O Real Mosteiro de Santa Maria de Poblet (em catalão: Reial Monestir de Santa Maria de Poblet) é um mosteiro cisterciense, fundado em 1151, localizado no município de Vimbodí, na província de Tarragona (Catalunha). O primeiro cenóbio foi patrocinado por Raimundo Berengário IV de Barcelona, que o entregou aos monges da abadia de Fontfroide em 1149.

Foi panteão real da Coroa de Aragão, do final do século XII Afonso II com 19 anos dispôs numa carta datada na vila de Anglesola a sua vontade de ser enterrado neste mosteiro. Vinte anos depois ratificou-o na cidade de Perpinhão onde fez testamento a 31 de Julho de 1194. até a extinção da dinastia real aragonesa no final do século XV.

Enriquecido com diferentes doações, alcançou o seu máximo esplendor no século XIV, e a sua total decadência e abandono em 1835 como consequência da desamortização de Mendizábal. Em 1930 foi iniciada a sua restauração, de jeito que em 1935 a igreja pôde ser dedicada novamente ao culto, e em 1940 retornavam à sua abadia alguns monges. Nem todos os espaços podem visitar-se, por serem dependências em clausura utilizadas pelos cistercienses que novamente ocupam o mosteiro.

Em 1991 foi declarado pela UNESCO Patrimônio da Humanidade. Poblet, com Guadalupe, O Escorial, San Millán de Yuso e San Millán de Suso são os mosteiros na Espanha com este título.

História 250px|thumb|right|Mosteiro de Poblet. A etimologia do término Poblet deriva do latim populetum (alameda). O lugar foi sempre rico em vegetação e floresta destas árvores (os álamos), o que deu lugar a que em 1984 fosse declarado Paragem Natural de Interesse Nacional, com 2100 hectares e 50 fontes naturais.

O mosteiro de Poblet foi fundado pelo conde de Barcelona Raimundo Berengário IV que por volta de 1150 doou as terras de Populetum à abadia francesa de Fontfroide, a qual era filial de Claraval e estava perto de Narbona. Estas terras oferecidas são as situadas na Conca de Barberá, no término municipal de Vimbodí, perto de Espluga de Francoli com as montanhas de Prades ao fundo. O encrave tinha as condições recomendadas pelo Cister para a fundação de um mosteiro: podia estar isolado, com água abundante e um extenso contorno para a agricultura.

Com a fundação deste mosteiro acrescentaram quatro as grandes abadias cistercienses: Claraval (no vale de Absinthe (França), a Grande Selva (no Languedoc), Fontfreda (perto de Narbona) e Poblet. A primeira comunidade estabeleceu-se sob o mandato do abade Guerau (ou Geraldo), em 1153. Em documentos que se conservam data-se uma doação dos viscondes de Cardona dois anos antes, 1151. Durante séculos foram frequentes as doações tanto de reis como de famílias da nobreza. Graças a estes documentos sobre as diferentes doações e regalos pôde-se ir seguindo o estado das obras de construção e o acabamento das dependências do claustro ou dos trechos da igreja. Num testamento de 1184 diz-se que o templo estava ainda em obras; outro documento do mesmo ano refere a um donativo do rei para as luminárias do altar de Santa Maria, o que faz supor que ao menos o presbitério já tinha culto.

Em 1340 Pedro o Cerimonioso mandou criar o panteão real e nobiliário no qual chegou a haver até 16 jacentes. A escolha de sepultura ia aparelhada a importantes doações: terras, homens e dinheiro. Além disso, foram construídas capelas privadas como as de Urgel e Argensola. As linhagens mais importantes da Catalunha ocuparam-se do mosteiro em grande medida: Condes de Urgel, Cervera, Cardona, Puigvert, Boixadors.

O mosteiro de Poblet estivera desde a sua fundação sob a proteção e o patronato dos reis. Ao extinguir-se a Casa Real de Aragão começou a sua grande decadência, embora alguns abades tentassem no Renascimento dotá-lo de obras novas. Assim, o abade Caixal contratou o escultor Damià Forment para realizar o retábulo da capela-mor em pedra (1526-1531), obra excepcional cujo custo foi tão descomedido que provocou a sublevação dos monges contra o seu abade ao que condenaram à reclusão perpétua com os cargos de dilapidação e falta de observância.

Com os câmbios políticos do século XIX, as guerras civis, etc., o mosteiro viu-se em processo de decadência. Em 1822 puseram-se à venda as suas propriedades e os monges foram expulsos pelos somaténs liberais que estavam em guerra contra os absolutistas. Depois, o mosteiro ficou abandonado à sua sorte e durante dois anos sofreu incêndios e pilhagens, embora antes tivessem sido retirados os tesouros de joalharia. Em 1825, com a década absolutista de Fernando VII, deixaram voltar os monges que trataram de restabelecer a ordem, restaurar os estragos e recopilar algo do roubado. Mas as lutas entre liberais e absolutistas continuavam e as consequências foram fatais para muitos encraves monásticos da Catalunha. Temendo o pior, os freires novos e liberais, seguidos pelos mais anciãos, decidiram exclaustrar-se e refugiaram-se em casas particulares. Sacaram do mosteiro os aprestos mais valiosos e transportáveis entregando-os em custódia a particulares; quase tudo ficou perdido. No mosteiro ficou a biblioteca, os arquivos e as tumbas reais à espera de um novo saque e profanação.

Em 1833 e durante a Primeira Guerra Carlista as colunas voantes dos exércitos fixaram a sua residência no mosteiro. Violaram as tumbas, queimando as roupagens que encontraram dentro, à procura de ouro e de pedras preciosas. Mais tarde foram recuperados bastantes volumes e documentos e os restos dos túmulos foram levados para Tarragona, onde ficaram em custódia.

O saque, os incêndios e a incúria tornaram o complexo em ruínas esquecidas. Em 1930 foi criado o Padroado de Poblet para ajudar a recuperar as velhas pedras e obras de arte que ainda ficaram. Também foi criada uma Irmandade de Amigos do Mosteiro. Com estas ajudas pôde ser recuperada grande parte do edifício e em 1940 pôde fincar-se nele um grupo de quatro monges cistercienses.

Atualmente continua a ser habitado por monges do Cister, que cuidam do lugar, rezam e mantêm uma pequena horta. Regem, além disso, uma hospedaria, que pode dar cabida a 12 hóspedes varões que necessitem de um retiro espiritual, em troca do qual recebem a esmola voluntária que cada um quiser dar (em muitos mosteiros espanhóis existe este tipo de hospedaria).

Organização do mosteiro Poblet é um dos grandes e melhores exemplos de mosteiros do Cister. O historiador-geral da ordem, o padre Manrique diz na sua obra:

Desde o princípio da sua fundação, teve-se o propósito de que o mosteiro abrangesse uma zona de cultivo exemplar com granjas (as chamadas grangiae), água abundante (La Pena) e floresta para explorar (floresta de Castellfollit). Cada uma das granjas estava governada e dirigida por um monge que, por sua vez, estava à frente da família composta por leigos, guardas rurais, hortelãos, etc. No fim do século XII o mosteiro era dono de 17 granjas.

Poblet chegou a reunir todo o necessário para a sua subsistência sem ter de sair do recinto. Constituía uma verdadeira e completa população ao jeito de Cîteaux e Clairvaux. Além das dependências óbvias e primárias de qualquer mosteiro, Poblet contou com enfermaria, farmácia, cemitérios, jardim de plantas aromáticas, moinhos, padarias, e mesmo um calabouço, já que o abade tinha a potestade de um senhor feudal.

Casas, propriedades e direitos

O mosteiro chegou a ser dono de múltiplas casas cistercienses nas povoações mais importantes de Catalunha. As filiais de maior envergadura foram: Mosteiro de Piedra em Aragão Mosteiro de Benifassá no município de Pobla de Benifassá (Valência) Mosteiro da Real em Maiorca Priorado de São Vicente em Valência Mosteiro de Nazaret em Barcelona Tallat no limite de Tarragona com Lleida Estendeu a sua jurisdição sobre 7 baronias com a inclusão de 60 povoações. Tinha o direito de designar o batlleBatlle em catalão refere o presidente ou prefeito de um consistório municipal de 10 vilas que dependiam dele. Possuía ademais como grande magnata que era os senhorios de Castelo e vila de Verdu Castelo de MonarguesMais tarde o Papa Honório III em 1220 e Jaime I em 1222 ampliaram o número de senhorios, granjas e direitos em geral Tinham, aliás, direito de pastoreio nas terras reais, o mesmo que nas salinas de Cardona e nas pescarias de Ampúrias.

O abade e os monges

Os abades de Poblet chegaram a abranger um poder jurisdicional imenso que não somente se estendia sobre os seus mosteiros e posses senão mas eram vicários gerais do Cister nos reinos de Aragão e de Navarra. Nas Cortes de Catalunha tinham um lugar destacado e até chegaram a obter o cargo de Deputado da Generalitat. O rei Pedro IV o Cerimonioso outorgou aos abades (ou na sua ausência aos monges delegados) o privilegiado cargo de Esmoleiro Real na Corte. Exerciam o alto honra de acompanhar o rei nas suas empresas e nas suas batalhas de conquista, sendo com frequência os seus conselheiros ou os seus embaixadores.

Pedro II outorgou o título de Notário real ao monge com cargo de arquivista. Tanto o abade quanto os monges estavam isentos de juramento nos pleitos e julgamentos, já que se supunha que a sua palavra valia mais que um juramento.Esta concessão foi uma graça que receberam de Afonso II.

Um mandato de Jaime I de 1222 dizia que em cada uma das propriedades do mosteiro de Poblet tinham direito a hastear a insígnia real em sinal de estarem sob a proteção do rei.

Construção do edifício 250px|thumb|right|Mosteiro de Poblet. A construção deste mosteiro cisterciense começou por volta de 1163, ou seja, aos dez anos da sua fundação, tal qual se vinha fazendo sempre.Os primeiros monges viviam em edifícios provisórios e não era até ser segura a idoneidade do lugar que começavam as obras definitivas. Está documentado que em 1163 Arnau de Bordells fez uma doação para a construção definitiva em pedra e o senhor de Espluga Jussana, Ramon de Cervera estendeu uma autorização aos monges para que pudessem

Os edifícios do Cister levavam em conta o encrave e o seu contorno. Um dos maiores condicionantes era a existência próxima de uma corrente de água da qual se extraíam os canais necessários que faziam passar pelo próprio e definitivo complexo monástico. No momento da fundação de um mosteiro cisterciense erigiam-se provisoriamente uma série de estâncias adequadas para a vida comunitária, na espera do grande edifício definitivo que costumava ser construído passados de dez anos até às vezes vinte. Também podia ocorrer que existisse já algum tipo de edificação antiga e modesta onde os monges começavam o seu andamento. Quando se iniciavam as grandes obras em pedra, construía-se depressa uma pequena capela, que geralmente ficava depois como capela de enfermaria, e em alguns casos como no mosteiro de Poblet, tinha mesmo encostado um pequeno claustro, chamado lá claustrelo de Santo Estêvão ou da Enfermaria, nome do santo a quem está dedicada a capela. A capela de Santo Estêvão dedicou-se depois a capela funerária. Esta construção e o seu claustro constituem o núcleo mais antigo (século XII) de todo o recinto.

Enquanto os monges viviam neste núcleo descrito, foi-se erguendo a definitiva igreja, entre 1162 e 1196. Em 1200 estava já terminado o muro norte adjacente com a banda sul do claustro. Após estas obras deveu-se construir a primitiva sala capitular (que se transformaria anos depois), a sacristia antiga, o locutório e o dormitório de monges no andar de cima. Em meados do século XIII fizeram-se ampliações e renovações, tal qual se documenta em escritos conservados de doações e testamentos.

Em 1225 e 1234 relata-se a obra do refeitório de conversos; outro documento de 1243 assinala a obra do dormitório. Disto deduz-se que em meados do século XIII já estariam erguidos ao menos três dos quatro lados do claustro. Doações feitas em 1249 e 1250 deixam claro que eram para as obras do “novo capítulo” e ornamentação da “sacristia nova” e “novo dormitório”, ou seja, para substituir ou remodelar as antigas estâncias de finais do século XII.