Fajã do Mar é um sítio costeiro localizado na freguesia do Arco da Calheta, concelho da Calheta, na ilha da Madeira, em Portugal. O topónimo designa uma plataforma litoral formada por depósitos resultantes do desabamento de arribas, situação típica de uma fajã, tendo a designação «do Mar» sido acrescentada como elemento distintivo local.

Historicamente, o local funcionou como pequeno porto de cabotagem associado à economia marítima da costa sudoeste da Madeira, permitindo a ligação da população local ao Funchal e o transporte de produtos agrícolas e passageiros por via marítima. O sítio inclui elementos patrimoniais relevantes, entre os quais a Capela de Nossa Senhora da Vida, fundada em 1663 e classificada como bem de valor local em 1997.

Em 2026 registaram-se sucessivas derrocadas na arriba sobranceira à zona da capela, culminando no colapso da fachada principal do edifício religioso em 5 de março desse ano, episódio associado à instabilidade geológica da área costeira.

Localização e contexto geográfico O sítio da Fajã do Mar situa-se na vertente litoral da freguesia do Arco da Calheta, na costa sudoeste da ilha da Madeira. O núcleo principal do local desenvolve-se numa plataforma costeira associada a depósitos de vertente resultantes de desabamentos de taludes e arribas, caracterizando-se como uma típica fajã de origem detrítica.

O conjunto inclui a praia e o porto da Fajã do Mar, bem como a arriba sobranceira onde se localiza a capela. Esta arriba possui altura superior a 20 metros e encontra-se exposta à ação da erosão costeira, estando sujeita a processos de instabilidade associados ao recuo da linha de costa e a movimentos de massa.

As coordenadas geográficas aproximadas do porto local situam-se em 32°42′13.6″N, 17°08′36.8″W, enquanto a capela se localiza alguns centos de metros mais a oeste, aproximadamente em 32°42′22.6″N, 17°08′48.5″W.

História Etimologia O termo «fajã» é utilizado na Madeira para designar zonas planas resultantes de desabamentos de encostas ou arribas, formando plataformas costeiras ao nível do mar. No caso da Fajã do Mar, o topónimo resulta da formação da plataforma por antigas quebradas ou deslizamentos de taludes, tendo o elemento «mar» sido acrescentado para distinguir o local de outras fajãs da região.

Existe outro topónimo idêntico na ilha da Madeira, designadamente no concelho de Santana, facto que torna necessária a distinção entre ambos os locais nas fontes administrativas e cartográficas.

Porto e cabotagem Historicamente, a frente marítima da Fajã do Mar funcionou como pequeno porto de cabotagem, designado também por Porto de Nossa Senhora da Vida, devido à proximidade da capela homónima. O porto consistia num desembarcadouro construído sobre plataformas rochosas naturais, com acrescentos posteriores em betão, alguns dos quais ainda visíveis.

Este pequeno porto permitia a ligação marítima da população local ao Funchal, sendo utilizado para transporte de passageiros e de produtos agrícolas. Em 1938, foi aqui que embarcou João Gomes de Sousa, o "Feiticeiro da Calheta", acompanhado do rancho folclórico do Arco da Calheta, com destino ao Funchal para participar no concurso de ranchos da primeira Festa das Vindimas, tendo sido recolhido no porto da Fajã do Mar pelo barco «Gavião». Nesse contexto, foram também transportados produtos agrícolas e vinho produzidos na região.

O topónimo «Fajã do Mar» surge igualmente em documentação oficial relativa à rede viária regional, incluindo referências ao túnel da ER101 entre a Madalena do Mar e a Fajã do Mar, bem como a variantes rodoviárias entre o Arco da Calheta e a Calheta.

Geomorfologia Do ponto de vista geomorfológico, a Fajã do Mar corresponde a uma unidade litoral associada a depósitos de vertente e movimentos de massa. A arriba sobranceira encontra-se sujeita à ação da erosão marinha na sua base, processo que contribui para o recuo progressivo da linha de costa e para episódios de instabilidade geológica.

No início de 2026 foram registadas várias derrocadas na zona da capela num curto intervalo de tempo, o que levou ao agravamento do risco geológico na área.

A 5 de março de 2026 ocorreu o colapso da fachada principal da Capela de Nossa Senhora da Vida, após nova derrocada na arriba. Na sequência deste episódio, o património móvel do interior do edifício foi retirado e encaminhado para o Convento de Santa Clara, no Funchal, tendo sido posteriormente estudada a possibilidade de reconstrução da capela noutro ponto do sítio.

Infraestruturas e acessos O principal acesso rodoviário ao local é o Caminho da Fajã do Mar, que liga à ER101 e termina junto ao núcleo costeiro, configurando uma via sem saída.

A zona é igualmente atravessada por itinerários pedestres históricos, incluindo percursos associados ao Caminho Real 23, que passam pela Vereda da Capela e pelo Caminho da Fajã do Mar.

A praia da Fajã do Mar caracteriza-se por um ambiente relativamente isolado, com acessibilidade condicionada e ausência de infraestruturas balneares formais ou serviços de apoio.

Planeamento territorial No âmbito da revisão do Plano Diretor Municipal da Calheta, a área foi integrada na unidade operacional de planeamento e gestão U7 — Fajã do Mar. Este instrumento prevê a elaboração de um plano de intervenção no espaço rural, com objetivos de requalificação do núcleo costeiro. Entre os objetivos programáticos definidos incluem-se a melhoria de acessos pedonais e viários, a reorganização de estacionamentos, a requalificação de espaços de lazer associados à frente marítima, a criação de uma ciclovia e a preservação das zonas agrícolas e dos recursos naturais existentes.

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