A Operação Carbono Oculto 86 é uma investigação em andamento realizada pela Polícia Civil do Estado do Piauí, para verificar a "infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de combustíveis". É uma derivada da Operação Carbono Oculto, e foi deflagrada em 5 de novembro de 2025; o número "86" refere-se ao DDD do estado do Piauí, onde foram cumpridos a maior parte dos mandados. Houve interdição de postos de combustível em onze municípios do Piauí (Teresina, Lagoa do Piauí, Demerval Lobão, Miguel Leão, Altos, Picos, Canto do Buriti, Dom Inocêncio, Uruçuí, Parnaíba e São João da Fronteira), quatro municípios do Maranhão (Peritoró, Caxias, Alto Alegre do Maranhão e São Raimundo das Mangabeiras) e um de Tocantins (São Miguel do Tocantins).
Histórico Na sequência das descobertas efetuadas pela Operação Carbono Oculto, sobre os crimes do PCC envolvendo fundos de investimento, fintechs, adulteração de combustíveis e lavagem de dinheiro, a Secretaria da Segurança Pública do Piauí (SSP-PI) deu início às suas próprias investigações locais, deflagrando a Carbono Oculto 86 em 5 de novembro de 2025. Todavia, por decisão do juiz Valdemir Ferreira Santos, da Central de Inquéritos de Teresina, em 1º de abril de 2026, o processo foi arquivado, atendendo a um pedido da defesa de dois dos investigados, os empresários Haran Santiago Girão Sampaio e Danilo Coelho de Sousa, da Rede de Postos HD.
A decisão do juiz, concedida pela interpretação de uma liminar do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, sobre a utilização de "relatórios de inteligência financeira (RIFs) do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf)", e que beneficiava os dois investigados, foi derrubada no dia 24 de abril pelo desembargador José Vidal de Freitas Filho, do Tribunal de Justiça do Piauí. O desembargador atendeu a recurso impetrado pelo Ministério Público do Estado do Piauí (MPPI), "que pediu a reabertura do processo, alegando que todas as provas colhidas estão dentro da legalidade".
Com o desarquivamento, o processo seguiu seu curso natural e as defesas dos réus foram acionadas para que se manifestassem sobre as acusações.
Operacionalização Segundo declarou o Ministério Público do Piauí, "foram constatados indícios de que o grupo utilizava empresas de fachada, fundos de investimento e fintechs para lavar capitais ilícitos, fraudar o mercado de combustíveis e ocultar patrimônio" e que "o modus operandi e muitos dos atores eram os mesmos" dos investigados pela Operação Carbono Oculto. A movimentação financeira das empresas envolvidas chegaria a R$ 5 bilhões.
O funcionamento do esquema ocorreria em quatro etapas: Compra de insumos (nafta, etanol, hidrocarbonetos) por empresas de fachada; Distribuidoras do esquema recebiam os produtos e valores (os quais também circulavam por fintechs para dificultar o rastreamento); Postos de abastecimento, como os da Rede HD, vendiam ao consumidor final e fraudavam os volumes entrados (evasão fiscal) e os próprios consumidores, com combustível adulterado e uso da chamada "bomba baixa" (onde é fornecido menos combustível do que o registrado no mostrador da bomba); O incremento patrimonial dos envolvidos era ocultado através da compra de bens (imóveis, aviões, automóveis de luxo) e uso de "laranjas".
Investigados Os empresários Haran e Danilo ("HD"), foram presos em novembro de 2025, mas atualmente respondem ao processo em liberdade. Os postos da rede HD, contudo, continuam interditados e proibidos de operar.
Nome Ocupação Envolvimento Situação atualDanilo Coelho Sousa Empresário Coproprietário da Rede de Postos HD Preso temporariamente e liberadoDenis Alexandre Jotesso Villani Empresário paulista "Ligado à Rede Diamante, envolvido em 40 empresas, incluindo 12 postos no Piauí" InvestigadoHaran Santiago Girão Sampaio Empresário Coproprietário da Rede de Postos HD Preso temporariamente e liberadoMoisés Eduardo Soares Pereira "Laranja" Intermediário de holdings com sede em São Paulo InvestigadoRogério Garcia Peres Gestor da Altinvest Gestão de Recursos Apontado como operador financeiro do PCC InvestigadoSalatiel Soido de Araújo "Laranja" Intermediário de holdings com sede em São Paulo InvestigadoVictor Linhares de Paiva Ex-vereador em Teresina (PP) Ex-assessor, compadre e aliado político do senador Ciro Nogueira Investigado
Principais empresas ligadas ao esquema Pima Energia Participações Ltda: "holding criada [seis dias] antes da compra da Rede HD, associada ao Jersey Fundo de Investimentos e à Altinvest". Mind Energy Participações Ltda: "empresa de São Paulo usada para transferir unidades da rede". Rede Diamante / DNPX Diamante Nice Participações Ltda: "nova bandeira que assumiu 12 postos no Piauí e Maranhão, controlada por Denis Villani".
Fundos de investimento e fintechs Altinvest Gestão de Administração de Recursos de Terceiros Jersey FIP GGX Global Participações Duvale Distribuidora Copape Produtos de Petróleo
Ver também Corrupção no Brasil Operação Carbono Oculto
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