thumb|247x247px|Visão geral do local do Telesterion em Elêusis thumb|200x200px|Outra vista do Telesterion (Salão de Iniciação), Centro para os Mistérios de Elêusis, Elêusis O Telesterion ("Salão de Iniciação", do grego τελείω, "completar, cumprir, consagrar, iniciar") era um grande salão e santuário em Elêusis, um dos principais centros dos Mistérios de Elêusis. O salão tinha um teto quadrado de cinquenta e cinco jardas que podia acomodar três mil pessoas, mas ninguém revelou o que aconteceu durante esses eventos, além de que "algo foi feito, algo foi dito e algo foi mostrado". Este edifício foi construído no século VII a.C.Translated by Nagy, Gregory. "Homeric Hymn to Demeter". e foi um local importante até ser destruído no século IV d.C. Dedicadas a Deméter e Perséfone, essas cerimônias de iniciação eram as mais sagradas e antigas de todos os ritos religiosos celebrados na Grécia.
História Há controvérsias sobre a data em que o local do Telesterion teria sido construído originalmente. Existem indícios de que o templo foi erguido no século VII a.C., mas os historiadores sabem que ele já existia pelo menos na época do Hino Homérico a Deméter (650–550 a.C.). A construção do Telesterion ocorreu em dez fases diferentes.Wilson, Nigel Guy, ed. (2006). Encyclopedia of Ancient Greece. pp. 255–257.
Foi destruído pelos persas após a Batalha das Termópilas, quando os atenienses se retiraram para Salamina em 480 a.C. e toda a Beócia e a Ática caíram nas mãos do exército persa, que capturou e incendiou Atenas. Após a derrota dos persas, o Telesterion deveria ser reconstruído por Címon, mas acabou sendo reconstruído algum tempo depois devido à influência de Péricles.
Em algum momento do século V a.C., Ictinos, o grande arquiteto do Partenon, construiu o Telesterion com capacidade para milhares de pessoas. Outros arquitetos que trabalharam no Telesterion foram Coroebus e Metagenes de Atenas. Por volta de 318 a.C., Filão acrescentou um pórtico com doze colunas dóricas.
O Telesterion continuou a ser usado durante todo o período romano. Em 170 d.C., durante o governo do imperador romano Marco Aurélio, uma antiga tribo chamada Costoboci lançou uma invasão do território romano ao sul do Danúbio, entrando na Trácia e devastando as províncias da Macedônia e Acaia (Grécia). Os Costoboci chegaram até Elêusis, ao sul, onde destruíram o Telesterion. O imperador respondeu enviando o general Vehilío Grato Juliano à Grécia com reforços de emergência, que finalmente derrotaram os Costoboci. Marco Aurélio então mandou reconstruir o Telesterion, tornando-o maior do que era antes. Poucos séculos depois, em 396 d.C., as forças de Alarico, o Visigodo, invadiram o Império Romano do Oriente e devastaram a Ática, destruindo o Telesterion, que nunca mais foi reconstruído.
Uso religioso alt=Map of the Eleusis site|thumb|Plano de Elêusis|231x231px Os atenienses utilizavam diversos calendários, cada um com propósitos diferentes. O festival de Elêusis era celebrado anualmente em Elêusis e Atenas durante nove dias, do dia 15 ao dia 23 do mês de Boedromion (em setembro ou outubro do calendário gregoriano); como o calendário do festival possuía 12 meses lunares, as celebrações não eram estritamente calibradas para um ano de 365 dias. Durante o festival, Atenas estava repleta de visitantes. No clímax das cerimônias em Elêusis, os iniciados entravam no Telesterion, onde lhes eram mostradas as relíquias sagradas de Deméter e as sacerdotisas revelavam suas visões da noite sagrada (provavelmente um fogo que representava a possibilidade de vida após a morte). Essa era a parte mais secreta dos Mistérios, e aqueles que haviam sido iniciados eram proibidos de jamais falar sobre os eventos que ocorriam no Telesterion.
alt=Placa mostrando pessoas de Elêusis|thumb|Placa Votiva de terracota de Elêusis, 450 a.C. (NAMA)|258x258px
A origem do ritual da Eleusínia está no mito de Perséfone, que foi raptada por Hades para o submundo, enquanto sua mãe, Deméter, a procurava freneticamente no mundo dos mortais. Após descobrir que Zeus permitiu o sequestro, ela se transforma em uma velha e vaga pelo mundo até chegar a Elêusis, onde é acolhida pelas filhas do rei. Ela está inconsolável, mas recebe Demophoon, o filho mais novo da Rainha Metanira, para amamentar. Ele cresce mais do que qualquer outra criança, mas sua mãe fica com medo quando ele é colocado sobre uma chama antes que possa se tornar completamente imortal. Deméter fica furiosa e diz a ela que, como ela roubou a imortalidade de seu filho e a enfureceu, o povo de Elêusis deve construir um templo em sua homenagem, onde farão coisas para recuperar seu favor. Mesmo depois de Deméter ter recuperado sua filha do Hades por parte do ano, os Mistérios de Elêusis continuaram.
Conta-se, segundo o mito, que Héracles participou dos Mistérios de Elêusis como parte do décimo segundo trabalho de Hércules, no qual capturou Cérbero e teve visões de Perséfone e Deméter.
O uso de alguns templos cessou durante a perseguição aos pagãos no Império Romano tardio, quando todos os santuários não cristãos foram fechados por ordem de leis instituídas pelos imperadores cristãos. No entanto, foi somente com o decreto antipagão de Teodósio, por volta de 390 d.C., que se pôs fim a todo o uso religioso do templo.
Arquitetura do Telesterion Desenvolvimento arquitetônico thumb|Vista de Elêusis Em meados do século V a.C., o Telesterion de Elêusis permanecia em ruínas após sua destruição pelos invasores persas uma geração antes.Shear, T. Leslie Jr. "Chapter 6: The Telesterion at Eleusis." Trophies of Victory: Public Building in Periklean Athens, Princeton University Press, 2016, pp. 255–287. JSTOR. Os visitantes da época teriam observado tanto danos residuais quanto reparos parciais. Embora a parede de tijolos de barro tivesse sido rompida por aríetes persas, ela já havia sido remendada. Uma nova seção também foi adicionada ao nordeste, destinada a funções relacionadas ao santuário.
Entre 478 e 450 a.C., o terraço central permaneceu praticamente inalterado. Na época do ataque persa, o santuário estava passando por reconstrução; o Telesterion arcaico já havia sido desmontado e uma nova versão estava apenas nos estágios iniciais de construção. Como resultado, o Telesterion ficou inacabado e deteriorou-se durante várias décadas.
Diferentemente dos templos gregos típicos, o Telesterion, embora servisse como espaço sagrado central dos Mistérios de Elêusis, era arquitetonicamente mais semelhante a uma sala de espetáculos do que a estruturas como o Partenon. O termo “Telesterion”, comumente usado hoje em dia, deriva de Plutarco, embora raramente fosse usado na Antiguidade. Em inscrições oficiais do século V, a estrutura era referida como “Eleusinion”.
Dentre os cultos religiosos afetados pelo saque persa da Ática, o culto a Deméter em Elêusis foi provavelmente o mais perturbado, dada a sua forte dependência de rituais realizados dentro do santuário. Os Mistérios dependiam de cerimônias internas, incluindo os ritos secretos de iniciação durante os quais o hierofante revelava objetos sagrados do culto. Esses objetos eram guardados em uma câmara interna especial conhecida como Anaktoron, o espaço mais sagrado do templo. Devido à localização central do sítio, é provável que uma estrutura temporária tenha sido erguida sobre as ruínas do Telesterion original. Essa estrutura teria sido leve, não deixando vestígios físicos remanescentes. Evidências arqueológicas sugerem que essa construção improvisada estava localizada na metade nordeste do local. Quando a construção em larga escala foi retomada sob o reinado de Péricles, ela começou no lado sudoeste, atrás do Anaktoron, uma área anteriormente intocada.
thumb|Vista da Acrópole de Atenas
Antes de meados do século V a.C., o santuário de Elêusis encontrava-se em péssimo estado. É possível que sequer possuísse um local seguro para proteger seu tesouro sagrado. Em vez disso, os fundos dedicados a Deméter e Perséfone eram armazenados na Acrópole de Atenas, junto ao tesouro de Atena, indicando que Elêusis não possuía um local seguro para guardá-los.
Essa situação começou a mudar quando Atenas, como parte de suas ambições pan-helênicas mais amplas, promoveu os Mistérios de Elêusis como uma instituição religiosa unificadora. Provavelmente surgiram planos para reconstruir e expandir o Telesterion. O primeiro passo concreto veio com um decreto proposto por um homem chamado Thespieus, que reorganizou a administração do santuário. O decreto estabeleceu um conselho de cinco supervisores, conhecidos como epistatai, um dos quais serviria como secretário. Esses funcionários eram encarregados de administrar todos os assuntos financeiros e patrimoniais relacionados a Deméter e Perséfone, não apenas em Elêusis, mas também nos santuários localizados em Atenas e no porto de Falero.
Os epistatai tinham o poder de cobrar dívidas pendentes, recuperar bens perdidos e administrar a renda das deusas, em consulta com os sacerdotes e o conselho ateniense (boulē). Após a formação do novo conselho, foi realizada uma auditoria estatal para examinar os registros financeiros dos santuários de Elêusis, Atenas, e Falero. Nenhum arquiteto foi consultado em relação ao santuário de Elêusis durante esta auditoria, o que sugere que nenhum projeto de construção importante havia sido iniciado em Elêusis até então. Contudo, a dimensão da reorganização administrativa sugere que uma construção em grande escala, nomeadamente, a reconstrução do Telesterion, era iminente.
A emenda de Thespius provavelmente complementou um decreto anterior, agora perdido, que havia autorizado a reconstrução do Telesterion. Ele concedeu aos epistatai autoridade significativa e acesso a recursos financeiros para realizar o projeto. Os epistatai tornaram-se os administradores de longo prazo do santuário, desempenhando essa função por mais de um século. Embora inicialmente fossem nomeados anualmente, seus mandatos e número variavam ao longo do tempo, o que era típico dos cargos cívicos atenienses. Apesar dessas mudanças, eles mantiveram suas responsabilidades originais, que incluíam supervisão financeira, supervisão da construção e manutenção de registros detalhados.
As inscrições que sobreviveram de seus arquivos incluem inventários de objetos sagrados, oferendas de grãos e contratos relacionados a atividades de construção. Os epistatai eram responsáveis por contratar arquitetos, pagar os trabalhadores e publicar os registros das despesas de construção. Esses projetos incluíam novas muralhas, portões, e entradas, especialmente aqueles associados ao Telesterion. Em última análise, os epistatai serviram como os principais funcionários responsáveis pela reconstrução bem-sucedida do Telesterion no período clássico.
Influência da acústica na experiência ritualística O Telesterion era um salão quadrado, com colunas e espaçoso, com assentos dispostos em oito fileiras, semelhante a um anfiteatro, e podia acomodar até 5.000 pessoas. Possuía seis corredores que levavam a seis entradas separadas. O edifício lembrava um teatro, embora sem palco, e tinha o Anaktoron, a câmara mais sagrada, em seu centro. Adjacente a ele ficava o trono de mármore do Hierofante, o sumo sacerdote dos Mistérios.Dreni, Stella, and Panagiota Avgerinou. "The Acoustics of the Eleusinian Telesterion." In Archaeoacoustics: The Archaeology of Sound, 2014, pp. 143–152. Full text.