Hormisda (; ; ) foi sacanxá do Sacastão durante o reinado do xainxá , contra quem se rebelou e foi derrotado.
Nome
O teônimo Hormisda é a versão latina do persa médio Hormisde (; Hormizd), Ormasde (Ōhrmazd), Hormosde / Ormosde ((H)ormozd), Ormusde (Ormuzd) ou Oramasde (Ohramazd), o nome da divindade suprema no zoroastrismo, cujo nome avéstico era Aúra-Masda (, Ahura-Mazdāh). Foi registrado em persa antigo como Auramasda (Auramazdā), em grego como Hormisdas (, Ormísdas), Hormisdes (, Ormísdēs), Horomazes (, Ōromázēs) e Hormisdates (, Ormisdátēs), em armênio como Oramasde (, Oramazd) e Ormisde (, Ormizd), em georgiano como Urmisde (, Urmizd), em árabe como Hormuz () e Hurmusde (, Hurmuzd), em túrquico antigo como Ormiste (), em siríaco como Hurmisde (, hwrmyzd [Hūrmizd]) e em copta como Gormessade (, Gormēsad / Gōrmēsad).
Vida
Origens
thumb|upright=1.05|A vitória de (à esquerda) sobre Hormisda (à direita) é representada no painel inferior em Nacxe-i Rustão (o painel superior mostra a "vitória" de Vararanes II sobre o imperador Caro)
Hormisda era o filho mais velho de Sapor, o rei de Mesena (mexanxá) e filho do xainxá , e possivelmente de Denaces, que se assume ter sido a esposa de Sapor. Sua existência é confirmada por sua menção na inscrição trilíngue de seu avô no Cubo de Zaratustra, na qual aparece entre os 67 dignitários da corte de Ctesifonte. Nessa lista, onde não se menciona seu nome associado a quaisquer títulos, é listado em primeiro lugar entre os filhos de Sapor (posições 22-28), sendo seguido por seus irmãos Hormisdaces, Odabacte, Vararanes, Sapor, Perozes e Saburductace. Por conseguinte, entre os netos de Sapor, aparece em segundo, atrás apenas de seu primo Hormisdaces (posição 21), filho do futuro xainxá . Vladimir Lukonin e Richard Nelson Frye, retomando proposta anterior de Theodor Nöldeke, sugeriram que esse Hormisda seja o Ormies mencionado no Panegírico XI.17.2, onde é descrito como irmão de , embora corrijam essa informação o colocando como primo do xainxá. Outros historiadores, como Alireza Shapour Shahbazi, preferem associar Ormies com , o rei vassalo do Reino Cuchano-Sassânida.
Revolta
Sapor I designou como seu sucessor Hormisda I, seu terceiro filho mais velho. Após ascender em 270, Hormisda faleceu poucos meses depois e foi sucedido por seu irmão mais velho , que embora não tivesse sido cotado à sucessão, conseguiu impor-se na eleição régia com apoio do clero zoroastrista e da nobreza em favor de seu direito de primogenitura. Presume-se, então, que Vararanes dedicou-se a assegurar os direitos sucessórios de seus descendentes e afastar seus irmãos. Seu filho e sucessor , particularmente ao longo dos anos 280, precisou lidar com várias insurgências internas, motivadas por disputas sucessórias, e ameaças externas. É nesse contexto que se insere a revolta de Ormies/Hormisda. As fontes relativas a essa prolongada revolta são escassas. Apenas três fontes secundárias — o Panegírico XI.17.2, o Breviário de Eutrópio e a História Augusta — fazem referência às disputas de poder no Império Sassânida. Segundo o Panegírico XI.17.2, pronunciado por Cláudio Mamertino em honra do imperador Maximiano em 291, Ormies insurgiu-se no leste do império com o apoio dos sacas, dos rúfios (cúsios/cuchanas) e dos gelas. O enfraquecimento do Império Sassânida decorrente dessas tensões internas encorajou o imperador romano Caro a lançar, em 283, uma campanha bem-sucedida contra Vararanes II. Apenas após quase uma década de combates, já próximo ao final de seu reinado, Vararanes II conseguiu esmagar as revoltas. É possível que seu primo Ormies/Hormisda tenha morrido nos combates. Vararanes, por conseguinte, nomeou seu filho, o futuro , como sacanxá.
Bibliografia
Categoria:Sacanxás Categoria:Persas do século III Categoria:Netos de Sapor I