El Otro Clásico (O Outro Clássico) vem sendo o nome dado a partidas de futebol entre o Atlético de Madrid e o Barcelona.

Apesar de ambas as torcidas terem como principal rival o Real Madrid, com quem compõem o trio de maior torcida na Espanha e de mais títulos em La Liga, os jogos entre Atleti e Barça não são amistosos, ainda que sejam caracterizados por alta média de gols. As animosidades mútuas renderam equilibrado número de expulsões, com 38 para o Barcelona e 39 para o Atlético, entre o primeiro duelo em 1925 e o ano de 2026.

Inclusive, no futebol feminino é tradicionalmente entre estes dois clubes o principal clássico do futebol espanhol, e não o encontro de Barcelona com Real Madrid e nem o Dérbi de Madrid. No masculino, a rivalidade esteve especialmente forte na década de 1970, em que a equipe madrilenha vinha sendo continuamente mais vencedora nos anos recentes a ponto de ter apenas um título a menos em La Liga dos que os catalães. É dessa época também que o Atlético obteve a Copa Intercontinental de 1974, ao passo que apenas em 2009 o Barcelona conseguiu seu primeiro título mundial, após ser derrotado em duas tentativas anteriores (1992 e 2006).

A partir da década de 2010, com o Atlético se recolocando como postulante contínuo a troféus, os duelos de rojiblancos e blaugranas retomaram relevo, o que incluiu três ocasiões em que se encontraram pelas quartas-de-final da Liga dos Campeões da UEFA (em 2014, 2016 e 2026) com o clube da capital eliminando nas três vezes o Barcelona; também nesse período, na rodada final de La Liga de 2013–14, o Atlético encerrou precisamente em confronto direto no Camp Nou um jejum de dezoito anos sem ser campeão espanhol.

Apesar desse retrospecto desfavorável em duelos pela Liga dos Campeões, o Barcelona lidera as demais estatísticas, detendo mais títulos em todas as competições, maior quantidade de torcedores e maior número de vitórias no duelo direto: a altura do primeiro semestre 2026, ocorreram 254 enfrentamentos por todas as competições, com 116 vitórias (e 474 gols do Barcelona) e 81 vitórias (e 374 gols) do Atlético. Em La Liga, foram 178 partidas (83 vitórias do Barcelona e 53 do Atlético), com outras 50 pela Copa del Rey, além de onze encontros pela Supercopa da Espanha, seis pela extinta Copa da Liga Espanhola, outras seis pela Liga dos Campeões da UEFA, dois pela dois pela Copa Presidente de la Federación Española de Fútbol um pela Copa Eva Duarte.

História Primeiros anos O Barcelona foi fundado em 1899. O Atlético de Madrid surgiu em 1903, mesmo ano da criação da Copa del Rey. Porém, o primeiro encontro entre os dois times só ocorreu em 1925.

Nos primeiros anos de existência, o clube madrilenho era uma filial do Athletic de Bilbao. Isso tinha como consequência prática o impedimento a participações do Atlético na Copa del Rey. Ela perdurou como a única competição nacional do futebol espanhol até 1929, quando La Liga foi criada; até então, a Copa dividia o calendário com diferentes campeonatos regionais, com o Barcelona disputando o Campeonato Catalão, enquanto o Atlético participava do Campeonato Regional Centro.

A separação jurídica entre Athletic e Atlético ocorreu na virada da década de 1910 para a década de 1920, permitindo que o Atlético começasse a disputar a Copa del Rey. O primeiro jogo dele contra o Barcelona, em 19 de abril de 1925, foi válido pelas semifinais da edição de 1924–25 desse torneio. O Barcelona venceu por 3–2 em seu antigo estádio de Les Corts. Josep Samitier fez o primeiro gol do duelo, aos 30 minutos do primeiro tempo. Vicente Palacios empatou no minuto seguinte e Andrés Tuduri chegou a virar o placar no minuto 58. Os catalães, todavia, conseguiram também virar, com gols de Emili Sagi-Barba no minuto 62, de pênalti, e outro de Samitier, no minuto 75.

No jogo de volta, o Atlético venceu de virada por 2–1 no dia 26 de abril, no estádio Metropolitano de Madrid. As duas equipes então travaram um jogo-desempate em 3 de maio, em Zaragoza, no antigo estádio Torrero, onde o Barcelona venceu por 2–1, sendo adiante o campeão ao derrotar na decisão o Arenas de Getxo.Do rei, do presidente, do ditador... (2003). Anuário Placar 2002. São Paulo: Editora Abril, p. 720

Já na temporada seguinte, Atlético e Barcelona se reencontraram na Copa del Rey na própria decisão, em jogo único no Mestalla, em Valência, no dia 16 de maio. O time de Madrid chegou a estar vencendo por 2–0, em gols de Vicente Palacios no minuto 16 e de Cosme no minuto 58. Porém, os catalães conseguiram uma virada; primeiramente, empataram em lances quase seguidos, com Samitier no minuto 62 e de Just no minuto seguinte. A quatro minutos do fim da prorrogação, Paulino Alcántara assinalou placar final de 3–2.

Os clubes só voltaram a se encontrar em 1929, já por La Liga, que realizava sua edição inaugural. No primeiro turno, o Atlético venceu por 4–1, pela 5ª rodada, em 10 de março, ao passo que no segundo turno o Barcelona ganhou de 4–0 pela 13ª rodada, em 26 de maio. A frequência de jogos com muitos gols viria a se tornar uma curiosa tônica do evento; os primeiros vinte e cinco anos incluíram resultados como 4–2 (para o Barcelona) e 3–2 (para o Atlético) em 1930, 5–1 (para o Barcelona) em 1935, 4–4 em 1940, 4–2, 6–0 e 5–4 (todas vitórias do Atlético) em 1941, 5–1 (para o Barcelona) e 4–0 (para o Atlético) em 1942, 5–4 (para o Atlético) em 1944, 3–2 (para o Barcelona) em 1947, 4–0 (para o Barcelona) e 4–1 (para o Atlético) em 1949, 6–4 para o Atlético em 1950.

Em 1 de novembro de 1951, eles decidiram a Copa Eva Duarte, que funcionava como Supercopa da Espanha antes da criação deste troféu em 1982. O Atlético era o campeão da La Liga de 1950–51, enquanto o Barcelona havia vencido a Copa de 1951. A partida foi disputada no Estádio Chamartín. O Atlético venceu por 2 a 0 com gols de Henry Carlsson e Adrián Escudero. Os dois treinadores da partida, Helenio Herrera (Atlético) e Ferdinand Daučík (Barcelona), comandariam o time adversário anos depois, naquela mesma década. Naqueles anos 1950, o Barcelona frequentemente alcançou vitórias com muitos gols: 5–2 e 5–1 em 1952, 6–1 e 8–1 em 1953, 4–0 em 1954, 7–3 em 1956, 5–2 e 8–1 em 1957 e 5–0 em 1958.

Apesar desses resultados da década, ao longo da maior parte do século XX, os dois clubes possuíam quantidade aproximada de títulos no campeonato espanhol, algo que só se alterou a partir da chegada de Johan Cruijff como treinador da equipe catalã em 1990.

A rivalidade nos anos 70 e 80

Curiosamente, as conquistas até a década de 1970 de um não não costumavam ocorrer em disputas com o outro, mas ao longo daquela década a concorrência direta se tornou uma constante; a primeira vez em que ocuparam conjuntamente o primeiro e o segundo lugar do campeonato ocorreu na temporada 1972–73.O paraíso dos craques estrangeiros (2003). Anuário Placar 2002. São Paulo: Editora Abril, p. 718 Ela se tornou lembrada pela disputa incomum, em um torneio cuja disputa envolveu os dois times de Madrid e os dois de Barcelona: foi a temporada em que o Espanyol, líder em dado momento da reta final, mais perto esteve de ser campeão da primeira divisão,MARTÍNEZ DÍAZ, Juan Pedro & ENSENYAT, Xavier Martín (2018). A un paso del título. Corazón Perico. Barcelona: Fundació del RCD Espanyol de Barcelona, p. 177 encerrando o certame em 3º, um ponto abaixo do Barça e três atrás do campeão Atleti.

Aquele título de 1972–73 fez o Atlético ter apenas uma conquista a menos do que o Barcelona em La Liga, o que fez a prioridade colchonera para a temporada seguinte ser inicialmente igualar-se a ele como segundo maior vencedor do campeonato. Os catalães se reforçaram com Johan Cruijff e impediram; é naquele contexto que o próprío Cruijff marcou um de seus gols mais famosos, em vitória por 2–1 em 23 de dezembro de 1973: em lance que rendeu apelido de Holandês Voador, o neerlandês utilizou uma acrobacia similar a um chute de caratê para aproveitar cruzamento de Carles Rexach e acertar as redes de Miguel Reina.

Adiante, pela segunda temporada seguida, La Liga viu os dois clubes ocuparem as duas primeiras posições, dessa vez com o Barcelona de campeão e o Atlético de vice. Foi por ficar precocemente claro que a disputa por aquela edição do torneio espanhol estava perdida que a equipe de Madrid passou a focar atenção no ineditismo da Liga dos Campeões da UEFA. Chegou à decisão da temporada 1973–74 e ficou a segundos de vencê-la. O Bayern Munique, porém, conseguiu empatar no último lance da prorrogação e golear no jogo-desempate. Na recusa alemã em disputar a Copa Intercontinental de 1974 com o Independiente, o Atlético herdou a vaga e sagrou-se campeão mundial décadas antes do Barcelona.

Ainda na década de 1970, Atlético e Barcelona voltaram a ocupar na temporada 1976–77 os dois primeiros lugares, com o Atlético sendo o campeão e voltando outra vez a ter um título a menos do que os blaugranas. O duelo direto no Camp Nou pela 24ª rodada se mostrou preponderante, com o Atlético mantendo-se com dois pontos de vantagem ao obter empate em 1–1 graças a um gol contra do adversário Johan Neeskens.

Os dois clubes também disputaram o título espanhol na temporada 1980–81, na qual a equipe de Madrid chegou a causar impressão de que seria a campeã, o que na época a igularia ao Barcelona. Contudo, os madrilenhos enfraqueceram em demasia na reta final, sem nenhuma vitória nas sete rodadas finais. Um dos reveses inoportunos do então líder foi no Camp Nou, com vitória barcelonista de 4–2 orquestrada por Bernd Schuster, em disputa de título diluída com outros clubes; o campeão veio a ser a Real Sociedad, que terminou o certame com três pontos a mais do que o Atlético.

Atlético e Barcelona voltaram a disputar já na temporada 1984–85, onde voltaram a ocupar os dois primeiros lugares. Novo duelo no Camp Nou, pela 26ª rodada, se mostrou decisivo contra as pretensões madrilenhas: Mario Cabrera e Hugo Sánchez chegaram a marcar gols de vitória parcial de virada por 2–1. O Barcelona tinha até então dez pontos de vantagem, mas o Atlético possuía um jogo a menos e uma vitória sua poderia manter palpável a disputa pelo título. Mas Steve Archibald empatou a três minutos do final, moralmente assegurando ali o campeonato para os catalães. O Atlético pôde em paralelo vencer a Copa del Rey Do rei, do presidente, do ditador... (2003). Anuário Placar 2002. São Paulo: Editora Abril, p. 720 e, adiante, obter diante do Barcelona a Supercopa da Espanha ao vencer no placar agregado por 3–2.

Muitos gols nos anos 90 e 2000

Johan Cruijff voltou ao Barcelona em 1990, como treinador, momento no qual o clube possuía dez títulos espanhóis, apenas dois a mais do que o Atlético. Na primeira temporada do neerlandês como técnico, a disputa por La Liga de 1990–91 se concentrou nos dois clubes. A equipe de Madrid foi invicta nos duelos diretos, com uma vitória na capital e um empate no Camp Nou, mas acabou no vice-campeonato para o Barcelona. O Atlético, novo clube de Bernd Schuster,LEAL, Ubiratan (março de 2008). Questão de gênio. Trivela n. 25. Trivela Comunicações, pp. 52-55 venceu em paralelo a Copa del Rey, rendendo uma segunda disputa entre os dois pela Supercopa da Espanha, na qual o Barcelona venceu no agregado por 2–1.

A partir da "Era Cruijff", o Barça veio a obter mais títulos espanhóis do que em toda a história anterior, começando por um tetracampeonato seguido entre 1990 e 1994. Curiosamente, quantidade considerável de seus jogadores havia antes defendido o Atlético (casos de Julio Salinas, Eusebio Sacristán e Juan Carlos). Chegou a haver nova Supercopa da Espanha entre os dois times em 1992, diante do bicampeonato seguido do Atlético de Schuster na Copa del Rey. Novamente, o Barcelona prevalesceu, vencendo os dois jogos.