As eleições parlamentares na Hungria de 2026 foram realizadas a 12 de abril para eleger 199 membros da Assembleia Nacional da Hungria, sendo necessários 100 assentos para um governo de maioria simples e 133 assentos para uma supermaioria de dois terços com o poder de emendar a Constituição da Hungria. Esta foi a 10.ª eleição parlamentar desde a retoma das eleições livres em 1990. O então primeiro-ministro Viktor Orbán, do partido Fidesz, foi derrotado por Péter Magyar, do Partido Tisza, encerrando o mandato de 16 anos de Orbán.
A Politico Europe descreveu-a como a eleição mais importante da União Europeia em 2026. A DW News descreveu a eleição como um referendo sobre se o país continuará a derivar em direção a uma ditadura autoritária e à Rússia ou se mudará de rumo em direção à democracia liberal e à União Europeia. Alguns levantaram receios de uma possível fraude eleitoral por parte do partido governante Fidesz e de aliados estrangeiros, com 79% dos húngaros a temerem a interferência estrangeira nas eleições, de acordo com uma sondagem do Instituto Publicus.
Os resultados preliminares indicaram que o Tisza conquistou 138 lugares, o suficiente para uma supermaioria de dois terços. Prevê-se que o Fidesz perca mais de metade dos seus lugares. Orbán reconheceu a derrota na noite das eleições e felicitou Magyar. Posteriormente, Magyar foi felicitado por vários líderes internacionais pelo que foi descrito como um resultado eleitoral histórico.
Ascensão do TISZA miniaturadaimagem|250x250px|Magyar e Orbán apertando as mãos no Parlamento Europeu em 2024 A 2 de fevereiro de 2024, foi revelado que a presidente Katalin Novák havia concedido um indulto em abril de 2023 a um criminoso envolvido em um caso de pedofilia. O escândalo resultou na renúncia de Novák e da ex-ministra da Justiça, Judit Varga, que havia assinado o indulto. Pouco depois, o ex-marido de Varga, Péter Magyar, publicou no Facebook que renunciaria a todos os seus cargos relacionados com o governo, afirmando que os últimos anos o fizeram perceber que a ideia de uma "Hungria nacional, soberana e burguesa", declarada como objetivo do governo de Viktor Orbán, era, na verdade, um "produto político" que servia para encobrir a corrupção em larga escala e a transferência de riqueza para aqueles com as conexões certas.
O Partido Tisza selecionou 103 dos seus 106 futuros candidatos para as eleições primárias em duas voltas, no final de 2025. O partido apresentou três candidatos em cada distrito e, na primeira volta, todos os membros do Tisza Sziget com mais de 16 anos puderam votar. A votação ocorreu por meio de uma contagem Borda modificada. Na segunda volta, a votação foi aberta também a todos os cidadãos residentes com mais de 18 anos, que puderam votar em qualquer um dos dois candidatos que avançaram. Os vencedores foram anunciados em 28 de novembro de 2025.
Alteração da lei eleitoral Em 17 de dezembro de 2024, a Assembleia Nacional votou alterações nos círculos eleitorais. Como resultado, o número de distritos eleitorais em Budapeste diminuiu de 18 para 16, enquanto no Condado de Pest o número de distritos aumentou de 12 para 14. Também ocorreram alterações nas fronteiras de algumas partes dos Condados de Csongrád-Csanád e Fejér. A coligação governante Fidesz-KDNP tomou a decisão citando alterações nos resultados dos últimos censos (2022), mas, segundo a oposição, o verdadeiro objetivo era enfraquecer a sua posição naqueles distritos, principalmente da capital, onde anteriormente eram eleitos diretamente. As alterações foram acusadas de configurar manipulação eleitoral, uma vez que o partido da oposição Tisza precisava de uma margem de cerca de 3 a 5 pontos percentuais no voto nacional para obter a maioria na Assembleia.
Resultados Com pouco mais de 50% dos votos apurados, Orbán reconhece a derrota nas eleições.
+Afluência7:009:0011:0013:0015:0017:0018:30Total3.46%16.89%37.98%54.14%66.01%74.23%77.80%80.04%260,5561,271,7682,858,8924,075,2724,968,7135,587,9355,856,5156,491,753
Reações : Viktor Orbán assumiu a derrota do seu partido e deu os parabéns ao adversário, Péter Magyar, reconhecendo o "resultado doloroso e claro" das eleições. : A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse que a "Hungria escolheu a Europa". "Esta noite, o coração da Europa bate um pouco mais rápido na Hungria", garantindo que, com estes resultados, o país "retomou o seu caminho europeu". : O chanceler alemão, Friedrich Merz, também celebrou os resultados das eleições húngaras com uma publicação na rede social X, dizendo "Espero trabalhar consigo. Vamos unir forças por uma Europa forte, segura e, acima de tudo, unida", dirigindo-se a Péter Magyar. : O presidente Emmanuel Macron deu os parabéns ao novo líder húngaro através de uma chamada telefónica. Ainda, recorreu às redes sociais para reforçar que "esta vitória" representa "um triunfo da participação democrática" e "do compromisso do povo húngaro com os valores da União Europeia e do lugar da Hungria na Europa". : O primeiro-ministro Luís Montenegro saudou a vitória do novo primeiro-ministro húngaro, dizendo que, esta nova etapa da Hungria, "assente numa ampla participação democrática", poderá permitir um "trabalho conjunto em prol do projeto europeu e da defesa dos seus valores e princípios fundamentais".
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