O cenósteo constitui a matriz esquelética fundamental que unifica as colónias de muitos organismos marinhos pertencentes à classe Anthozoa, funcionando como uma infraestrutura rígida e contínua que sustenta os pólipos individuais e permite a expansão modular da colónia no ecossistema de recife. Esta estrutura é composta predominantemente por carbonato de cálcio, geralmente sob a forma de aragonite, e é secretada pelo cenênquima, o tecido vivo que se estende entre os cálices dos pólipos e que assegura a ligação fisiológica e nutricional entre todos os membros do grupo. Diferente do coralito, que é a taça esquelética específica onde cada pólipo reside individualmente, o cenósteo preenche os espaços intersticiais, podendo apresentar-se com morfologias variadas, desde superfícies lisas e densas até texturas altamente ornamentadas com espículas, grânulos ou estrias, dependendo estritamente da linhagem taxonómica e das condições hidrodinâmicas do ambiente em que o organismo se desenvolve.

A porosidade e a densidade do cenósteo desempenham papéis ecológicos vitais, pois não só conferem a resistência mecânica necessária para suportar a ação abrasiva das correntes e das ondas, mas também servem como um registo biológico do crescimento e da saúde da colónia ao longo do tempo. Em ordens como Scleractinia, a deposição contínua de novas camadas de material calcário sobre o cenósteo permite que a colónia cresça verticalmente e se sobreponha à concorrência por luz e espaço, enquanto o sistema de canais internos (solénios) que atravessa esta matriz facilita a partilha de recursos energéticos provenientes da fotossíntese das zooxantelas simbiontes. Além da sua função estrutural, o cenósteo é um elemento diagnóstico essencial na taxonomia de corais fósseis e contemporâneos, uma vez que os padrões de microarquitetura da superfície e a organização interna das trabéculas calcárias permitem identificar espécies e reconstruir paleoclimas através da análise geoquímica dos isótopos retidos na sua composição mineral.https://royalsocietypublishing.org/rspb/article/284/1853/20161667/78470/Key-functional-role-of-the-optical-properties-ofhttps://www.paleoitalia.it/wp-content/uploads/2020/12/09_Bosellini-et-al_2020_BSPI_593.pdf

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