“E vocês lincham negros” (em russo: “А у вас негров линчуют”) é uma frase de efeito que descreve ou satiriza a retórica política da União Soviética em relação aos Estados Unidos em qualquer situação de discurso bilateral na qual o último repreendia as violações dos direitos humanos pelo primeiro. A observação também destaca uma tendência da mídia soviética de cobrir frequentemente problemas internos estadunidenses, como crises financeiras e desemprego, ou discriminação racial e agitação social, todos apresentados como falhas inerentes do sistema capitalista que supostamente haviam sido eliminadas pelo comunismo de Estado.
Os factuais linchamentos de estadunidenses pretos eram apontados como um “esqueleto no armário” dos Estados Unidos, algo que servia de munição para a propaganda soviética ao desviar críticas sobre problemas internos da União Soviética. Desde a dissolução da União Soviética em 1991, a frase se tornou amplamente difundida como uma referência retrospectiva que revela a continuidade de táticas semelhantes nas campanhas russas de desinformação contra os Estados Unidos, especialmente durante períodos de agitação social ou política entre os estadunidenses.
O ex-presidente e escritor tcheco Václav Havel classificou a frase entre os “truques demagógicos comumente canonizados”; o jornal britânico The Economist a descreveu como uma forma de whataboutism que se tornou onipresente após a dissolução da União Soviética; e o livro Exit from Communism (1993), do historiador estadunidense Stephen Richards Graubard, identifica a expressão como um símbolo de afastamento da realidade.
O autor estadunidense Michael Dobson comparou o uso da frase ao conhecido ditado de origem espanhola “o sujo falando do mal lavado” e a chamou de um “exemplo famoso” de raciocínio tu quoque. A revista conservadora estadunidense National Review descreveu a expressão como “uma amarga piada da era soviética” e acrescentou que “houve um milhão de variações da piada durante a Guerra Fria”. O jornal israelense Haaretz descreveu o uso da expressão como uma forma de propaganda soviética. Já o portal político liberal britânico OpenDemocracy chamou a frase de “um exemplo primordial de whataboutism”. Em sua obra de 2017 Security Threats and Public Perception, a professora neerlandesa Elizaveta Gaufman descreveu a falácia como uma ferramenta para virar o argumento de alguém contra essa própria pessoa.
Notas
Referências
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