O primeiro turno das eleições gerais do Peru em 2026 foi realizado entre 12 e 13 de abril e o segundo turno ocorreu em 7 de junho. Os eleitores votaram para os cargos de presidente da República, vice-presidentes e os membros do Congresso. O Poder Legislativo voltou a adotar o sistema bicameral, com a recriação do Senado e a manutenção da Câmara dos Deputados, integrados por 130 deputados e 60 senadores. A disputa presidencial ocorreu em um contexto de elevada fragmentação política e registrou um número recorde de 35 candidatos aptos, cenário associado à persistente desconfiança da população em relação às instituições políticas e aos partidos tradicionais.

No primeiro turno, a direitista Keiko Fujimori ficou em primeiro lugar. O candidato de esquerda Roberto Sánchez ficou em segundo, superando por pouco o empresário de direita Rafael López Aliaga. Devido a atrasos em diversas seções eleitorais, as autoridades eleitorais prorrogaram a votação por um dia para os eleitores que não puderam comparecer. Após a ascensão de Sánchez na apuração dos votos, López Aliaga iniciou uma campanha de desinformação contra as autoridades eleitorais, acusando a existência de fraude. Observadores eleitorais da União Europeia e autoridades peruanas negaram que tenham ocorrido irregularidades na votação. O Júri Nacional de Eleições (JNE) decidiu que não anularia o primeiro turno das eleições e que um segundo turno ocorreria na data prevista.

Nas eleições legislativas, nenhuma legenda obteve maioria em qualquer das casas do Congresso. O partido de direita Força Popular, liderado por Keiko Fujimori, conquistou a maior representação parlamentar, elegendo 41 deputados e 22 senadores. O esquerdista Juntos pelo Peru, de Roberto Sánchez, formou a segunda maior bancada, com 32 deputados e 14 senadores. Também obtiveram representação o Partido do Bom Governo (18 deputados e 7 senadores), o Renovação Popular (15 deputados e 8 senadores), o Partido Cívico Obras (14 deputados e 5 senadores) e o Agora Nação (10 deputados e 4 senadores).

Em 23 de junho, Keiko Fujimori alcançou uma vantagem de votos superior ao número de votos ainda pendentes de apuração, assegurando sua eleição para a Presidência. No entanto, a proclamação oficial do resultado depende da apreciação, por parte do Júri eleitoral, dos recursos apresentados por seu adversário. A apuração foi concluída em 29 de junho, com Keiko à frente por aproximadamente cinquenta mil votos. A vitória de Keiko foi oficializada pelo JNE em 3 de julho.

Contexto

O processo eleitoral foi conduzido após um prolongado período de instabilidade política, iniciado cerca de uma década antes. Durante as presidências de Ollanta Humala, Pedro Pablo Kuczynski e Martín Vizcarra, o Congresso foi dominado pela oposição Força Popular — partido criado pela filha do ex-presidente peruano Alberto Fujimori, Keiko Fujimori —, a qual se opôs a diversas medidas adotadas pelo Executivo.

Após a eleição geral de 2021, partidos de direita e de extrema-direita, incluindo Avança País, Força Popular e Renovação Popular, passaram a controlar o Congresso. Com a vitória do esquerdista Pedro Castillo com 50,1% dos votos no segundo turno, Fujimori e seus apoiadores alegaram a ocorrência de fraude eleitoral e visaram anular a votação. Muitos grupos empresariais e políticos se recusaram a reconhecer a ascensão de Castillo à presidência, com setores mais abastados, incluindo ex-militares e famílias ricas, exigindo novas eleições, promovendo pedidos de golpe militar e utilizando retórica para sustentar alegações de fraude. Desde o início de seu governo, Castillo foi alvo do Congresso, que deixou claro o desejo de removê-lo do cargo por meio de impeachment.

Devido à interpretação ampla do mecanismo de impeachment previsto na Constituição, o Congresso pode destituir o presidente por meio de procedimento célere, inclusive com fundamento na alegação genérica de "incapacidade moral", tornando, na prática, o Legislativo mais poderoso que o Executivo. O Congresso, que já havia tentado destituir Castillo duas vezes, iniciou um terceiro processo no final de 2022. Em 7 de dezembro de 2022, Castillo tentou dissolver o Congresso, argumentando que o Legislativo, responsável por obstruir muitas de suas políticas, servia a interesses oligopolistas e havia conspirado com o Tribunal Constitucional para enfraquecer o Executivo, criando uma "ditadura congressual." A medida foi rejeitada pelas instituições peruanas, e ele foi removido do cargo e preso. Dois meses depois, o Congresso passou a exercer controle quase absoluto sobre o governo após decisão do Tribunal Constitucional que retirou a supervisão judicial sobre o Legislativo.

A vice-presidente Dina Boluarte assumiu a presidência em meio a protestos generalizados contra seu governo. Durante seu mandato, Boluarte alinhou-se ao Congresso dominado pela direita. Foi descrita como autoritária devido à repressão a protestos, sendo criticada por organizações de direitos humanos, especialmente após os massacres de Ayacucho e Juliaca. Nesse contexto, sua administração passou a enfrentar crescente isolamento político e social, marcado por denúncias de uso excessivo da força pelas autoridades de segurança e pela deterioração da confiança pública nas instituições democráticas. Relatórios internacionais apontaram para possíveis violações de direitos humanos durante as manifestações, incluindo mortes e detenções arbitrárias, o que intensificou a pressão interna e externa por investigações independentes e responsabilização. Em meados de 2025, uma pesquisa conduzida pelo Ipsos indicou que a aprovação da presidente era de 2%.

Embora propostas para antecipar as eleições de 2026 tenham sido apresentadas, estas foram rejeitadas pelo Congresso. Em outubro de 2025, Boluarte foi destituída por "incapacidade moral." O presidente do Congresso, José Jerí, assumiu interinamente, tornando-se o sétimo presidente em nove anos. No entanto, Jerí foi igualmente destituído em fevereiro de 2026. O Congresso elegeu José María Balcázar para sucedê-lo até a posse do presidente eleito em 2026.

A campanha transcorreu em meio a uma intensificação da preocupação pública com a segurança pública, crime organizado, desconfiança persistente nas instituições políticas e debates contínuos sobre corrupção e governança econômica. Preocupações sobre o poder que o Congresso detinha sobre os poderes Executivo e Judiciário também foram apontadas por observadores; Will Freeman, do Conselho de Relações Exteriores, alertou que o Congresso estava tentando construir um "Estado mafioso" no período que antecedia as eleições. De forma semelhante, a Human Rights Watch alertou para a ocorrência de um retrocesso democrático, com a diretora da divisão das Américas, Juanita Goebertus Estrada, afirmando que "o Congresso tomou medidas para minar a independência e a capacidade dos tribunais, promotores e instituições governamentais chaves" e que "à medida que o Congresso permanece sem controle, muitos peruanos apontam seu papel no enfraquecimento do Estado de Direito como a razão para a expansão do crime organizado no país."

O retorno a um sistema legislativo bicameral também foi estabelecido pelo Congresso que, após o pleito de 2026, passaria a 130 deputados e 60 senadores. Os deputados compõem a câmara baixa, responsável por apresentar projetos de lei e fiscalizar o Conselho de Ministros do Peru, tendo maior responsabilidade sobre os objetivos políticos. Os senadores representam a câmara alta e detêm maior controle institucional; eles revisam os projetos apresentados pelos deputados e são responsáveis por eleger os diretores do Banco Central da Reserva, os membros do Tribunal Constitucional, o controlador-geral, o defensor do povo (ouvidor) e outros líderes institucionais. Além disso, aos senadores foi conferido o poder de aprovar determinadas funções do Executivo, como viagens ao exterior, e a capacidade de destituir o presidente. O presidente não pode dissolver a câmara alta do Congresso, o que garante ao Senado uma grande quantidade de poder.

Sistema eleitoral thumb|Congresso do Peru

O presidente é eleito por meio do sistema de dois turnos. A votação no primeiro turno permite que os eleitores aptos votem em qualquer candidato presidencial elegível. Caso nenhum atinja a maioria absoluta, os dois candidatos mais votados avançam para a votação final. O vencedor do segundo turno é o candidato que obtiver a maioria dos votos válidos.

O Poder Legislativo é bicameral. A Câmara dos Deputados possui 130 membros, eleitos a partir de 27 circunscrições plurinominais por meio de representação proporcional com lista aberta. Para ingressar no Congresso, os partidos devem atingir a cláusula de barreira de 5% dos votos em nível nacional ou conquistar ao menos sete cadeiras em uma circunscrição. As cadeiras são distribuídas pelo Método D'Hondt.

Os 60 senadores são eleitos por dois sistemas: 30 em uma circunscrição nacional única por meio de representação proporcional e 30 nas 27 circunscrições utilizadas para a Câmara dos Deputados, sendo que a província de Lima elege quatro senadores e as demais 26 circunscrições elegem um cada. O Peru possui ainda cinco assentos no Parlamento Andino, eleitos em circunscrição nacional única por representação proporcional de lista aberta.

Candidatos à Presidência Partido ou aliança Candidato1.º vice-presidente2.º vice-presidenteLema Plano de governo Referênciascentro|sinmarco|50x50px Agora Naçãocentro|100pxAlfonso López-Chau EconomistaProfessor universitárioLuis Villanueva CarbajalRuth BuendíaSalvemos o Peru150x50px Aliança para o Progressocentro|127x127pxCésar Acuña Engenheiro químicoEmpresárioJessica Tumi RivasAlejandro SotoSe Acuña diz, Acuña faz 2 Avança País centro|133x133px José Williams MilitarEmpresárioFernán AltuveAdriana TudelaUma mudança com força 350x50px Cooperação Popular|Cooperación Popularcentro|133x133pxYonhy Lescano AdvogadoCarmela Salazar JáureguiVanesa Lazo VallesPor um Governo com Verdade e Honestidade450x50px Fé no Peru|Fe en el Perúcentro|100pxÁlvaro Paz de la Barra AdvogadoEmpresárioYessika ArteagaShella PalaciosAntes de tudo, nossa nação550x50px Frente da Esperança centro|100pxFernando Olivera Administrador de empresasElizabeth LeónCarlos Cuaresma650x50px Força Popular centro|127x127pxKeiko Fujimori AdministradoraLuis GalarretaMiguel TorresPeru com ordem 7 50x50px Força e Liberdadecentro|100pxFiorella Molinelli EconomistaGilbert VioletaMaría Pariona Um Estado que sirva, não que atrapalhe8 Integridade Democráticacentro|100pxWolfgang Grozo Ex-militarProfessorBertha AzabacheWellington PradaNem de esquerda nem de direita, o Peru é de quem madruga 950x50px Juntos pelo Perucentro|134x134pxRoberto Sánchez PsicólogoAnalí MárquezBrígida CuroIrmãos, caminhemos juntos até vencer!10 Liberdade Popularcentro|100pxRafael Belaúnde Llosa EmpresárioConsultorPedro CaterianoTania PorlesAgora! 11 País para Todoscentro|100pxCarlos Álvarez ComedianteRoteiristaMaría Chambizea ReyesDiego Guevara VivandoColocar a pessoa no centro de todas as decisões públicas 1258x58px Aliança Popular Revolucionária Americanacentro|100pxEnrique Valderrama AdvogadoMaría Inés ValdiviaLucio Antonio VásquezRenovemos o Peru13centro|sinmarco|54x54px Partido Cívico OBRAScentro|100pxRicardo Belmont EmpresárioLocutor de rádioDaniel BarragánDina HanccoO povo o quer!14 50x50px Partido do Bom Governocentro|134x134pxJorge Nieto SociólogoSusana Matute CharúnCarlos Caballero LeónGovernar é unir!1551x51px Partido Democrata Unido do Peru Charlie Carrasco AdvogadoCatedráticoMaría Paredes VerciWilbert Segovia QuinMudança radical e a grande transformação1753x53px Partido Democrata Verde Álex Gonzales Administrador de empresasMaritza Sánchez PeralesFélix MurazzoOs peruanos que não desistem já o escolheram1850x50px Partido Democrático Federalcentro|100pxArmando Massé MédicoAdvogadoCantautorVirgilio AcuñaLidia Lourdes DíazUma mudança profunda para o Peru, sim é possível!50x50px Partido Moradocentro|100pxMesías Guevara