thumb|Retrato de Maria Clara da Cunha Santos Maria Clara Vilhena da Cunha Santos (Pelotas, Rio Grande do Sul, 15 de novembro de 1866 - Rio de Janeiro, 23 de outubro de 1911) foi uma poetisa, contista, cronista, jornalista, crítica de arte, artista plástica e musicista brasileira. Atuou de forma destacada na vida intelectual e cultural brasileira do final do século XIX e início do século XX, com intensa participação na imprensa periódica e na crítica de arte, especialmente por meio da revista A Mensageira.VASCONCELLOS, Eliane. Maria Clara Vilhena da Cunha Santos. In: MUZART, Zahidé Lupinacci (org.). Escritoras brasileiras do século XIX: antologia. v. II. Florianópolis: Editora Mulheres, 2004, p. 350–385.NEVES, Maria Alciene. Os Brilhantes brutos de Maria Clara da Cunha Santos. Tese (Mestrado), Programa de pós-graduação em Letras da Universidade Federal de São José del-Rei, 2009. Disponível em: https://ufsj.edu.br/portal-repositorio/File/mestletras/DISSERTACOES/OS_BRILHANTES_BRUTOS_DE_MARIA_CLARA_DA_CUNHA.pdf. Acesso em: 27 de dezembro de 2025

Biografia Maria Clara Vilhena da Cunha Santos nasceu em Pelotas, no Rio Grande do Sul, filha de João Vieira da Cunha, magistrado e juiz de Direito, e de Cecília Alcântara Vilhena da Cunha, pertencente a uma tradicional família mineira. Em razão da carreira do pai, residiu em Alfenas, Minas Gerais, onde realizou parte de sua formação.CABRAL, Ana Cláudia de Moura. OS ESCRITOS SOBRE ARTE DE MARIA CLARA DA CUNHA SANTOS NA REVISTA A MENSAGEIRA (1897 – 1900): diálogos possíveis. 2023. 223 f. Tese (Doutorado) - Curso de Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais do Instituto de Artes da Ufrgs, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2023.

Posteriormente, fixou-se de forma definitiva na então capital federal, no bairro da Tijuca, onde desenvolveu uma trajetória intelectual marcada pela atuação simultânea na literatura, nas artes e na música.

Casou-se com o engenheiro civil José Américo dos Santos, passando a assinar seus textos com o nome de casada. Ambos foram atuantes no movimento abolicionista, sendo José Américo membro da Confederação Abolicionista do Rio de Janeiro. Maria Clara faleceu no Rio de Janeiro, em 23 de outubro de 1911.FANGUEIRO, Maria do Sameiro. Maria Clara da Cunha Santos. 2025. BNDigital. Disponível em: https://bndigital.bn.gov.br/dossies/periodicos-literatura/personagens-periodicos-literatura/maria-clara-da-cunha-santos/. Acesso em: 27 dez. 2025.

Atuação intelectual e cultural esquerda|miniaturadaimagem|Reprodução da obra Marinha (Praia de Santa Luzia), de Maria Clara da Cunha Santos, Catálogo Ilustrado da IX Exposição Geral, Escola Nacional de Bellas-Artes, 1902. Maria Clara destacou-se por uma atuação intelectual multifacetada. Desenvolveu atividades na literatura, na música e nas artes plásticas, participando de saraus, concertos e exposições, além de colaborar de forma contínua na imprensa.

No campo musical, foi reconhecida como cantora, violinista e pianista, participando de eventos públicos e apresentações registradas pela imprensa do período. Sua formação musical alinhava-se aos padrões educacionais destinados às mulheres das camadas sociais abastadas, nos quais o domínio de instrumentos e de línguas estrangeiras ocupava papel central.

Como artista plástica, participou de exposições na Escola Nacional de Belas Artes, apresentando, entre outros trabalhos, o quadro Meu gabinete, exibido em 1897. Sua produção recebeu apreciações favoráveis em periódicos especializados. Na pintura, era considerada discípula de Adolfo Malevolti.

Imprensa e crítica de arte Maria Clara teve atuação destacada no jornalismo e na crítica de arte. Colaborou com diversos periódicos, entre eles A Estação (1889), Rua do Ouvidor (1898-1904), A Semana (1885-1888 / 1893-1895), Gazeta de Notícias, O País, Tribuna Liberal, Correio da Tarde, O Lyrio, Jornal do Brasil e A Família.

Entre 1897 e 1899, manteve a coluna quinzenal "Carta do Rio" na revista A Mensageira, atuando como correspondente da capital federal. Nessa coluna, transitou entre a crônica, o comentário cultural, conto, notícias e a crítica de arte, articulando observações sobre exposições, artistas e a vida cultural carioca.

Obra A produção literária de Maria Clara Vilhena da Cunha Santos abrangeu diferentes gêneros, incluindo poesia, conto, crônica, textos de viagem e conferências. Além das publicações em livro, produziu uma vasta quantidade de textos dispersos na imprensa periódica, especialmente crônicas e críticas culturais.

Lista de obras Pirilampos e Rumorejos. Rio de Janeiro: Tip. Lit. de Carlos Gaspar da Silva, 1890. Prefácio de Adelina Lopes Vieira. (Poesia) Painéis. Rio de Janeiro: Jornal do Commercio, 1902, (Contos) América e Europa. Rio de Janeiro: Instituto Profissional Masculino, 1908. (Crônicas de viagem) A alegria e o bom humor. (Conferência)

Referências

Categoria:Escritoras do Brasil Categoria:Naturais de Pelotas