia de Fornecimento e Transporte da 4ª Divisão de Infantaria em 1968, durante a Guerra do Vietname. Ele relatou também ter cometido atos sexuais necrofílicos e mutilações das suas vítimas de Rochester entre 1988 e 1989. Todas menos uma eram prostitutas da área. Shawcross recebeu duas sentenças separadas de prisão perpétua no Condado de Monroe, Nova Iorque e no Condado de Wayne, Nova Iorque respetivamente.
Lista de necrófilos miniaturadaimagem|Xilogravura de François Bertrand, necrófilo condenado
Senhor John Pryce – baronete galês do século XVIII que teve duas esposas falecidas embalsamadas, e manteve-as ao seu lado na cama. Mediante a morte da sua terceira mulher, Pryce convidou a curandeira Bridget Bostock para a ressuscitar mas não teve sucesso. Sargento François Reece Bertrand (1823-1878) – apelidado de "Vampiro de Montparnasse", foi um sargento no Exército francês. Condenado por necrofilia, foi sentenciado a 1 ano de prisão. Victor Ardisson (1872-1944) – apelidado de "Vampiro de Muy", Ardisson era um ladrão de campas e necrófilo francês, que teve sexo com mais de 100 cadáveres. Henri James Blot – satisfez as suas impropriedades necrofílicas em vários corpos desenterrados, incluindo uma bailarina de ballet que desenterrou em Saint-Ouen em 1886, ele foi depois preso. Durante o seu julgamento, ele disse que "Cada homem tem o seu gosto. O meu é por cadáveres". Carl Tanzler (1877–1952) – nascido na Alemanha, um técnico de radiologia no serviço do Marine Hospital em Key West, Flórida. Ele desenvolveu uma obsessão por uma jovem paciente cubana-americana com tuberculose, Elena "Helen" Milagro de Hoyos (31 de julho de 1909 – 25 de outubro de 1931), que continuou bem depois da doença causar a sua morte. Em 1933, quase dois anos depois da sua morte, Tanzler removeu o corpo de Hoyos do seu túmulo, e viveu com o cadáver na sua casa por sete anos até a sua descoberto por familiares de Hoyos e a polícia em 1940. Earle Nelson (1897–1928) – serial killer estadunidense. A maioria das suas vítimas eram senhorias, ele aproximava-se com a premissa de querer arrendar um quarto. Nelson frequentemente estudava a sua Bíblia desgastada. Uma vez que ganhava a sua confiança, ele matava-as, normalmente estrangulando-as, e cometendo necrofilia. John Christie (1899-1954) – matou mulheres e abusou sexualmente dos seus cadáveres. Yoshio Kodaira (1905-1949) – serial killer japonês. Fora os seus crimes na Chia, os detalhes dos quais continuam desconhecidos, ele é conhecido por ter estuprado e assassinado cerca de 10 mulheres de 25 de maio de 1945 a 6 de agosto de 1946, em Tochigi e Tóquio. Ele frequentemente cometia necrofilia com os cadáveres. Foi considerado culpado a 5 de outubro de 1949, Kodaira foi sentenciado à morte. Ed Gein (1906-1984) – assassino americano. Além de mutilar os corpos das suas vítimas, ele também colecionava vários corpos de mulheres dos cemitérios locais, tendo contacto sexual com alguns. Genzo Kurita (1926-1959) – serial killer japonês. A 8 de agosto de 1951, estuprou e assassinou uma mulher de 24 anos, e fez sexo com o cadáver. Kurita foi executado pelo estado a 14 de outubro de 1959. Jimmy Savile (1926-2011) – funcionários do Broadmoor alegaram que Savile disse-lhes que tinha cometido necrofilia com os cadáveres da sua mortuária em Leeds; Savile era amigo do chefe mortuário, que lhe deu acesso quase sem restrições. Karen Greenlee (n. 1956) – diretora funerária que foi condenado por roubar um carro fúnebre e ter sexo com o cadáver no interior. Melvin Rees (1933-1995) – serial killer estadunidense, sentenciado em 1960 a 53 anos. Henry Lee Lucas (1936–2001) – serial killer estadunidense. Teve relações sexuais com os cadáveres de várias vítimas, sendo uma delas a sua namorada, Becky Powell. Quando questionado sobre o porquê de matar as mulheres antes de ter sexo com elas, ele respondeu: "Gosto da paz e calma". Jerry Brudos (1939-2006) – também conhecido como "O Assassino da Luxúria" e "O Assassino do Fetiche de Sapatos", Brudos foi um serial killer e necrófilo, preso em 1969, mais tarde sentenciado a prisão perpétua. Patrick Kearney (n. 1939) – serial killer e necrófilo estadunidense. Ele evitava torturar uma pessoa viva. Vera Renczi (1903-1960) – serial killer romena que foi acusada de envenenar 35 indivíduos incluindo os seus dois maridos, múltiplos amantes, e o seu filho com arsénico durante a década de 20. Renczi mantinha os cadáveres em caixões revestidos de zinco, declarando que por vezes se gostava de sentar na poltrona, rodeado pelos caixões de todos os seus antigos amantes.Newton, Michael. The Encyclopedia of Serial Killers. page 198. Checkmark Books. 2000. Dennis Nilsen (1945-2018) – serial killer e necrófilo britânico. Admitiu ter realizado atos sexuais com os cadáveres das suas vítimas. Condenado em 1983. Ted Bundy (1946-1989) – serial killer, sequestrador, e necrófilo. Bundy confessou 30 homicídios. No entanto, estimativas vão até aos 100 ou mais. Foi executado em 1989. Gary Ridgway (n. 1949) – serial killer e necrófilo estadunidense. Ridgway é um dos serial killers mais prolíficos dos EUA baseado no número de assassinatos confirmados — 49 mulheres — a maiorias das quais eram alegadas trabalhadoras sexuais e jovens fugitivas. Depois de estuprar e estrangular as suas vítimas, ele largava os corpos em áreas florestais ou com ervas altas no Condado de King, Washington, e mais tarde voltava para ter relações sexuais com os cadáveres. Edmund Kemper (n. 1948) – serial killer e necrófilo estadunidense que matou dez pessoas, e teve sexo com a maioria dos cadáveres, incluindo o da sua mãe. Richard Chase (1950-1980) – serial killer estadunidense. Cometeu necrofilia com o cadáver de uma da suas vítimas, Evelyn Miroth Piroska Jancsó-Ladányi (1934-1954) – serial killer húngara que matou cinco raparigas adolescentes em Törökszentmiklós entre 1953-1954 para satisfazer os seus desejos sexuais. Ondrej Rigo (1955-2022) – serial killer eslovaco. Matou oito mulheres e uma criança entre 1990 e 1992, e teve sexo com os cadáveres da maioria das mulheres. Thor Christiansen (1957-1981) – serial killer e necrófilo da Califórnia. Kazuhisa Yoneda (n. 1959) – serial killer japonês. Matou e cometeu necrofilia com duas raparigas nuas, Michiyo Okabe (岡部三千代) estudante de 18 anos e Kyoko Kuroda (黒田恭子) estudante de 20 anos. Jeffrey Dahmer (1960-1994) – agressor sexual e serial killer estadunidense. Muitas das acusações contra ele incluíam necrofilia. Foi sentenciado a 16 prisões perpétuas, totalizando 937 anos. Marcelo Costa de Andrade (n. 1967) – serial killer brasileiro, que estuprou e matou 14 rapazes.Out – Volume 6, Issues 1–6 – Page 200, year 1997 Christopher Mhlengwa Zikode (n. 1975) – serial killer da África do Sul. Em 1997, foi sentenciado a 140 anos. Serhiy Tkach (1952-2018) – homicida em massa na Ucrânia que foi condenado por estuprar e sufocar 37 raparigas entre as idades de 8 a 18. Ele cometeu atos sexuais com os cadáveres. Louise Vermilya (1868-1915) – uma serial killer em Illinois que envenenou dois maridos, cinco filhos ou enteados, e quatro hóspedes ou visitantes. Ela trabalhou, por vezes sem ser paga, numa funerária e gostava de lavar os cadáveres antes dos seus funerais. Reginald Oates (n. 1950) – assassino em série estadunidense que estuprou, espancou mortalmente, cometeu necrofilia, decapitou, e cortou fora as mãos e genitais de um menino de 10 anos num parque de Baltimore. No dia seguinte no mesmo parque, ele fez o mesmo a irmãos de 8 e 5 anos, e outro menino de 10 anos. E no dia seguinte, depois de atacar sem sucesso duas jovens nesse parque, ele foi preso e encontrado com partes dos meninos. Bakhtiyor Matyakubov (n. 1973) – migrante do Usbequistão que esfaqueou mortalmente pelo menos dez mulheres pela Rússia, Usbequistão e Ucrânia durante uma onda de assassinatos de quatro meses em 2015. É confirmado que abusou sexualmente de alguns cadáveres. Andrei Roldugin (n. 1977) – estuprador e sequestrador em série que matou três estudantes em Voronej, Rússia de março a agosto de 2002, abusando sexualmente dos cadáveres. Ivars Grantiņš (n. 1972) – cortou a garganta da sua filha e teve sexo anal com o seu cadáver em agosto de 2008. Anteriormente matou a sua companheira e outra mulher. Benedito Moreira de Carvalho (1910-1976) – agressor sexual com doenças mentais que raptou e estuprou vítimas que estrangulava até ficarem inconscientes, mas com algumas continuou a atividade sexual até depois de morrerem. David Fuller (n. 1954) – gravou-se a abusar dos cadáveres de mais de 100 mulheres e raparigas, algumas tão novas quanto 9 anos, enquanto trabalhava em dois hospitais diferentes em Kent. Este abuso era desconhecido até a sua prisão em 2020 pelos homicídios de Wendy Knell e Caroline Pierce. Ao fazer uma busca pela sua casa, dispositivos de armazenamento contendo mais de 14 milhões de vídeos e fotos do abuso foram encontrados. Ele foi sentenciado a prisão perpétua sem a possibilidade de condicional em 2021. Pedro Costa de Oliveira (1896-depois de 1957) – sadista sexual que matou três mulheres no Rio Grande do Sul de 1922 a 1952, tendo estuprado os cadáveres da segunda e terceira vítima. Andrei Barausov (n. 1961) – estuprador que assassinou sete raparigas menores em Sakha de 1983 a 1997, tendo sexo com os cadáveres das duas últimas vítimas depois de as matar.