Odo Casel (Koblenz, 27 de setembro de 1886 – Beverungen, 28 de março de 1948) foi um monge beneditino e teólogo católico alemão, conhecido especialmente por seus estudos no campo da liturgia e seu aprofundamento em temas relacionados com as categorias de "mistério" e "memória" na teologia cristã.
Sua doutrina ou teologia dos mistérios (Mysterienlehre), como ficou conhecida sua visão teológica, teve grande influência sobre a doutrina católica no século XX, sendo considerada o princípio mais significativo de teologia litúrgica desse século. Foi determinante especialmente para a constituição Sacrosanctum Concilium, do Concílio Vaticano II, em 1963, que delineou os pontos fundamentais de uma doutrina sobre a liturgia católica e os princípios para a sua reforma.
Joseph Ratzinger, que depois se tornou o papa Bento XVI, a considerou "a ideia teológica talvez mais fecunda do nosso século", avaliando que "desde o fim da época patrística a teologia os sacramentos não mais conheceu um florescimento como o verificado neste século no contexto das ideias de Casel". Giorgio Agamben, reconhecendo a forte influência de Casel sobre a Igreja Católica, interpreta sua defesa de "um verdadeiro primado da liturgia sobre a doutrina, do mistério sobre o dogma" como uma "tese política", em certo sentido.
Biografia Nascido Johannes Casel, ingressou em 1905 na Abadia de Maria Laach, onde fez a profissão monástica em 1907 com o nome de Odo. Foi ordenado presbítero em 1911. Em Roma, no Instituto Santo Anselmo, obteve o doutorado em teologia dogmática em 1914, com uma tese sobre a doutrina eucarística de São Justino Mártir. Depois, em Bonn, doutorou-se em filosofia com a tese O silêncio místico dos filósofos gregos. De 1922 até sua morte, foi capelão das monjas da Abadia de Herstelle.
Iniciou suas publicações na coleção Ecclesia orans, dirigida pelo abade de Maria Laach, Ildefons Herwegen, em 1918, com o título A memória do Senhor na liturgia cristã primitiva. Ali, começou a expor sua teoria que aborda a liturgia comparando-a com formas rituais das religiões mistéricas da Antiguidade. A liturgia cristã implicaria, segundo Casel, a presença da ação salvífica de Cristo através do memorial. Sua teologia ficou conhecida como "doutrina dos mistérios" e encontrou sua expressão mais madura em O mistério do culto no cristianismo, de 1932.
A tentativa de Casel de falar da liturgia cristã a partir de uma analogia com os cultos mistéricos gerou controvérsia em seu tempo, e boa parte da sua produção se dedicou a dirimir as dificuldades levantadas por seus opositores. A publicação da encíclica Mediator Dei, de Pio XII, em 1947, significou um reconhecimento importante do trabalho iniciado por Casel, ainda que também contivesse uma chamada de atenção quanto a alguns dos seus elementos, nomeadamente sua rejeição da piedade individual em favor da piedade litúrgica.
Casel morreu no ano seguinte, na Abadia de Herstelle, enquanto se celebrava a vigília pascal. Foi sepultado nesse mosteiro.
Obras publicadas em português
A memória do Senhor na liturgia cristã primitiva. Curitiba: Carpintaria, 2026 (orig. 1918) O mistério do culto no cristianismo. São Paulo: Loyola, 2009 (orig. 1932)
Bibliografia
André Gozier. Dom Casel. Paris: Fleurus, 1968. Juan Javier Flores. Introdução à teologia litúrgica. São Paulo: Paulinas, 2006.
Categoria:Naturais de Coblença Categoria:Mortos em 1948 Categoria:Nascidos em 1886 Categoria:Teólogos católicos Categoria:Liturgistas Categoria:Monges