Bateaux-mouches sur la Seine (em português: Bateaux-mouches no Sena) é um curta-metragem mudo francês de 1896, dirigido e produzido por Georges Méliès. Registrado com o número 16 no catálogo da Star Film, o filme é atualmente considerado presumidamente perdido. No catálogo norte-americano, o título foi traduzido como Steamboats on the Seine. Trata-se de um actuality film — registro documental de uma cena cotidiana filmada em Paris — que provavelmente mostrava os bateaux-mouches navegando pelo rio Sena, então ainda utilizados como meio de transporte público pelos parisienses.

Contexto

Em 1896, Méliès rodou seus primeiros filmes com sua câmera artesanal, exibindo-os no Théâtre Robert-Houdin, em Paris. O catálogo da Star Film, fundada naquele mesmo ano, numerava cada título de acordo com a ordem de produção, com cada número correspondendo a aproximadamente 20 metros de negativo.

Bateaux-mouches sur la Seine é o décimo sexto título do catálogo, inserido entre Défense d'afficher (nº 15) e Place de l'Opéra (nº 17). O filme integra a fase de actuality films — cenas cotidianas captadas com câmera fixa, no estilo documental praticado pelos Irmãos Lumière — que Méliès produziu nos primeiros anos de atividade, antes de se consagrar pelos efeitos especiais e pelos trick films. A escolha do tema fluvial também ecoa influências diretas dos Lumière, que haviam já filmado barcos no porto de La Ciotat; Méliès retornaria ao Sena em outros títulos do mesmo período, como Déchargement de bateaux (nº 27) e em duas curtas rodadas às margens do rio para a série Paris Exposition, 1900.

Os bateaux-mouches em 1896

Os bateaux-mouches são embarcações de passageiros que circulam pelo rio Sena, em Paris. O nome tem origem no bairro lyonês de La Mouche, onde, nos anos 1860, o construtor naval Michel Félizat instalou seus estaleiros às margens do Saône. As embarcações produzidas ali ficaram conhecidas como bateaux-mouches — os barcos da Mouche. Em 1867, por iniciativa do empresário Plasson, cerca de trinta dessas embarcações foram transportadas a Paris para a Exposição Universal de 1867, onde passaram a transladar visitantes pelo Sena com grande sucesso, transportando 2,5 milhões de passageiros naquele único ano.

Após o encerramento da Exposição, os bateaux-mouches permaneceram como serviço regular de transporte fluvial parisiense — um meio popular, rápido e barato para atravessar a cidade. Em 1896, quando Méliès os filmou, os barcos ainda estavam em plena atividade, integrando o cotidiano urbano do Sena. Seriam progressivamente abandonados após julho de 1900, com a inauguração do Metrô de Paris, que se tornou o meio de transporte predominante da capital. Seria necessário aguardar até 1949, quando o empresário Jean Bruel adquiriu um dos últimos vapores da Exposição Universal de 1900 e fundou a Compagnie des Bateaux-Mouches®, para que as embarcações retornassem ao Sena — desta vez como atração turística.

Preservação

Bateaux-mouches sur la Seine é atualmente considerado um filme presumidamente perdido: nenhuma cópia é conhecida por ter sobrevivido. A perda é atribuída à destruição deliberada que o próprio Méliès promoveu em 1923, quando, em meio à ruína financeira, fundiu os negativos de grande parte de sua coleção para recuperar a prata contida na emulsão, e à fragilidade das películas de nitrato de celulose da época. De aproximadamente 520 filmes que Méliès dirigiu entre 1896 e 1912, estima-se que apenas 231 cópias chegaram à atualidade em alguma forma — e os títulos de 1896, o primeiro ano de produção, são particularmente raros.

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