Luciana Gonçalves de Novaes (Nilópolis, – Rio de Janeiro, ) foi uma política filiada ao Partido dos Trabalhadores (PT), eleita três vezes como vereadora na cidade do Rio de Janeiro, notória por sua atuação legislativa pelas pessoas com deficiência (PCDs).
Biografia Em 5 de maio de 2003, Luciana Novaes, então com 19 anos, aluna do curso de enfermagem na Universidade Estácio de Sá, no campus do Rio Comprido, localizado na Zona Central do Rio de Janeiro, foi atingida por uma bala perdida no rosto no intervalo entre as aulas. O tiro foi supostamente disparado por traficantes do Morro do Turano, em retaliação à morte de um comparsa. Eles haviam decretado um toque de recolher, não obedecido pela instituição. O caso foi capa dos jornais, tais como o Jornal do Brasil. Após Luciana ter sido atingida, a instituição fechou as portas naquele dia, apesar de protestos do então secretário de segurança Anthony Garotinho. Estudantes da instituição fizeram um protesto e as polícias civil e militar ocuparam a comunidade no dia seguinte. A Estácio de Sá tomou a decisão de fechar a unidade, distribuindo os alunos nos outors campi da instituição.
O projétil atingiu a mandíbula e destruiu a terceira vértebra da coluna cervical, causando traumatismo raquimedular. Um projétil de pistola calibre .40 alojado na coluna foi removido após uma cirurgia de sete horas. Apesar dos esforços da equipe médica, Luciana ficou tetraplégica e dependente de ventilação mecânica.
Os médicos disseram à família que era teria uma chance de sobreviver de 1% e que provavelmente nunca sairia do hospital. Ela passou 21 meses no hospital após a tragédia, destes, 18 meses de unidade de terapia intensiva (UTI). Foi submetida à sete cirurgias.
As investigações apontaram a possibilidade de que o tiro possa ter partido de dentro da própria faculdade, possivelmente por um policial civil, mas a perícia descartou esta hipótese. Fitas de vídeo com gravações de câmeras de segurança, inicialmente suprimidas, foram entregues à Polícia Civil. Dois meses depois, Elton dos Santos, vulgo Batata, suposto traficante do Morro do Turano, foi acusado como autor dos disparos.
A Universidade Estácio de Sá foi condenada pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro a pagar indenização no valor de 600 mil reais. A Justiça entendeu que a instituição foi considerada culpada por manter a unidade aberta apesar da determinação de traficantes em fechar o comércio e demais estabelecimentos naquele dia. Em entrevista, Luciana conta que era aluna bolsista e que tinha prova no dia, por esse motivo não poderia deixar de estar presente, apesar do conflito entre policiais e traficantes na comunidade vizinha ao campus. "Como estávamos em prova, não fui embora. Tinha uma bolsa de 50% e não podia perder a prova. Meus pais pagavam a faculdade para mim com sacrifício. Sempre fiz jus ao dinheiro deles."
Luciana retomou os estudos cinco anos depois, em 2008, se graduando em serviço social em 2012. Fez pós-graduação em Gestão Pública.
Seu caso foi objeto de um episódio do programa Linha Direta, intitulado "Acima de qualquer suspeita", tratando sobre a incerteza de quem proferiu o tiro que a feriu.
Carreira política Sua atuação política começou ainda no hospital, ajudando a coletar assinaturas de parentes de outras vítimas de violência, afim de pressionar por mudanças no Código Penal.
Em 2012, Luciana Novaes se candidatou a vereadora pelo Partido dos Trabalhadores (PT), tendo recebido votos, insuficientes para a sua eleição. Em 2014, se candidatou a deputada estadual, tendo recebido votos, mais uma vez insuficientes para a sua eleição.
Em 2013, passou a trabalhar na Coordenadoria Geral de Direitos Humanos, subpasta da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social da Prefeitura do Rio de Janeiro.
Em 2016, se candidatou novamente ao cargo de vereadora, tendo recebido votos e se elegendo pela primeira vez. Foi a primeira parlamentar com paraplegia da cidade. Para que pudesse exercer seu mandato, a Câmara Municipal do Rio de Janeiro precisou passar por obras de acessibilidade, como rampas para a passagem da nova parlamentar e sua cadeira de rodas. Por outro lado, a recepção do Palácio Pedro Ernesto só seria adaptada 3 anos depois. Em seu primeiro mandato, participou da elaboração de 115 projetos de lei, dos quais 51 foram aprovados.
No pleito seguinte, em 2020, tentou a reeleição, sem sucesso; obteve votos, ficando em primeiro na lista de suplência. Em 2022, se candidatou a deputada federal. Sofreu assédio sexual enquanto fazia campanha na cidade de Niterói. Recebeu votos, insuficientes para a sua eleição. No ano seguinte, o então vereador Lindbergh Farias assumiu o cargo de deputado federal, liberando a vaga para Luciana Novaes, que assumiu o cargo em 2 de fevereiro de 2023.
No dia 5 de maio de 2023, 20 anos após o dia que transformou sua vida, recebeu a Medalha Pedro Ernesto, homenagem da Câmara Municipal, entregue pela sua colega, vereadora Rosa Fernandes. No mesmo dia, foi a responsável pela entrega da medalha ao segundo homenageado do dia, Felipe Neto.
Em 2024, se candidatou novamente à Câmara Municipal, tendo recebido votos e ficando como primeira suplente da coligação PT-PV-PCdoB. Com a ida da vereadora Tainá de Paula para a Secretaria Municipal do Meio Ambiente, foi chamada a assumir a vaga.
Luciana Novaes foi presidente da Comissão dos Direitos da Pessoa com Deficiência na Câmara e autora de diversas leis para este segmento, como a Lei /2025, que institui a Política Municipal de Rotas Acessíveis do Rio, pela locomoção a pessoas com deficiência, mobilidade reduzida e idosos. Sua ação também se estendia à esfera estadual, tendo participado de um relatório utilizado pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro para uma Ação Civil Pública contra a SuperVia, afim de realizar obras de acessibilidade nas estações de trem da região metropolitana.
Em 27 de março de 2025, assumiu a presidência da Câmara Municipal por um dia, em comemorações relacionadas ao Mês das Mulheres, em que a casa é comandada cada dia por uma parlamentar. Foi aplaudida de pé por todos os colegas vereadores, de todas as correntes políticas.
Vida pessoal Luciana é a mais nova de quatro irmãos, filha de um motorista de ônibus e uma merendeira aposentados de Nilópolis, cidade da Baixada Fluminense.
Morte Em 27 de abril de 2026, Luciana Novaes morreu vítima de um aneurisma cerebral, tendo sido internada em dezembro do ano anterior devido a complicações de saúde.
O prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere, decretou luto oficial de 3 dias. O presidente da Câmara Municipal, vereador Carlo Caiado, divulgou uma nota lamentando a morte da colega.
Novaes também recebeu homenagens de políticos da esquerda. O presidente da Embratur, Marcelo Freixo, disse que:
Já o colega vereador Tarcísio Motta:
Fora da política, Felipe Neto lamentou sua morte:
Legado A deputada estadual Elika Takimoto (PT) propôs na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) a criação do Prêmio Luciana Novaes, voltado ao reconhecimento de pessoas que atuam na defesa dos direitos das pessoas com deficiência. Segundo a proposta, a honraria busca valorizar trajetórias dedicadas à promoção da inclusão e ao fortalecimento de políticas públicas voltadas a esse público.
Desempenho eleitoral AnoEleiçãoPartidoCargoVotos %ResultadoRef2012Municipal do Rio de JaneiroPTVereadora0,27%2014Estaduais do Rio de JaneiroDeputada estadual0,14%2016Municipal do Rio de JaneiroVereadora0,57%2020Municipal do Rio de Janeiro0,58%2022Estaduais do Rio de JaneiroDeputada federal0,36%2024Municipal do Rio de JaneiroVereadora0,40%
Ligações externas
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