Abdel Khaliq Mahjub (; 23 de setembro de 1927 – 28 de julho de 1971) foi um político e teórico comunista sudanês.

Nascido em Omdurman, Mahjub serviu como secretário-geral do Partido Comunista Sudanês (PCS) de 1949 até ser executado em Cartum durante a ditadura de Yaffar al Numeiry. Após a sua morte, a liderança do partido foi assumida por Muhammad Ibrahim Nugud.

Biografia

Visões e ideologia Mahjub teve seu primeiro contato com o pensamento comunista enquanto estudava na Universidade do Cairo (então Universidade Fuad I), no Egito, instituição da qual foi expulso em 1948 devido à sua militância política. Ascendeu ao cargo de secretário-geral do Partido Comunista Sudanês em fevereiro de 1949.

Como um dos mais proeminentes teóricos marxistas das esferas árabe e africana, grande parte da sua produção literária dedicou-se à adaptação do materialismo histórico às formações socioeconômicas específicas do Sudão, rejeitando a importação estrita dos modelos industriais soviéticos ou chineses. Embora tenha ancorado o partido na ortodoxia marxista-leninista, Mahjub defendeu a independência tática do PCS contra as diretrizes do Partido Comunista da União Soviética. Em divergência com o rigor do ateísmo de Estado, o teórico argumentava que o movimento comunista no Sudão precisava respeitar a consciência religiosa enraizada nas massas, defendendo a liberdade de crença.

Em 1959, foi preso pela ditadura militar de Ibrahim Abboud. O discurso proferido em sua própria defesa no tribunal, intitulado "Em virtude do marxismo, meritíssimo", serviu como um testamento político que delineou o programa comunista para o país. Sob a direção de Mahjub, o PCS desempenhou um papel instrumental nas revoltas civis que derrubaram Abboud em 1964.

Apoiado na interpretação marxista do Estado, Mahjub opôs-se frontalmente ao golpe de 1969 conduzido por Yaffar al Numeiry. A sua análise indicava que um levante militar executado por oficiais da pequena burguesia não poderia substituir uma revolução democrática e operária. Essa postura colocou-o em conflito com a ala pragmática de seu próprio partido, que desejava colaborar com a junta militar. Apesar das ressalvas de Mahjub, o PCS acabou integrando o governo inicial de Nimeiri.

Tentativa de golpe de 1971 e morte Mahjub era avesso à via do golpe militar e não orquestrou a tentativa de tomada de poder de 1971, liderada pelo oficial comunista Hashem al-Atta em 19 de julho daquele ano. Al-Atta usurpou o controle do Estado por apenas três dias antes de as forças leais a Nimeiri retomarem o poder de forma violenta. Como os insurgentes possuíam vínculos com o movimento comunista, Nimeiri acusou a cúpula do PCS de planejar a rebelião e ordenou um expurgo sistemático do partido.

Inicialmente, Mahjub recusou-se a fugir do país, mesmo após receber uma oferta de asilo da embaixada da Alemanha Oriental. Ele declarou que seu dever político era permanecer junto às classes trabalhadoras sudanesas para construir a democracia, um objetivo que ele acreditava ser irrealizável a partir do exílio. Após permanecer escondido por quatro dias, Mahjub entregou-se às autoridades na tentativa de interromper as execuções indiscriminadas de militantes comunistas. Submetido a um julgamento militar sumário, foi condenado à morte.

Mahjub foi enforcado na prisão de Kobar nas primeiras horas de quarta-feira, 28 de julho de 1971. A execução de sua liderança intelectual e organizacional desestruturou severamente o Partido Comunista Sudanês, que nunca conseguiu recuperar plenamente a influência hegemônica que exercera durante as décadas de 1950 e 1960.

Escritos Novos horizontes (1956) Defesa perante os tribunais militares (1966) Corrigindo os erros no trabalho entre as massas: relatório apresentado ao comitê central do Partido Comunista Sudanês (1963) Escolas socialistas na África (1966) O marxismo e os dilemas da revolução sudanesa (1967) O marxismo e a linguística (s.d.) A literatura na era da ciência (1967) Sobre o programa (1971) A vida de Rashed Omer Abdel Khalig Mahgoub (1989)

Leitura adicional Abusharaf, Rogaia Mustafa. (Verão de 2009). Marx in the vernacular: Abdel Khaliq Mahgoub and the riddles of localizing leftist politics in Sudanese philosophies of liberation. South Atlantic Quarterly, 108:3, 483–500.

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