Esta é uma lista de controvérsias envolvendo o Federal Bureau of Investigation (FBI). Ao longo de sua história, o FBI tem sido objeto de vários casos controversos, tanto no país quanto no exterior.

Arquivos sobre cidadãos dos Estados Unidos

O FBI manteve arquivos sobre inúmeras pessoas, incluindo celebridades como Elvis Presley, Frank Sinatra, John Denver, John Lennon, Jane Fonda, Groucho Marx, Charlie Chaplin, a banda MC5, Lou Costello, Sonny Bono, Bob Dylan, Michael Jackson e Mickey Mantle. A razão para a existência dos arquivos variava. Alguns dos alvos foram investigados por supostos laços com o Partido Comunista (Charlie Chaplin e Groucho Marx), ou em conexão com atividades antiguerra durante a Guerra do Vietnã (John Denver, John Lennon e Jane Fonda). Numerosos arquivos de celebridades dizem respeito a ameaças ou tentativas de extorsão contra elas (Sonny Bono, John Denver, John Lennon, Elvis Presley, Michael Jackson, Mickey Mantle, Groucho Marx e Frank Sinatra). Vigilância doméstica Um relatório de 1985 do Congresso dos EUA sobre escutas telefônicas e liberdades civis descobriu que o FBI havia "instalado mais de 7.000 sistemas de vigilância de segurança nacional", incluindo muitos sobre cidadãos americanos, de 1940 a 1960.

Distribuição de pornografia infantil e Operação Pacifier O FBI foi chamado de "o maior distribuidor de pornografia infantil", chegando a operar mais da metade dos sites de pornografia infantil na rede escura. Mais proeminentemente, após a prisão do administrador do Playpen, um site de pornografia infantil, o FBI moveu o servidor do Playpen para um depósito do FBI na Virgínia, onde deu início à Operação Pacifier. O objetivo declarado da Operação Pacifier era administrar o site de pornografia infantil para realizar operações contra aqueles que visitavam o site. Durante duas semanas, 48.000 fotos, 200 vídeos e 13.000 links de pornografia infantil foram distribuídos pelo FBI, disponíveis para download, visualização e reprodução. Durante esse período, o site recebeu 100.000 visualizações. Como resultado da operação do FBI, o site funcionou mais rapidamente e ficou mais acessível, aumentando o tráfego do site para 50.000 visitantes por semana, ante 11.000 antes da tomada de controle pelo governo.

Em relação à Operação Pacifier, um crítico observou: "O governo criminalizou uma atividade e agiu para promover a prática desse mesmo crime" e outros críticos pediram que os agentes do FBI responsáveis ​​enfrentassem pena de prisão. O FBI se recusou a comentar ou justificar a Operação Pacifier. O Playpen não foi o único site de pornografia infantil que o FBI operou. Em 2016, o FBI administrou 24 dos estimados 29 sites de pornografia infantil ocultos na rede Tor. Vários agentes do FBI também foram acusados ​​criminalmente por posse pessoal e produção de pornografia infantil.

Operações encobertas contra grupos políticos

Alegou-se que as táticas do COINTELPRO incluíam desacreditar alvos por meio de guerra psicológica, difamar indivíduos e/ou grupos usando documentos forjados e plantando relatos falsos na mídia, assédio, prisão injusta e violência ilegal, incluindo assassinato. A motivação declarada do FBI era "proteger a segurança nacional, prevenir a violência e manter a ordem social e política existente".

Os registros do FBI mostram que 85% dos recursos do COINTELPRO tiveram como alvo grupos e indivíduos que o FBI considerava "subversivos", incluindo organizações comunistas e socialistas; organizações e indivíduos associados ao movimento dos direitos civis, incluindo Martin Luther King Jr. e outros associados à Conferência da Liderança Cristã do Sul, à Associação Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor e ao e outras organizações de direitos civis; grupos nacionalistas negros (por exemplo, Nação do Islã e o Partido dos Panteras Negras); o Movimento Indígena Americano; uma ampla gama de organizações rotuladas como "Nova Esquerda", incluindo a e os Weathermen; quase todos os grupos que protestavam contra a Guerra do Vietnã, bem como manifestantes estudantes individuais sem afiliação a grupo; a National Lawyers Guild; organizações e indivíduos associados ao movimento pelos direitos das mulheres; grupos nacionalistas como aqueles que buscavam independência para Porto Rico, Irlanda Unida, e movimentos de exilados cubanos, incluindo o Poder Cubano de e o Movimento Nacionalista Cubano. Os 15% restantes dos recursos do COINTELPRO foram gastos para marginalizar e subverter grupos de ódio brancos, incluindo a Ku Klux Klan e o Partido dos Direitos dos Estados Nacionais.

Arquivos sobre defensores da independência porto-riquenha

O FBI também espionou e coletou informações sobre o líder da independência porto-riquenho Pedro Albizu Campos e seu partido político Nacionalista na década de 1930. Albizu Campos foi condenado três vezes em conexão com ataques mortais a funcionários do governo dos EUA: em 1937 (conspiração para derrubar o governo dos Estados Unidos), em 1950 (tentativa de homicídio) e em 1954 (após um ataque armado à Câmara dos Representantes dos EUA durante uma sessão; embora não estivesse presente, Albizu Campos foi considerado o mentor intelectual). A operação do FBI era encoberta e só se tornou pública quando o congressista dos EUA Luis Gutiérrez a divulgou por meio da Lei de Acesso à Informação na década de 1980. Atividades na América Latina

Das décadas de 1950 a 1980, os governos de muitos países da América Latina e do Caribe, incluindo Argentina, Brasil, Chile, Cuba, México e outros, foram infiltrados pelo FBI. Essas operações começaram na Segunda Guerra Mundial, quando 700 agentes foram designados para monitorar a atividade nazista, mas logo se expandiram para monitorar a atividade comunista em lugares como o Equador.

Viola Liuzzo

Em um incidente particularmente controverso em 1965, a ativista branca pelos direitos civis Viola Liuzzo foi assassinada por membros da Ku Klux Klan, que a perseguiram e dispararam contra seu carro depois de notar que seu passageiro era um jovem negro; um dos membros da Klan era Gary Thomas Rowe, um informante assumido do FBI. O FBI espalhou rumores de que Liuzzo era membro do Partido Comunista e viciada em heroína e que havia abandonado os filhos para ter relacionamentos sexuais com afro-americanos envolvidos no movimento dos direitos civis. Registros do FBI mostram que J. Edgar Hoover comunicou pessoalmente essas insinuações ao presidente Johnson.

Cerco de Waco

O Cerco de Waco em 1993 foi uma invasão fracassada pelo ATF que resultou na morte de quatro agentes do ATF e seis davidianos. O FBI e as forças armadas dos EUA se envolveram no cerco de 51 dias que se seguiu. O edifício que abrigava os davidianos foi incendiado, matando 76 deles, incluindo 26 crianças. Acredita-se que Timothy McVeigh foi motivado pelo resultado deste cerco, juntamente com o incidente de Ruby Ridge, para realizar o atentado de Oklahoma City em 1995.

Ruby Ridge O Cerco de Ruby Ridge em 1992 foi um tiroteio entre o FBI e Randy Weaver devido à sua falta de comparecimento ao tribunal sob acusações de porte de armas. A esposa e o filho de Weaver foram mortos por agentes do FBI no incidente. Um delegado dos EUA (U.S. Marshal) foi baleado em um ato considerado legítima defesa. O governo dos EUA pagou mais de 3 milhões de dólares em um acordo extrajudicial e 380 mil dólares em indenizações determinadas por tribunal.

Controvérsia do financiamento de campanha de 1996

A investigação do Departamento de Justiça dos EUA sobre as atividades de arrecadação de fundos descobriu evidências de que agentes chineses procuraram direcionar contribuições de fontes estrangeiras para o Comitê Nacional Democrata (DNC) antes da campanha presidencial de 1996. A embaixada chinesa em Washington, D.C. foi usada para coordenar contribuições para o DNC.

Além das queixas partidárias dos republicanos, vários agentes do FBI sugeriram que as investigações sobre as controvérsias de arrecadação de fundos foram deliberadamente obstruídas. O agente do FBI Ivian Smith escreveu uma carta ao diretor do FBI Louis Freeh expressando "falta de confiança" nos advogados do Departamento de Justiça em relação à investigação de arrecadação de fundos. O agente do FBI Daniel Wehr disse ao Congresso que a primeira procuradora-chefe dos EUA na investigação, Laura Ingersoll, disse aos agentes que eles não deveriam "perseguir qualquer assunto relacionado à solicitação de fundos em troca de acesso ao presidente. A razão dada foi: 'É assim que o processo político americano funciona.' Fiquei escandalizado com isso", disse Wehr. Os quatro agentes do FBI também disseram que Ingersoll os impediu de executar mandados de busca para interromper a destruição de provas e microgerenciou o caso além de qualquer razão.

Também foi negada aos agentes do FBI a oportunidade de fazer perguntas ao presidente Bill Clinton e ao vice-presidente Al Gore durante as entrevistas do Departamento de Justiça em 1997 e 1998, sendo-lhes permitido apenas tomar notas.

Investigações internas de tiroteios

Durante o período de 1993 a 2011, agentes do FBI dispararam suas armas em 289 ocasiões; revisões internas do FBI consideraram os disparos justificados em todos os casos, exceto em 5, e em nenhum desses 5 casos houve feridos. Samuel Walker, professor de justiça criminal da Universidade de Nebraska Omaha, disse que o número de disparos considerados injustificados era "suspeitamente baixo". No mesmo período, o FBI feriu 150 pessoas, das quais 70 morreram; o FBI considerou todos os 150 tiroteios justificados. Da mesma forma, durante o período de 2011 até o presente, todos os tiroteios por agentes do FBI foram considerados justificados por investigação interna. Em um caso de 2002 em Maryland, um homem inocente foi baleado e, posteriormente, recebeu 1,3 milhão de dólares do FBI depois que agentes o confundiram com um ladrão de banco; a investigação interna concluiu que o tiroteio foi justificado, com base nas ações do homem. O caso Whitey Bulger

O FBI tem sido criticado por sua conduta em relação à figura do crime organizado de Boston, Whitey Bulger. A partir de 1975, Bulger atuou como informante do FBI. Como resultado, o Bureau ignorou em grande parte sua organização em troca de informações sobre o funcionamento interno da família do crime ítalo-americana Patriarca.

Em dezembro de 1994, após ser avisado por seu antigo contato no FBI sobre uma acusação iminente sob a (RICO), Bulger fugiu de Boston e entrou na clandestinidade. Por 16 anos, ele permaneceu foragido. Por 12 desses anos, Bulger foi proeminentemente listado na lista dos Dez Foragidos Mais Procurados do FBI. A partir de 1997, a mídia da Nova Inglaterra expôs ações criminosas de oficiais de justiça federais, estaduais e locais ligadas a Bulger. A revelação causou grande constrangimento ao FBI. Em 2002, o agente especial John J. Connolly foi condenado por acusações federais de extorsão por ajudar Bulger a evitar a prisão. Em 2008, o agente especial Connolly cumpriu sua pena nas acusações federais e foi transferido para a Flórida, onde foi condenado por ajudar a planejar o assassinato de John B. Callahan, um rival de Bulger. Em 2014, essa condenação foi anulada por um tecnicismo. Connolly era o agente que liderava a investigação sobre Bulger.

Em junho de 2011, Bulger, então com 81 anos, foi preso em Santa Monica, Califórnia. Bulger foi julgado por 32 acusações de extorsão (racketeering), lavagem de dinheiro, extorsão mediante ameaça e porte de armas; incluindo cumplicidade em 19 assassinatos. Em agosto de 2013, o júri o considerou culpado em 31 acusações e por ter participado de 11 assassinatos. Bulger foi condenado a duas penas de prisão perpétua consecutivas, mais cinco anos.

Robert Hanssen