A Casa do Engenheiro da Estação Ferroviária foi construída na década de 1920 para servir de residência aos engenheiros responsáveis pela manutenção do ramal ferroviário em Formiga, Minas Gerais. Atualmente, o local funciona como um centro de eventos culturais da prefeitura.

Histórico A "Casa do Engenheiro" teria sido inaugurada em 1926, como residência do engenheiro responsável pela manutenção da ferrovia em Formiga. Com características arquitetônicas europeias, consta que suas telhas vieram da França. Em 1980, com a desativação do ramal ferroviário, o imóvel ficou sem uso, até que em 2001 foi adquirido da RFFSA pela prefeitura de Formiga. Originalmente, a residência não possuía piscina, a qual teria sido construída em 1958.

Construção A Casa do Engenheiro foi construída no início do século XX como parte integrante do complexo da Estação Ferroviária de Formiga, na Linha do Oeste da antiga Estrada de Ferro Oeste de Minas (EFOM).

Função A função primordial da edificação era servir como residência oficial e base de representação para o engenheiro-chefe responsável pelo distrito ferroviário. Dentro da estrutura organizacional da ferrovia, o engenheiro ocupava o cargo de maior autoridade técnica e administrativa local, sendo o responsável direto pela fiscalização das obras de expansão, manutenção da via permanente e coordenação do tráfego das composições na região.

Por se tratar da habitação da maior autoridade do complexo, a localização e a imponência do imóvel funcionavam como uma extensão do poder e do prestígio da companhia ferroviária perante a comunidade urbana de Formiga. Com a posterior incorporação das linhas pela Rede Ferroviária Federal (RFFSA) e o declínio do transporte de passageiros, o imóvel perdeu sua função residencial institucional e passou por processos de readequação de uso.

Memória oral O cotidiano residencial da edificação durante o período de operação ferroviária é documentado por meio de relatos de familiares de antigos funcionários da linha. Os irmãos Wesley Passos Mendes e Liége Passos Mendes, filhos de um ferroviário local que residiu institucionalmente no imóvel na década de 1970, descrevem o impacto do espaço na vivência familiar:

"Nós moramos aqui na Casa do Engenheiro de 1974 a 1978. Nossa, foi uma infância maravilhosa! Era uma casa mágica!" — Relato de Wesley Passos Mendes e Liége Passos Mendes, registrado pelo Projeto Estação de Memórias.

Características arquitetônicas Diferenciando-se das habitações operárias e das cabines técnicas do pátio ferroviário, a Casa do Engenheiro apresenta uma tipologia arquitetônica residencial de alto padrão para o período industrial do início do século XX. O edifício foi planejado com dimensões amplas, recuos ajardinados e elementos decorativos que buscavam reproduzir padrões estéticos europeus comuns à engenharia ferroviária da época.

A estrutura possui pé-direito elevado, divisões internas bem delineadas para abrigar a família do profissional e receber autoridades, além de acabamentos diferenciados em suas esquadrias, coberturas e varandas, que denotavam o caráter hierárquico superior do morador em relação aos demais funcionários da linha.

Proteção e preservação O imóvel encontra-se preservado e está protegido legalmente por meio de mecanismos de salvaguarda do patrimônio histórico nas esferas municipal e federal: Âmbito Municipal: É protegida pelo Decreto Executivo Municipal n.º 2730, de 12 de abril de 2004, que determinou o tombamento histórico de todo o conjunto da antiga estação de Formiga e seus anexos edificados. Âmbito Federal: A edificação foi inventariada e homologada como bem de alta relevância para o Patrimônio Cultural Ferroviário Nacional pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), sob as diretrizes de proteção estabelecidas pela Lei Federal n.º 11.483/07.

Após passar para o patrimônio da prefeitura, em 2012 ali foi inaugurado o Centro Cultural na Casa do Engenheiro, o qual contudo permaneceu fechado até 2014 por problemas estruturais. Naquele mesmo ano ocorreu a reinauguração, e o espaço passou a abrigar a Secretaria Municipal de Cultura e o Centro Cultural Casa do Engenheiro. Finalmente, em 2017 o nome foi alterado para Centro Cultural Claudinê Silva dos Santos, o qual permanece até .

Características O imóvel está situado num terreno com 1.329 m2.

Visitação Ocorre de segunda à sexta-feira, das 7 às 17 h, e a entrada é franca. Os horários podem mudar, se houver eventos na área externa do edifício.

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