Diabrotica sheba é uma espécie de besouro (coleóptero) da família dos crisomelídeos (Chrysomelidae) e do gênero Diabrotica. É endêmica do Brasil e conhecida exclusivamente pelo município de Araguari, em Minas Gerais. Descrita por Jan Bechyné com base em exemplares coletados entre 1931 e 1933, a espécie possui pequeno porte, medindo entre 4,5 e 4,8 milímetros de comprimento. Apresenta corpo alongado e subparalelo, coloração predominantemente castanho-escura a pardo-enegrecida e pronoto, epipleuras e margens laterais dos élitros amarelo-avermelhados. Foi considerada próxima de Diabrotica panchroma, distinguindo-se principalmente pela ausência de costelas elitrais bem desenvolvidas e pelo padrão de coloração característico.

A espécie é conhecida apenas por registros históricos obtidos em 1933, não havendo coletas posteriores confirmadas. Sua distribuição conhecida restringe-se ao domínio do Cerrado, na sub-bacia do Paranaíba, embora a região seja considerada pouco amostrada para representantes do gênero. Informações sobre seu habitat específico, ecologia, ciclo de vida e tamanho populacional permanecem desconhecidas. Em avaliações nacionais conduzidas pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a espécie foi classificada como Dados Insuficientes (DD) em 2010, categoria mantida na reavaliação concluída em 2022 e publicada em 2023, devido à escassez de informações disponíveis sobre sua distribuição, história natural e situação populacional.

Descrição

Diabrotica sheba foi descrita com base em exemplares coletados no município de Araguari, em Minas Gerais, no Brasil, nos meses de dezembro de 1931 e novembro de 1933, por R. Spitz, da Secretaria da Agricultura de São Paulo. O comprimento conhecido varia entre 4,5 e 4,8 milímetros; a fêmea não era conhecida à época da descrição. A espécie apresenta coloração geral castanho-escura a pardo-enegrecida, com o pronoto, as epipleuras e as margens laterais dos élitros em tonalidade amarelo-avermelhada. O clípeo é mais claro que o vértice da cabeça. O corpo é alongado e subparalelo, com tegumento brilhante, embora os élitros apresentem aspecto relativamente mais fosco devido à fina reticulação superficial. A cabeça é quase lisa, com pontuação muito fina e esparsa. A fronte é mais larga que o diâmetro transversal de um olho e possui uma profunda depressão central em forma de fosseta. Os sulcos oculares são bem desenvolvidos e a carena clipeal é nitidamente convexa, com formato semelhante à letra “T”. As antenas são robustas e quase atingem o comprimento do corpo; os três primeiros antenômeros são glabros, os antenômeros segundo e terceiro são globosos, e o quarto é mais curto que os três primeiros reunidos. O primeiro antenômero possui comprimento equivalente à soma do segundo e do terceiro. O pronoto é levemente transversal e subcordiforme, com margens bem delimitadas e suavemente sinuadas antes dos ângulos posteriores. Todos os ângulos são amplamente arredondados e não projetados. Sua superfície é lisa, sem pontuação aparente, apresentando de cada lado uma ampla impressão próxima da região mediana. Os élitros possuem pontuação evidente e uma discreta costela longitudinal atrás do calo umeral. As epipleuras elitrais são estreitas, mais delgadas que o segundo antenômero, e apresentam margem apical espessada. As pernas são relativamente robustas, e o primeiro artículo dos tarsos anteriores e médios é alongado, sendo ligeiramente mais estreito que o ápice da tíbia correspondente. Bechyné considerou a espécie próxima de Diabrotica panchroma, distinguindo-se principalmente pela ausência de costelas elitrais bem desenvolvidas e pelo padrão de coloração nitidamente diferente.

Distribuição e habitat

Diabrotica sheba é uma espécie de besouro endêmica do Brasil, conhecida apenas pela localidade-tipo situada no município de Araguari. Todos os exemplares conhecidos foram coletados em 1933, não havendo registros posteriores da espécie. Apesar da ausência de novas coletas, sua área de ocorrência permanece pouco amostrada para representantes do gênero, o que dificulta a avaliação de sua distribuição real. Os registros conhecidos situam-se no domínio do Cerrado e na sub-bacia do Paranaíba. Informações sobre suas preferências ecológicas, habitat específico, ciclo de vida e história natural permanecem desconhecidas.

Conservação

Diabrotica sheba foi avaliada nacionalmente pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) em 2010, quando foi categorizada como Dados Insuficientes (DD). Em nova avaliação concluída em 5 de julho de 2022 e publicada em 2023, a espécie permaneceu classificada como Dados Insuficientes (DD). A justificativa para essa classificação baseia-se no fato de a espécie ser conhecida exclusivamente pela localidade-tipo, no município de Araguari, a partir de exemplares coletados em 1933. Embora a região apresente intensa ocupação agropecuária e expansão urbana, não existem informações sobre o tamanho, a distribuição ou a tendência populacional da espécie, nem dados que permitam avaliar diretamente os impactos dessas ameaças sobre suas populações. A área de ocorrência conhecida situa-se no Cerrado e encontra-se sujeita principalmente à expansão urbana, à agricultura e à pecuária. Apesar disso, a insuficiência de informações sobre a distribuição geográfica, a ecologia e a história natural da espécie impede uma avaliação adequada de seu risco de extinção. Não são conhecidas ações específicas de conservação nem a ocorrência confirmada da espécie em unidades de conservação. O ICMBio destaca a necessidade de estudos destinados a determinar sua distribuição geográfica e obter informações básicas sobre sua biologia.

Ligações externas

Documentos sobre Diabrotica sheba na Biodiversity Heritage Library

Categoria:Diabrotica Categoria:Besouros endêmicos do Brasil Categoria:Besouros de Minas Gerais Categoria:Besouros do Cerrado