miniaturadaimagem|Retrato da poetisa piauiense Luíza Amélia de Queiroz Luíza Amélia de Queiroz (Piracuruca, 26 de dezembro de 1838 – Parnaíba, 12 de novembro de 1898) foi uma poetisa brasileira do século XIX, associada ao romantismo brasileiro. É considerada uma das pioneiras da literatura no estado do Piauí e frequentemente apontada como a primeira poetisa piauiense. Sua produção poética caracteriza-se pelo sentimentalismo, por reflexões sobre a condição feminina e por temas sociais presentes da época em que viveu. Ficou conhecida como a princesa da poesia romântica do Piauí.
Vida Luíza Amélia de Queiroz nasceu em 26 de dezembro de 1838, na cidade de Piracuruca, então parte da província do Piauí, filha de Vitalina Luíza de Queiroz e Manuel Eduardo de Queiroz. Passou a infância em sua cidade natal, mas viveu grande parte da vida em Parnaíba, para onde se mudou após o casamento com Pedro José Nunes, em 1859. Ficando viúva, casou-se novamente, dessa vez com Benedito Rodrigues Madeira Brandão.SANTOS, Arissandra Andreia dos. Memória e imaginário em Flores incultas: o (des)velar das imagens poéticas em Luiza Amélia de Queiroz. São Luís: Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), 2024. Dissertação (Mestrado em Letras).
Seu percurso intelectual ocorreu em um contexto marcado pelo patriarcado e pelas restrições ao acesso das mulheres à educação formal no século XIX. Nesse período, a instrução feminina era geralmente limitada ao ensino primário e voltada à formação par atuação em tarefas do lar. Apesar dessas limitações, Queiroz destacou-se por sua formação autodidata e por sua atuação na imprensa e na literatura. Antes mesmo de publicar seus livros, já escrevia poemas em periódicos e jornais, inserindo-se no espaço público da escrita em um momento em que a produção literária era predominantemente masculina.
Faleceu em 12 de novembro de 1898, em Parnaíba. Foi sepultada no Cemitério da Igualdade e seu túmulo tornou-se conhecido, pois uma gameleira cresceu a partir de sua sepultura, feita de mármore de ilhós, importada de Portugal. O fato costuma ser associado a um desejo atribuído à poetisa de repousar à sombra de uma gameleira.
Obra A produção literária de Luíza Amélia de Queiroz está associada ao Romantismo brasileiro, especialmente às tendências sentimentais da poesia oitocentista. Seus poemas abordam temas como amor, morte, infância, memória familiar, religiosidade e natureza, além de reflexões sobre o lugar da mulher na sociedade. As poesias de Queiroz também dialogam com características da chamada segunda geração romântica, marcada pelo subjetivismo, pelo pessimismo e pela introspecção. Além dos temas intimistas, sua poesia inclui reflexões sobre questões sociais e culturais de seu tempo. Em alguns textos, Queiroz problematiza as limitações impostas às mulheres no campo intelectual e reivindica maior acesso à educação e à expressão literária.
Seu primeiro livro, Flores incultas, publicado em 1875, reúne mais de cem poemas escritos entre as décadas de 1860 e 1870. A coletânea apresenta diferentes modulações do Romantismo, combinando poesia intimista, exaltação da natureza e reflexões sobre temas políticos e sociais do Império do Brasil.
Sua atuação literária é considerada importante para a consolidação da autoria feminina na literatura piauiense, em um período em que a presença de mulheres no campo literário ainda era restrita, sendo comumente designada como a princesa da poesia romântica no Piauí.
Legado Sua importância para a literatura piauiense foi reconhecida ao tornar-se patrona da cadeira nº 28 da Academia Piauiense de Letras. Também é patrona de uma cadeira na Academia Parnaibana de Letras e da Academia de Letras da Região de Sete Cidades.
Lista de obras
Flores incultas (1875) Georgina ou os efeitos do amor (1898)
Categoria:Escritoras brasileiras do século XIX Categoria:Poetisas do século XIX