O Centro Comercial STOP (também conhecido como Centro Cultural STOP) é um edifício localizado no Porto, Portugal, que funcionou como centro comercial desde a sua abertura em 1982. Atualmente, alberga dezenas de estúdios e salas de ensaio que servem como espaço criativo 'underground' para diversos géneros musicais e artistas da cena musical portuense. Vários meios de comunicação referem que o STOP é "a maior sala de ensaios na Europa"

História O Centro Comercial STOP foi inicialmente uma garagem de automóveis nos anos 1950. Após conversão em 1982, tornou-se o segundo maior centro comercial do Porto, com lojas de retalho, cafés e cinemas modernos. Com o surgimento de centros comerciais maiores, entrou em declínio nos anos 1990.

Ao longo dos anos, as lojas comerciais foram gradualmente convertidas pelos artistas residentes, em estúdios e salas de ensaio, transformando o STOP num centro musical único na cidade. Os espaços musicais foram criados e adaptados pelos músicos numa lógica de auto-gestão e auto-construção durante décadas, resultando numa comunidade vibrante e criativa. É apelidado como "a verdadeira Casa da Música do Porto".

Foi, em 2023, alvo de um polémico processo de despejo pela Câmara Municipal do Porto , tendo sido encerrado por duas semanas, durante as quais cerca de 600 músicos residentes foram forçados a abandonar o espaço.

STOPESTRA Sob a direção do maestro Tim Steiner a STOPESTRA, que era formada por mais de 100 bandas musicais, apresentou vários concertos na cidade e no país, com o apoio da Casa da Música.

Ameaça de Encerramento

Problemas do Edifício Um número de pessoas terão sido responsáveis por quase de 600 reclamações de ruído ao longo de 15 anos.

Já em anos anteriores se falava na possibilidade do encerramento do STOP por falta de licenças e segurança. A Câmara Municipal alegou a falta de licenças e insegurança contra incêndios, para o fecho do local.

Parte do argumento sobre a falta de segurança, centrava-se em torno de uma porta de incêndio bloqueada com tijolos e mais tarde com cimento, desde o exterior, pelo proprietário do terreno contíguo, a empresa Imóveis e Empreendimentos Hoteleiros Investimentos. Este caso está atualmente a ser discutido em tribunal, sendo que se considera que o bloqueio da saída de emergência será o maior entrave à 'regularização' do espaço.

Operação Policial de 2023 No dia 18 de Julho de 2023, o Centro foi alvo de uma operação policial, com origem numa ordem de encerramento do espaço dada pelo então presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira. Esta intervenção resultou no encerramento de 105 das 126 lojas do Centro, pela Polícia Municipal. Foram colocados selos nas lojas com o texto "AVISO: Estabelecimento selado pela Câmara Municipal do Porto". Esta ação gerou uma onda de contestação na cidade.

Protestos em defesa do STOP Em resposta à forte ação policial que resultou no encerramento do STOP ao público, bem como na selagem dos Estúdios Musicais pela polícia, no dia 18 de Julho de 2023, uma manifestação espontânea com centenas de pessoas, em frente ao STOP, bloqueou por mais de 5 horas a rua do Heroísmo, até ao fim da noite.

No dia 24 de Julho de 2023 foi realizada uma manifestação frente à Câmara Municipal, em que milhares de pessoas exigiram a reabertura do Centro.

A petição "Em Defesa dos Músicos do CC Stop, do Porto, da Cultura e da Transparência no Processo Urbanístico", lançada em 28 de agosto, reuniu mais de oito mil assinaturas.

No dia 1 de Setembro de 2023 Setembro, a Câmara Municipal emitiu um despacho de cessação de utilização do edifício, contra o qual, no dia 22 de Setembro de 2023, decorreu uma manifestação contra o encerramento do espaço. No entanto, o encerramento foi impedido após uma previdência cautelar, à qual se somaram os protestos na rua, bem como milhares de assinaturas à petição.

No dia 24 de Julho de 2024 decorreu uma manifestação em frente ao STOP, um ano após os primeiros protestos. A manifestação não foi autorizada pela administração, que encerrou o espaço ao público nesse dia.

Reabertura Após protestos e diversas negociações, o espaço foi reaberto a 4 de Agosto de 2023, com um corpo de Bombeiros Sapadores em permanência à porta, situação que se manteve por um ano.

Em Setembro de 2023, com o despacho de cessação do uso do espaço, o STOP ficou novamente ameaçado de fecho, o qual foi evitado, após protestos e negociações.

A nova administração aprovou um plano de funcionamento para o STOP, com novas regras e regulamentos, como a proibição do uso do espaço durante as horas noturnas e a implementação de um sistema de videovigilância, bem como a realização de algumas obras no edifício, sinalização de emergência e colocação de extintores.

Pressão Imobiliária Desde 2023, vários artistas denunciaram o aumento de rendas, e término de contratos, bem como o aumento exponencial dos valores imobiliários das salas de ensaio, e a sua venda. Num clima de incerteza perante o futuro, vários artistas e inquilinos foram forçados a sair das suas salas, por questões económicas e pelo processo de gentrificação do espaço.

O terreno contíguo ao CC STOP (Oficina do Ferro) é gerido pela IME Investimentos, detentora do hotel Eurostars na mesma rua do Heroísmo, tendo já sido projectado para esse espaço, um projecto arquitetónico, envolvendo a construção de prédios de habitação e um novo hotel, bem como abertura de novas ruas. Este processo tem gerado preocupações com o futuro do próprio STOP. No passado, a empresa terá tentado contactar a administração do STOP para a compra do espaço, mas de acordo com a própria câmara não é possível vender o Centro Comercial STOP como um todo.

Outros investidores têm vindo a adquirir vários espaços no centro, com o propósito de criar novos negócios, como uma loja de banhos para cães.

Há ainda incerteza em torno do futuro de espaços comuns como a sala de cinemas, atualmente abandonadas, e propriedade da NOS. A CMP demonstrou interesse em adquirir este espaço.

Classificação como Património Municipal Após o caso do STOP ter estado em discussão na Assembleia da República , bem como na Assembleia Municipal do Porto , foi emitida a decisão de classificação do espaço como Monumento de Interesse Municipal, implicando uma zona geral de proteção de 50 metros em torno do edifício.

O STOP na Cultura O documentário "Don't Stop STOP", (2012) de Ana Branco, sobre a sobrevivência do espaço e das pessoas que o habitam.

O filme "STOP: Salas de Ensaio para um Materialismo Histórico", (2025) de Jorge Quintela, retratou o despejo e história do STOP, "símbolo da resistência da cultura independente".

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