As Catacumbas de São Januário (em italiano: Catacombe di San Gennaro) é um cemitério subterrâneo com início de sua criação no final do século II d.C., localizado na cidade de Nápoles. É o cemitério subterrâneo mais extenso da região sul da Itália.

História Esta região, onde atualmente se encontram as catacumbas, servia de necrópole da antiga Neápolis. Entre o final do século II e início do século III, o local passou a servir para sepultamentos cristãos; primeiramente, para famílias nobres, até se desenvolverem e se fundirem, passando a ser um cemitério comunitário.Catacombs of San Gennaro. Comune di Napoli (em italiano).

Por volta de 430, o Bispo João I transferiu os restos mortais de São Januário, de Marciano para Nápoles, sepultou-o em um cubículo nas catacumbas e dedicou-as ao santo, que se tornou o padroeiro da cidade. Neste período, as catacumbas se tornaram um local de peregrinação para os devotos do São Januário. No ano de 432, com a morte do Bispo João I, foi criada a Cripta dos Bispos (Cripta dei Vescovi) para abrigar os restos mortais dos bispos de Nápoles; este local também passou a ser venerado pelos fies, e no início do século VI, foi preciso construir um local de culto, que foi denominado Basílica dos Bispos (Basilica dei Vescovi), e foi instalado um altar no local. Com o tempo, o local do culto já não comportava os fies, e foi necessário fazer uma ampliação, abrindo um espaço com mais de 50 metros de comprimento e 12 metros de largura, denominado de Basílica Adiecta e foi construído a Edícula da Cruz (Edicola della Croce). Os fies, por acreditarem que o sepultamento ad sanctos (perto dos túmulos de santos e mártires) lhes dariam a possibilidade da salvação pós morte, procuravam sepultar seus familiares o mais perto o possível da Cripta dos Bispos (Cripta dei Vescovi) no nível superior, e a procura por sepultamento no nível inferior foi drasticamente reduzido. Em 831, os restos mortais do Santo Januário foram roubados e levados para Benevento, que só foram recuperados em 1491 e transferidos para a Catedral de Nápoles. Em meados do século IX, o Bispo João IV transferiu os restos mortais dos bispos sepultados nas catacumbas para a Basílica urbana Stéfania; com a transferência, a procura por sepultamento nas catacumbas diminuíram, até serem abandonadas em definitivo.

Até o século XVIII, após um longo período de abandono, pesquisadores arqueológicos passaram a estudar as catacumbas, e o cemitério subterrâneo passou a ser um ponto de interesse turístico. Durante a Segunda Guerra Mundial, serviu de abrigo para os napolitanos, e com isso, sofreu alguns danos. Durante a década de 1960, o cardeal arcebispo de Nápoles, Corrado Ursi, reorganizou as catacumbas, transferiu todos os ossos para um ossuário próximo, e abriu um novo acesso para o público.

Arquitetura O cemitério abrange uma área de aproximadamente 5.600 m², escavados na rocha de tufo de uma colina. Possui dois níveis parcialmente sobrepostos, e abriga um total de 500 sarcófagos em forma de nichos nas paredes e mais de 2.000 sepultamentos.

Os sepultamentos das catacumbas possuem uma variedade de formas:

Nas paredes - arcossólios com formato de cúpula ou de luneta com intradorso geralmente decorados com afrescos ou mosaicos, nichos simples e nichos profundos com vários sepultamentos (siracusano).

No piso - escavados, tipo fosso no solo, e tapados com teto plano de telhas ou placas de mármore.

O nível inferior, é o mais antigo, possui um salão com formato de trapézio com 6 metros de altura, 16 metros de comprimento, 6 metros de largura na entrada e 11 metros de largura no fundo, no centro há uma cuba circular de mármore; No lado leste do salão está a Pequena Basílica de São Agripino (Basilichetta di San Agrippino); do salão sai 3 galerias monumentais com ramificações laterais, ambos com sepultamentos nas paredes e piso, sendo as ramificações laterais com o pé direito mais baixo. Na Pequena Basílica de São Agripino (Basilichetta di San Agrippino), foi esculpido uma cátedra e um altar no tufo; na idade média, foi pintado um afresco com a imagem do Santo Agripino curando um doente, e um outro afresco com um bispo e um monge oriental.Trematerra, Amelia Trematerra; Iannace, Gino. (2013). The acoustic of the Catacombs of “San Gennaro” in Naples. Conference: INTER-NOISE 2013, 42nd International Congress and Exposition on Noise Control Engineering.

O nível superior, há a Cripta dos Bispos (Cripta dei Vescovi) onde foram sepultados os primeiros bispos da cidade; esta cripta foi decorada com painéis em mosaicos com as figuras dos bispos enterrados ali; estes painéis datam do século V ao século VI, sendo o mais antigo datado de 432, com a figura do Bispo João; na parede norte da cripta, há o mosaico do Bispo Quodvultdeus de Cartago, que faleceu em exílio em Nápoles em 454; e na parede sul, há um mosaico de um bispo desconhecido. Ainda é possível observar outros resquícios de mosaicos espalhados pelo nível superior.Schibille, Nadine; Neri, Elisabetta; Ebanista, Carlo; Ammar, M.R.; Bisconti, Fabrizio. (2018). Something old, something new: the late antique mosaics from the catacomb of San Gennaro (Naples). Journal of Archaeological Science: Reports. 20. 10.1016/j.jasrep.2018.05.024.

Galeria

Ligações externas

Site oficial das Catacumbas de São Januário.

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