A História de Soure, um município brasileiro da Região Norte do país, sendo capital informal da Ilha de Marajó, tem suas origens voltadas a meados do século XVII.
Século XVII A região onde se localiza o atual município de Soure era originalmente habitada pelos índios maruanazes, que ocupavam áreas do leste da então chamada ilha Grande de Joanes. A partir do século XVII, missionários religiosos passaram a atuar na região com o objetivo de catequização indígena e pacificação dos conflitos entre nativos e colonizadores portugueses.
Em 1653, o padre Antônio Vieira chegou a Santa Maria de Belém do Grão-Pará, acompanhado de outros missionários jesuítas, com poderes régios para intervir nas guerras entre portugueses e indígenas, sobretudo na ilha Grande de Joanes. Após negociações com as populações locais, foi autorizado a fundar o povoado de Joanes, onde ocorreu a concentração de um grande número de indígenas para a formalização de acordos de paz.
Durante a segunda metade do século XVII, diversas ordens religiosas — entre elas jesuítas, carmelitas, mercedários e capuchos de Santo Antônio — estabeleceram missões na ilha Grande de Joanes. Além da catequização, essas ordens tiveram papel relevante na introdução da pecuária e na organização da pesca, atividades que se tornaram fundamentais para o abastecimento de Belém.
A ilha foi doada pela Coroa portuguesa em 23 de dezembro de 1665, no reinado de D. João IV, permitindo a concessão de sesmarias a religiosos e particulares. A partir desse período, instalaram-se diversas feitorias de pesca ao longo do litoral oriental da ilha, especialmente nas áreas correspondentes ao atual território de Soure, como as regiões do Cambu, Cajuúna, Araruna e Maguari.
Produtos como a tainha, o pirarucu e a tartaruga passaram a ter grande importância econômica, sendo utilizados tanto para alimentação quanto como forma de pagamento em transações comerciais e administrativas.
Século XVIII No início do século XVIII, especialmente a partir de 1702, foram fundadas aldeias missionárias em áreas mais elevadas da ilha, visando à fixação indígena e à produção agrícola e pesqueira. Entre elas destacaram-se as aldeias de Menino Jesus, formada majoritariamente por indígenas maruanazes, e São Francisco Xavier.
Em 1737, durante o governo interino de Antônio Duarte de Barros, essas aldeias foram elevadas à categoria de freguesias. A freguesia de Menino Jesus ficou sob responsabilidade dos franciscanos de Santo Antônio, enquanto São Francisco Xavier passou à administração dos capuchos de São Boaventura. Outras aldeias da região também foram institucionalizadas nesse período.
A incorporação definitiva da ilha Grande de Joanes à Coroa portuguesa ocorreu em 29 de abril de 1754, por meio de Carta Régia, durante o governo de Francisco Xavier de Mendonça Furtado. No contexto das reformas administrativas do período pombalino, foi decretada, em 1755, a lei de liberdade dos índios e instituído o Diretório dos Índios, que promoveu a transformação de aldeias em freguesias e vilas.
Em 1757, a freguesia do Menino Deus foi elevada à vila de Soure, adquirindo autonomia administrativa. No mesmo ano, a ilha Grande de Joanes passou a ser denominada ilha do Marajó, termo de origem tupi (imbara-yó, "barreira do mar"). Também nesse contexto, localidades receberam denominações portuguesas, como Soure, Salvaterra, Monsarás e Condeixa, em referência a cidades de Portugal.
Ao longo do final do século XVIII, Soure consolidou-se como importante centro de produção pesqueira, responsável por parte significativa do abastecimento de Belém. Em 1786, foi instalado o Pesqueiro Real, ampliando a produção de tainha e outros peixes. No início do século XIX, esse estabelecimento passou a ser denominado Pesqueiro Nacional.
Século XIX Apesar da importância econômica, o município enfrentou crises decorrentes de epidemias, conflitos e redução da mão de obra indígena. Em razão desse declínio, o Conselho da Província do Pará determinou, em 1833, a extinção da vila de Soure, com anexação de seu território ao município de Monsarás.
A Lei Provincial nº 138, de 9 de novembro de 1847, restaurou o predicamento de vila, mas a efetiva reinstalação do município ocorreu apenas em 20 de janeiro de 1859, após eleições e posse da nova Câmara Municipal.
Em 1881 o então governador da Província do Grão-Pará, José Coelho da Gama e Abreu, Barão de Marajó, contrata o engenheiro geográfico e civil, bacharel em ciências física e matemática, Aarão Leal de Carvalho Reis, para elaborar o projeto da cidade de Soure. Após o planejamento, foi posto em obras, o planejamento era semelhante a Nova Iorque, com formato xadrez, Soure inicialmente tinha sete ruas e cinco travessas, o resto era mata fechada, cortada por caminhos públicos que levavam a diversos lugares no município.
Em 1888, por solicitação de Irineu Evangelista de Sousa (Visconde de Mauá), junto ao governo, foi instalado o primeiro farol de sinalização náutica no município de Soure, precisamente na ponta do Garrote, na praia de Mata-Fome.
Em 1889, era inaugurado o prédio da igreja matriz, dedicado ao menino Deus, erguido na rua visconde do Rio Branco (3ª rua), com uma expressão arquitetônica bem comum à época.
Com a Proclamação da República, em 1890, a Câmara Municipal de Soure foi dissolvida, sendo criado um Conselho de Intendência Municipal. Ainda nesse ano, pelo Decreto nº 194, de 19 de setembro de 1890, Soure foi elevada à categoria de cidade.
Em 1894, com a extinção do município de Monsarás, Soure teve seu território ampliado. Ao longo do século XX, ocorreram novos ajustes territoriais.
Em 27 de abril de 1896, o então governador Lauro Sodré, assinava a lei nº 383, autorizando a auxiliar a intendência municipal de Soure com a quantia de quinze milhões de réis para a construção de uma cadeia e um quartel para a polícia rural na cidade. A autorização foi emergencial, devido a recorrentes roubos de gado.
Lauro Sodré, nome-ou Dr. José Ferreira Teixeira, juiz de direito do Amapá, como chefe de polícia do Marajó. O novo chefe de polícia, imediatamente criou a polícia rural, instalado-o no quartel general de Soure, atual parque de exposição Dr. Irval Lobato, o mesmo ficou no cargo até 1898.
Século XX No início do Século XX, é demolida a igreja de pedra, dedicada ao Menino Deus (Paróquia), construída pelos padres Franciscanos de Santo Antônio; à expulsão do padre Jean Crolet, o qual chegando junto ao bispo em Belém, relatou o ocorrido no município. Como reação, o religioso excomungou os líderes da destruição.
Nesse final de século, Soure já contava com uma única escola isolada, dirigida pelo professor Olímpio de Lemos Pinto. O governador do Estado, Dr. José Pais de Carvalho, através do decreto nº 867, de 28 de junho de 1900, extinguiu as escolas isoladas em território paraense e criou os Grupos Escolares, o que deu origem a extinção da escola de Soure.
Com essa reforma, foi inaugurado na cidade de Soure, o primeiro estabelecimento de ensino, precisamente, no dia 1 de agosto de 1900, com o nome de Grupo Escolar Júlio César, localizado na 2ª Rua com a travessa 16, em um prédio particular adaptado, hoje antigo prédio de uma loja denominada "Celeste Variedades". Esse grupo era mantido pelo Estado e tinha a frequência inicial de 248 alunos. Foi seu primeiro diretor normalista, o professor Gasparino Batista da Silva. Além do Grupo havia mais duas escolas primárias para cada sexo e três escolas mistas regularmente frequentadas.
No dia 30 de agosto desse mesmo ano, chegava à Belém, no cruzador Atlanta para visita oficial de cinco dias no Pará, o Ministro Plenipotenciário dos Estados Unidos da América, senhor Charles Lage Bryan. Em companhia do Dr. Augusto Montenegro, governador do Estado e Antônio Lemos, intendente municipal de Belém, viajam em uma embarcação, denominada Campos Sales. Após navegarem pela baía do Guajará e Marajó, visitam o arquipélago, desembarcando na cidade de Soure.
Nesse início de século, a população funda a primeira sociedade beneficente, chamada de Santíssima Trindade, com sede na 5ª rua, entre travessas 14 e 15, tendo como presidente, Eugênio Messias de Vasconcelos e como secretária Lula Pena. A sociedade foi extinta em 1902.
Em 1912, é fundada por Daniel Berg e Gunnar Vingren, fundam a Assembleia de Deus em Soure, sendo uma das primeiras no Brasil, os pastores permancermaceram oito meses em Soure, depois de irem embora, a Assembléia ficou na administração de Isidoro Filho.
Em 20 de janeiro de 1918, era fundada a primeira Colônia de Pescadores no Pará, precisamente no município de Soure.
Em 9 de junho de 1919, foi criado em Soure, a primeira agremiação futebolística, o Marajó Esporte Clube.
Em 7 de setembro de 1922, foi inaugurado, a praça da Independência do Brasil e um obelisco, simbolizando os cem anos da independência do Brasil.
O então Intendente Antônio da Cunha Mendes, com o apoio do governo estadual, e do então presidente do senado Cypriano José dos Santos, construiu o primeiro mercado municipal de Soure, em 1923, com estilo semelhante ao francês. Esse mercado foi destruído e pegou fogo em 1989, sendo reconstruído.
Com a construção do mercado municipal no local onde funcionava o cemitério de Soure, o mesmo foi transferido para outra parte da cidade, as margens do caminho que começava na 3ª rua e chegava até o retiro Meu Sossego.
No dia 7 de setembro de 1925, foi criado na cidade de Soure o Reação Esporte Clube, uma entidade desportiva, conhecida como Leão Azul do Marajó.
Antes de 1890, o combustível utilizado para o sistema de iluminação nas casas era a queima do azeite e o sebo. Em 1890, foi introduzido uma iluminação com lampiões que funcionavam a carbureto e eram colocados nas fachadas das casas, em horário reduzido, geralmente no início da noite. Em 26 de fevereiro de 1926, foi inaugurado o sistema de energia elétrica, com motores a vapor. A usina era localizada na 2ª Rua com a travessa 16, sob a responsabilidade de Joaquim Corrêa e Marcionilo Pereira da Silva.
Em 1927, a família real brasileira, visitava a cidade de Soure, a frente de Dom Pedro de Orleans e Bragança, neto de Dom Pedro II, em sua companhia a esposa Elizabeth e a filha Izabel.
Em 14 de abril de 1928, o papa Pio X, assinou a bula Romanus Pontifex, criado a Prelazia de Marajó, tendo como sede o município de Soure, dando responsabilidade aos Agostinianos Recoletos, sendo indicado Gregório Alonso Aparicio o seu primeiro prelado.
Gregório Alonso mudou o nome da única igreja existente na cidade dedicada ao Menino Deus, localizada na 3ª rua, igreja matriz, a qual passou a se chamar de Nossa Senhora de Nazaré.
O mesmo construiu um monumento representando a Cruz de Jesus, em comemoração dos 25 anos de atividades dos Agostinianos na Prelazia.
Em 21 de agosto de 1929, foi instalado no município, uma estação meteorológica, na PA-154, sendo os resultados transmitidos todos os dias, por Ramiro Coutinho. Atualmente o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), conserva a Estação Metrológica Principal, localizada na 6ª rua, com a Travessa 14.
Em 1930, Rogério Lorenzo constrói em Soure, a Casa Santos, sendo a primeira hospedaria, localizada na 4ª Rua esquina com a Travessa 16, onde passou a ser o principal ponto de encontro da cidade.
Ainda nesse ano chegava em Soure, o juíz de direto Raul Braga, proprietário de cinemas em diversas cidades, construiu o primeiro cinema em Soure, na 3ª rua, entre travessas 16 e 17. Com a ida do juiz para outro local em 1935, o cinema foi adquirido por Augusto Gouvêa que em seguida adquiriu Armando Monteiro e em virtude de falta de recursos financeiros, foi obrigado a fechar.
Em 1930 o Grupo Escolar Júlio César, passa a se chamar Grupo Escolar de Soure, sob direção da professora Joaquina de Castro Tavares, que funcionou até 1933.