Águeda é uma cidade portuguesa sede do Município de Águeda do Distrito de Aveiro, integrando a Região do Centro. O Município de Águeda tem de área e 46.495 habitantes em 2022, sendo o quinto município do distrito com maior população residente (apenas ultrapassado pelos municípios de Santa Maria da Feira, Aveiro, Oliveira de Azeméis e Ovar). Estatisticamente, Águeda faz parte da Região de Aveiro (NUTS III), incluida na Região Centro (NUTS II) e em Portugal Continental (NUTS I).NUTS 2013 As Novas Unidades Territoriais Para Fins Estatísticos, Instituto Nacional de Estatística, Maio de 2015 O município é limitado: a norte por Sever do Vouga; a nordeste por Oliveira de Frades e Vouzela; a leste por Tondela; a sul por Mortágua e Anadia; a sudoeste por Oliveira do Bairro; a oeste por Aveiro e a noroeste por Albergaria-a-Velha.

Além de Águeda, classificada como cidade desde 1985, o Município de Águeda engloba as vilas de Aguada de Cima, Fermentelos, Mourisca do Vouga e Valongo do Vouga (esta última elevada a 6 de agosto de 2009).

Etimologia Antes de adotar a designação do rio que a atravessa, a povoação (vila e sede de município desde 1834 e cidade desde 1985) chamava-se Casal Lausato. Tal como o afluente do Vouga, passou depois a denominar-se Agatha (ou Ágada ou Anégia, nomes latinizados do grego Agathê (Αγαθῆ), que surgem, designadamente, num documento do século XI), correspondendo ao nome da célebre mártir cristã do século III, Santa Águeda. Águeda é também o nome do rio que nasce na serra da Gata, em Espanha, e desagua no Douro, perto de Barca d'Alva.

História

Origens A história da povoação e actual cidade de Águeda foi fantasiada ao longo de séculos. Pensava-se, por exemplo, que Águeda se identificava com o oppidum lusitano-romano de Aeminium. O antigo edifício da Câmara Municipal ostentava um brasão com uma legenda que aludia a essa suposição tradicional: "A Romanis Aeminium". Sabe-se, desde finais do século XIX, que as ruínas de Aeminium se conservam sob a actual cidade de Coimbra. Igualmente sem fundamento é a identificação de Águeda com Anegia, "cidade" medieval importante identificada com a moderna Eja, no concelho de Penafiel.

Para o local onde depois se desenvolveu a aldeia de Águeda, as mais antigas referências documentais falam-nos num casal, num porto localizado junto ao rio Águeda e numa igreja Conde da Borralha, «Águeda. Subsídios para a sua História», Shell News, Aveiro, 31 de Dezembro de 1932, republicado em «Águeda (Uma Transcrição Necessária)», Arquivo do Distrito de Aveiro, vol. IV, 1938, p. 309-313. Concretamente, documentos do século XI referem a existência de um "Casal de Lausato", localizado entre Oronhe e Assequins. A fronteira entre esse casal e Assequins era definida por um pequeno curso de água que corria para o "porto de Sancta Eolalia". Já existia, assim, uma igreja de Santa Eulália, mas esta seria uma igreja localizada em local isolado. O principal centro seria Assequins, que foi sede de concelho até ao século XIX. Várias outras igrejas da região foram construídas em locais mais ou menos isolados, por exemplo a igreja de Santa Maria de Lamas, fora da vila de Vouga, a igreja de São Pedro de Avelãs de Cima, fora da vila de Avelãs de Cima, a igreja de São Vicente de Sangalhos, fora da vila de Sangalhos, etc.

Até ao século XII, o trânsito da chamada estrada mourisca passava mais para ocidente. Uma rectificação do traçado da estrada, ocorrida entre meados do século XII e inícios do século XIII, colocou a estrada a passar onde depois se formou a povoação de Águeda. Luís Seabra Lopes, "A Estrada Emínio-Talabriga-Cale: Relações com a Geografia e o Povoamento de Entre Douro e Mondego", Conimbriga, vol. 39, Universidade de Coimbra, 2000, p. 191-258. Essa rectificação do traçado da estrada terá sido acompanhada pela construção de pontes, nomeadamente no Vouga e no Águeda, as quais estão documentadas a partir da década de 1230. Luís Seabra Lopes, "A Ponte Medieval do Burgo de Vouga: uma das Grandes Pontes Construídas em Portugal no Século XIII", Al-Madan Online, 25 (1), 2022, p. 117-133.

Entretanto, as várias inquirições realizadas ao longo do século XIII, inequívocas sobre a existência de diversas povoações importantes, como Vouga, Óis, Espinhel, Recardães, Assequins, etc., guardam o mais absoluto silêncio sobre a existência de uma povoação chamada "Águeda", que só mais tarde se documentará. Luís Seabra Lopes, "A Estrada ...", cit.

Por sua vez, o Casal de Lausato do século XI nunca mais volta a ser referido. Torna-se assim arriscado estabelecer uma linha de continuidade entre o Casal de Lausato e a Águeda que aparece séculos mais tarde. O que parece seguro afirmar é que Águeda se formou na sequência da construção da ponte.

De povoação a cidade

Devido à sua fundação tardia, Águeda foi durante séculos uma simples aldeia do concelho de Aveiro, aliás com uma franja a oriente que pertencia ao concelho de Assequins. Águeda era uma simples aldeia, no entanto foi-se afirmando gradualmente como uma aldeia importante, grande e rica. Na idade média, os concelhos mais importantes nesta região eram Vouga, tendencialmente em decadência, e Aveiro, em ascensão.

No território que formou o moderno concelho de Águeda, existiam outros concelhos, entre os quais se destacavam, além do de Vouga, os de Óis da Ribeira, Recardães e Assequins.

A sua posição viária estratégica tornou-a um importante ponto de apoio do caminho de Santiago, tradição que mantém até hoje. Na sua albergaria ter-se-á recolhido em 1325 Rainha Santa Isabel, quando se dirigia em peregrinação para Santiago de Compostela.

Apesar de ser povoação próspera e de seus moradores terem diversos privilégios, como testemunham os procuradores de Aveiro nas Cortes de Évora em 1451, Águeda não recebeu foral próprio. D. Manuel I incluiu Águeda no foral concedido a Aveiro, em 1515. Assequins, povoação actualmente incluída na cidade, recebeu foral próprio de D. Manuel I.

Em 1834, Águeda ascende à categoria de sede de concelho por consequência da revolução liberal, sendo esta reforma administrativa atribuída à sua capital importância na estratégia político-militar da resistência à 2ª invasão francesa (a localidade possuía um hospital militar que socorria os feridos provenientes das batalhas).

Já no século XX, Águeda testemunha um dos seus acontecimentos mais marcantes: a Batalha (ou Combate) das Barreiras. O confronto deu-se a 27 de janeiro de 1919, dia em que um grupo de republicanos, apoiados por militares, derrotaram na zona das Barreiras (norte de Águeda) as tropas comandadas pelo monárquico Paiva Couceiro, que vinham do Norte e avançavam para Coimbra.

No dia 8 de julho de 1985, a vila de Águeda é elevada à categoria de cidade. Desde então tem experimentado um franco desenvolvimento económico e social, com altos e baixos, sendo uma das cidades mais industrializadas do país.

Freguesias thumb|esquerda|Atuais freguesias (ou uniões de freguesias) do município de Águeda. O município de Águeda subdivide-se em 15 freguesias ou uniões de freguesias (após a reorganização administrativa de 2025):

Agadão Aguada de Baixo Aguada de Cima Águeda (sede municipal) Barrô Belazaima do Chão Borralha Castanheira do Vouga Fermentelos Macinhata do Vouga Préstimo e Macieira de Alcoba Recardães e Espinhel Travassô e Óis da Ribeira Trofa, Segadães e Lamas do Vouga Valongo do Vouga

Economia

Indústria A principal atividade económica de Águeda é a indústria, que viveu os seus "tempos dourados" nas décadas de 1970 e 1980 com uma intensa produção de ciclomotores e bicicletas, valendo-lhe o epíteto de "Capital da Bicicleta". Adquiriu também a fama de "terra das ferragens" por ser este o seu segundo setor industrial mais privilegiado.

Nos anos ´90, começaram a falir algumas das fábricas mais importantes do município e, desde então, Águeda vive tempos mais depressivos no que diz respeito ao ramo industrial. No início do novo milénio, perdeu ainda algumas fábricas para os municípios vizinhos de Tondela e Oliveira de Frades, que se tornaram dois polos industriais dinâmicos na região.

Ainda assim, o município tem tentado recuperar alguma da sua importância neste setor, sendo exemplo desta revitalização o Parque Empresarial do Casarão. Inaugurado em 2017 e com uma área total de 1.640.072 m², o parque é fruto de um investimento aproximado de 5 milhões de euros da Câmara Municipal, acolhendo algumas empresas da indústria das duas rodas.

Águeda dispõe ainda de uma incubadora de empresas a funcionar desde 2014, um laboratório de inovação e desenvolvimento criativo (Águeda Living Lab) e um laboratório de inovação e pesquisa em novas tecnologias e aplicações na área da iluminação (Lighting Living Lab), um dos setores onde a indústria aguedense mais tem apostado recentemente. Comércio A atividade comercial de Águeda assume um relativo destaque, sendo dominante em grande parte das freguesias e núcleos urbanos. Desde a pandemia de COVID-19, a autarquia de Águeda promove uma campanha anual para dinamizar o comércio local. Nas compras efetuadas nos estabelecimentos aderentes, o cliente tem direito a cupões de participação consoante o valor das suas compras, que, depois de devidamente preenchidos, são colocados numa tômbola e posteriormente sorteados. Após o sorteio, são atribuídos vales de compras que só podem ser utilizados novamente nos estabelecimentos de comércio local aderentes.

Agricultura A agricultura - principalmente do milho, da fruta e da vinha - e a extração florestal têm também um papel importante na economia local de Águeda, principalmente nas freguesias onde predominam as áreas rurais, como Lamas do Vouga, Préstimo e Belazaima do Chão. Curiosamente, no brasão municipal, estas atividades surgem representadas pelas uvas de ouro e os dois pinheiros, a par com a roda dentada (símbolo da indústria) e o rio (Águeda, afluente do Vouga).

População <small> Distribuição da população do município de Águeda por freguesia (Censos de 2021, INE): Freguesia De 0 a 14 anos De 15 a 24 anos De 25 a 64 anos 65 ou mais anos População total(Censo de 2021) H M Total H M Total H M Total H M Total H M Total Aguada de Cima 251 246 497 196 206 402 995 1075 2070 414 511 925 1856 2038 3894 Fermentelos 184 176 360 161 154 315 774 814 1588 342 423 765 1461 1567 3028 Macinhata do Vouga 218 177 395 137 148 285 798 831 1629 417 484 901 1570 1640 3210 Valongo do Vouga 289 251 540 228 225 453 1187 1209 2396 565 683 1248 2269 2368 4637 Águeda e Borralha 918 839 1757 713 720 1433 3526 3804 7330 1396 1794 3190 6553 7157 13710 Barrô e Aguada de Baixo 156 160 316 136 137 273 789 807 1596 395 508 903 1476 1612 3088 Belazaima do Chão, Castanheira do Vouga e Agadão 72 60 132 63 75 138 332 342 674 199 273 472 666 750 1416 Recardães e Espinhel 322 329 651 289 258 547 1456 1600 3056 691 814 1505 2758 3001 5759 Travassô e Óis da Ribeira 134 124 258 93 93 186 542 580 1122 287 351 638 1056 1148 2204 Trofa, Segadães e Lamas do Vouga 294 294 588 208 229 437 1134 1247 2381 503 573 1076 2139 2343 4482 Préstimo e Macieira de Alcoba 37 26 63 25 29 54 175 171 346 87 153 240 324 379 703 Total 2875 2682 5557 2249 2274 4523 11708 12480 24188 5296 6567 11863 22128 24003 46131

Evolução da população residente no município (resultados definitivos dos Recenseamentos Gerais da População disponibilizados pelo Instituto Nacional de Estatística no site www.ine.pt)' Número de habitantes residentes 1864 1878 1890 1900 1911 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1981 1991 2001 2011 2021 18.889 20.004 20.164 20.416 22.052 22.559 25.982 29.433 32.991 35.274 36.968 43.216 44.045 49.041 47.729 46 119

(Obs.: Os dados relativos aos recenseamentos de 1864 a 2011 referem-se ao habitantes que tinham a residência oficial neste município à data em que eles se realizaram.)