Parque Nacional de Kibale () é um parque nacional no oeste do Uganda que protege uma floresta tropical úmida perene. Possui e varia entre e de altitude. Apesar de abranger principalmente floresta úmida perene, contém uma gama diversificada de paisagens.McGrew, William, et al. Great Ape Societies. Cambridge University Press, 1996. Print. Kibale é uma das últimas extensões remanescentes que ainda contém florestas de planície e de montanha. Na África Oriental, sustenta a última extensão significativa de floresta pré-montana.Moukaddem, Karimeh. "National Parks do not Contribute to Poverty, finds decade long study." Mongobay.com. 24 de agosto de 2011. n. pag. Web. 5 Out. 2011.
O parque foi declarado área protegida em 1932 e formalmente estabelecido em 1993, para proteger uma grande área florestal anteriormente administrada como reserva florestal explorada. O parque forma uma floresta contínua com o Parque Nacional Queen Elizabeth. Essa confluência cria uma extensão corredor de vida selvagem. É um importante destino de ecoturismo e safari, conhecido por sua população de chimpanzés habituados e outras doze espécies de primatas. Também abriga a Estação de Campo Biológica da Universidade Makerere.
Moradores locais e o parque Duas tribos principais, os Batooro e os Bakiga, habitam a área ao redor do parque. Eles utilizam o parque para obtenção de alimentos, combustível e outros recursos com a supervisão da Autoridade de Vida Selvagem de Uganda. No último século, a população ao redor do parque aumentou sete vezes. Especula-se que isso tenha ocorrido devido ao fato de o parque gerar renda direta para os moradores locais e a indústria do turismo criar empregos. Além disso, muitos agricultores acreditam que o solo da região é mais fértil para o cultivo durante todo o ano. Esse aumento populacional fez com que a área ao redor do parque fosse subdividida e urbanizada ou transformada em plantações e terras agrícolas. A demanda por lenha também exerce pressão sobre o habitat da vida selvagem do parque. O corte de árvores para lenha já sobrecarregou muitas das áreas florestais fora de Kibale.Hance, Jeremy. Forest Loss Occurring Around Kibale National Park in Uganda. Mongobay.com 28 de junho de 2010. n. pag. Web. 5 Out. 2011.
Biodiversidade A Floresta Nacional de Kibale possui uma das maiores diversidades e concentrações de primatas da África. É lar de um grande número de chimpanzés ameaçados de extinção, bem como do macaco colobus vermelho (ameaçado de extinção) e do raro macaco de L'Hoest (vulnerável).
miniaturadaimagem|Chimpanzé comendo figos no Parque Nacional de Kibale Existem 13 espécies de primatas no Parque Nacional de Kibale. O parque protege diversas comunidades habituadas e bem estudadas de chimpanzés-comuns, bem como várias espécies de macacos da África Central, incluindo o mangabei-de-uganda (Lophocebus ugandae), o colobo-vermelho-de-uganda (Procolobus tephrosceles) e o macaco-de-l'Hoest. Outros primatas encontrados no parque incluem o guereza-de-manto (Colobus guereza) e o macaco-azul (Cercopithecus mitis). A população de elefantes do parque transita entre Kibale e o Parque Nacional Queen Elizabeth. Outros mamíferos terrestres encontrados no Parque Nacional de Kibale incluem duíquires -vermelhos e duíqueres-azuis, bushbucks, sitatungas, javalis-do-mato, javalis-gigantes-da-floresta, javalis-africanos e búfalos-africanos. Entre os carnívoros presentes estão leopardos, gatos-dourados-africanos, servais, diferentes espécies de mangustos e duas espécies de lontras. Além disso, leões visitam o parque ocasionalmente.
direita|miniaturadaimagem|333x333px|Chimpanzé habituado no Parque Nacional de Kibale A avifauna também é abundante. O parque possui 325 espécies de aves, incluindo o cuco-de-cauda-longa-oliváceo, o barbete-ocidental, duas espécies de pitas (africana e de peito verde) e o papagaio-cinzento. O tordo-terrestre-de-Kibale (Geokichla cameronensis kibalensis) é endêmico do Parque Nacional de Kibale.
Primatas A Floresta Nacional de Kibale possui algumas das maiores abundâncias de espécies de primatas da região. Existem muitas espécies de primatas, e elas persistem nas áreas menos perturbadas da floresta, em seus habitats naturais. No entanto, há perturbações que vêm prejudicando algumas dessas espécies. Os efeitos da exploração madeireira foram estudados especificamente por alguns pesquisadores. A maioria dos estudos constata que a exploração madeireira parece ter um efeito negativo sobre as espécies, embora existam contradições. Algumas espécies de primatas ocorrem com menos frequência em áreas exploradas, enquanto outras não parecem ter sido afetadas.
Terras degradadas surgem quando o solo é desmatado para a agricultura e abandonado após alguns anos. Essas áreas estão se regenerando em ritmos diferentes, e algumas não apresentam possibilidade de regeneração. O efeito dessas terras sobre os primatas ainda é pouco conhecido, mas alguns estudos começaram a esclarecer essas relações. A maioria dos primatas está distribuída de forma relativamente uniforme por toda a floresta, independentemente da presença ou não de atividades agrícolas.
Diferentes espécies possuem dietas distintas, e muitas delas são folívoras. Um estudo descobriu que os guerezas-de-manto (Colobus guereza) consomem folhas mais jovens em vez de folhas mais velhas (acredita-se que isso ocorra porque as folhas têm maior teor de proteína e são mais fáceis de digerir).
Flora miniaturadaimagem|Parque Nacional da Floresta de Kibale Existem aproximadamente 229 espécies de árvores encontradas nas florestas tropicais úmidas do parque. Algumas espécies ameaçadas de extinção incluem Cordia millenii, Entandrophragma angolense e Lovoa swynnertonii. O sub-bosque da floresta é dominado por arbustos e ervas tolerantes à sombra, incluindo Palisota schweinfurthii e Pollia condensata, além de samambaias e gramíneas de folhas largas.
Gestão florestal Diversos estudos foram conduzidos dentro do parque para avaliar os fatores que influenciam a regeneração florestal e as técnicas de manejo. Os resultados de um desses estudos sugeriram que a restauração florestal poderia ser alcançada por meio da prevenção de incêndios dentro do parque e permitindo que a sucessão natural ocorresse, de modo que áreas de pastagem formadas devido à atividade humana pudessem se regenerar naturalmente em floresta.
Os resultados mostraram que as parcelas dentro do parque com o histórico mais longo de exclusão de fogo e maior diversidade de espécies arbóreas apresentaram maior abundância dessas espécies. Espécies arbóreas que dependem da dispersão de sementes por animais foram muito mais abundantes do que espécies sem dispersão animal na parcela com maior duração de exclusão de fogo. Isso sugere que animais dispersores de sementes também eram mais abundantes em áreas onde o fogo foi excluído. Por fim, a presença de dispersores de sementes e de espécies arbóreas com dispersão animal em algumas parcelas de pastagem sugere que a supressão de incêndios e a permissão para a dispersão natural de sementes podem estimular a regeneração florestal.
Outro estudo avaliou o uso de plantações de pinheiros e ciprestes exóticos como técnica de restauração florestal dentro do parque. O estudo mostrou um alto nível de regeneração natural de árvores nativas em plantações de pinheiros, provavelmente devido ao uso dessas plantações por animais dispersores de sementes, como macacos-de-cauda-vermelha, chimpanzés, duíquires e javalis, todos observados ou rastreados dentro dessas plantações.
Projeto de café selvagem O café Robusta cresce naturalmente na área florestal de Kibale. De 1999 a 2002, foi realizado um esforço para comercializar esse café como uma marca premium para o consumidor, emulando e ampliando o sucesso do café cultivado à sombra na América Central. A receita da produção foi destinada ao financiamento de atividades de gestão e conservação.
O financiamento inicial para o desenvolvimento do projeto veio da USAID. O projeto foi implementado com financiamento da Fundação Ford e com 750 mil dólares do Fundo Global para o Meio Ambiente, do Banco Mundial. O projeto obteve sucesso inicial ao estabelecer padrões e procedimentos locais de produção e infraestrutura de controle. Inicialmente, foi liderado pela Uganda Coffee Trade Federation, até que a Kibale Forest Foundation, uma organização independente sem fins lucrativos sediada nos Estados Unidos, foi criada para assumir o projeto.
A produção anual sustentável foi estimada em . A certificação orgânica foi fornecida pela empresa sueca de rotulagem KRAV. Posteriormente, constatou-se que não havia demanda pelo produto, pois a variedade robusta é percebida como inferior ao café arábica normalmente exigido pelo mercado premium. Vários esquemas de mistura foram rejeitados pelos distribuidores. Os líderes do projeto estimaram que seriam necessários 800 mil dólares em gastos de marketing para criar demanda.
Ligações externas
Oportunidades de pesquisa na Estação de Campo Biológica da Universidade de Makerere, Uganda Localização no Wikimapia
Categoria:Parques nacionais de Uganda Categoria:Fundações em 1993