Conrado Jacó de Niemeyer (Nova Iguaçu, 31 de maio de 1842 - Rio de Janeiro, 5 de novembro de 1919) foi um comerciante e industrial brasileiro. Foi o idealizador, um dos fundadores e principal figura do Clube de Engenharia, que contribuiu para a modernização da engenharia brasileira e exerceu grande influência na definição de políticas governamentais e desenvolvimento de projetos de urbanismo e infraestrutura. Foi sócio ou diretor de diversas empresas, e sua trajetória também está ligada ao desenvolvimento do bairro carioca de São Conrado, que tem este nome por sua causa, assim como a Avenida Niemeyer.
Biografia Família Descendente de Conrad Heinrich von Niemeyer, membro de uma antiga família alemã de Hanôver, que desde meados do século XVIII estava empregada no serviço do rei de Portugal, Conrado Jacó nasceu em 31 de maio de 1842 na Serra do Tinguá, na vila de Iguaçu, hoje Nova Iguaçu, filho dos primos Joaquim Carlos de Niemeyer, empresário, e Ana Vitorina Mendonça de Niemeyer, irmã do engenheiro militar e governador do Amazonas homônimo, Conrado Jacó de Niemeyer.d'Azevedo, Ricardo Charters. A estrada de Rio Maior a Leiria em 1791. Textiverso, 2011, pp. 32-34; 142Atique, Fernando. "As engenharias do não engenheiro: Conrado Jacob de Niemeyer e o Clube de Engenharia do Rio de Janeiro em perspectiva transnacional (1880-1919)". In: Tempo, 2021; 27 (3) Foi casado com Maria Furtunata da Cunha, com quem teve os filhos Maria Conrado, Carlos Conrado, Antônio Conrado, Conrado Henrique, Alfredo Conrado, Henrique Conrado, Álvaro Conrado, Francisca Conrado, Luísa Conrado, Olga Conrado e Alberto Conrado. O destacado arquiteto Oscar Niemeyer é seu sobrinho-neto.
Carreira Entre 1860 e 1862 cursou engenharia na Escola Central do Rio de Janeiro, e muitas vezes é chamado de engenheiro na bibliografia e na imprensa, mas não chegou a se graduar, abandonando os estudos quando a família entrou em uma crise financeira, passando a trabalhar como desenhista técnico da Estrada de Ferro Pedro II. Depois empregou-se como contabilista da Casa Soares & Irmãos, da qual tornou-se sócio diretor em 1873, junto com Júlio Mateus dos Santos e Nicolau Henrique Soares, quando a firma mudou sua razão social para Soares e Niemeyer, com um capital de mais de 62 contos de réis. A firma veio a se tornar uma das maiores fornecedoras de papelaria e materiais de escritório para os escritórios técnicos do Rio de Janeiro, ganhando grande prestígio, além de comercializar material de engenharia e publicar trabalhos técnicos de geógrafos, engenheiros militares, contabilistas e engenheiros civis. A Casa Soares e Niemeyer tornou-se um ponto de encontro de engenheiros, empresários e outros profissionais, e em função desses contatos, Niemeyer lançou a ideia da fundação de uma associação de classe, o Clube de Engenharia, fundado em 24 de dezembro de 1880 na própria Casa Soares e Niemeyer.
No discurso de fundação, Niemeyer destacou a importância da criação de uma entidade estável que congregasse técnicos e empresários, considerada fundamental para o "engrandecimento do país" e a "organização das bases da sociedade", e também para a promoção dos interesses econômicos da classe.Rodrigues, Fernanda Barbosa dos Reis. Os engenheiros tomam partido: trajetórias e transformações no Clube de Engenharia (1874-1910). Universidade Federal Fluminense, 2017, p. 98 Niemeyer fez intensa divulgação da iniciativa, foi responsável pela entrada de quase uma centena de sócios entre 1881 e 1918, participou do Conselho Diretor, ocupou o cargo de tesoureiro por mais de trinta anos, e foi a figura de maior destaque na associação até sua morte."Clube de Engenharia". In: Joffily, Bernardo et al (eds.). Atlas Histórico do Brasil. Fundação Getúlio Vargas, 2023
O Clube incentivou a participação de empresários estrangeiros, e segundo Fernando Atique, reuniu uma série de agentes "ávidos por uma ampliação das concessões de serviços públicos territoriais e urbanos e, em tempos de liberalismo, a presença de empresas com capital estrangeiro era vista como algo a ser incentivado, pois favoreceria o enriquecimento pessoal, a projeção profissional e o desenvolvimento de atividades de infraestruturação no território nacional".
O Clube não se imitou à esfera dos negócios. Promoveu um intenso intercâmbio técnico e científico que contribuiu para a modernização do campo no Brasil, organizando grupos de estudos, seminários e debates, lançando uma revista especializada, e publicando uma série de textos e discursos que buscavam ampliar o espaço de atuação dos engenheiros. Tornou-se a principal instância consultiva do governo para resolução de problemas tecnológicos e colaboração em projetos de construção de ferrovias, saneamento, urbanização, eletrificação e combate às secas, e foi a primeira associação sul-americana a promover, nas palavras de Atique, "o desenvolvimento de uma política modernizadora a partir das profissões ligadas à tecnologia e ao espaço. Sua ação era, então, a de uma alavanca para o progresso, ou, em outras palavras, de uma entidade capaz de pautar as ações de desenvolvimento desejáveis à seara dos industriais e dos engenheiros".
A participação nos quadros do Clube de dezenas de profissionais que tiveram relevante atuação política como vereadores, prefeitos, deputados, senadores e governadores de estados, estreitou seus laços com o poder e ampliou seus meios de influenciar decisões governamentais e fabricar consensos na sociedade civil.Marinho, Pedro Eduardo Mesquita de Monteiro. "Linhagens da engenharia civil brasileira: associação, tecnologia e política". In: Revista Brasileira de História da Ciência, 2018; 11 (1): 21-36 Para Felipe Martins dos Santos, o Clube foi "uma importante instituição de classe ativa na elaboração de políticas públicas com fins ao desenvolvimento urbano-industrial brasileiro", acrescentando que "a participação dos engenheiros na elaboração sistemática de pautas infraestruturais evidencia a adesão inconteste ao projeto formulado pela assim chamada burguesia industrial, [...] pois seus sócios não eram apenas engenheiros comprometidos com os interesses da burguesia industrial, mas [eram] a própria burguesia".Santos, Felipe Eduardo Martins dos. "Apontamento sobre a posição e organização do Clube de Engenharia na década de 1930". In: TexTos e DebaTes, 2021; 27 (2)
Depois da fundação do Clube, Niemeyer expandiu seu âmbito de atuação. Foi diretor secretário do Moinho Fluminense, fez parte dos conselhos fiscais do Banco do Brasil e da Companhia de Carris Jardim Botânico, participou da fundação e foi diretor e tesoureiro da Empresa Industrial de Melhoramentos no Brasil, interessada em empreendimentos ferroviários, projetos de colonização e remodelação urbana do Rio de Janeiro, e em 1917 foi sócio fundador da Companhia Brasileira Carbonífera de Araranguá, em Santa Catarina.Marinho, Pedro Eduardo Mesquita de Monteiro. "Companhia Estrada de Ferro D. Pedro II: a grande escola prática da nascente Engenharia Civil no Brasil oitocentista". In: Topoi, 2015; 16 (30): 203-233Kessel, Carlos. A Vitrine e o Espelho: O Rio de Janeiro de Carlos Sampaio. Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, 2001, p. 2
Adquiriu muitas terras na Praia da Gávea entre 1892 e 1893, e desde pelo menos 1900, em parceria com Vítor da Silva Freire, começou o loteamento na área. Em 1903 construiu a Igreja de São Conrado, numa referência a si próprio, que deu nome ao bairro carioca de São Conrado, criado pelo desmembramento de terras da Gávea.Sato, Leonardo Seiichi Sasada. Terras criadas, direitos inventados: A construção do Direito de propriedade em meio à expansão urbana do Rio de Janeiro (Copacabana, 1891 -1916). Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, 2010, p. 78 A necessidade de criar vias de acesso determinou a abertura da Avenida Niemeyer, doando os terrenos e financiando a obra, inaugurada em 1916 e batizada em sua homenagem.Lessa, Mônica. "Avenida Niemeyer: piquenique nos anos 20, corrida de baratinha, Vidigal e ciclovia". O Globo, 18 de outubro de 2016 Galdo, Rafael. "Agora centenária, Avenida Niemeyer mantém charme e glamour". O Globo, 20 de outubro de 2016 Foi o executor do testamento de André Rebouças, de quem era íntimo amigo.Nalini, José Renato. "André Rebouças e a lealdade". Academia Paulista de Letras, 27 de fevereiro de 2024 Foi incluído na lista de sócios beneméritos do Clube de Engenharia, que ainda está em atividade,"Sócios Beneméritos". Clube de Engenharia, consulta em 21 de abril de 2016 e deu seu nome para a Rua Conrado Niemeyer, em Copacabana, aberta em terras da sua família.
Ver também
História da cidade do Rio de Janeiro
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