A Fundação Albuquerque é uma instituição cultural portuguesa sediada em Portugal, Sintra, inaugurada a 22 de fevereiro de 2025. Está localizada na antiga Quinta de São João do Linhó, na sequência de um projeto de requalificação arquitetónica da autoria do gabinete Bernardes Arquitetura, em colaboração com a Topiaris, responsável pela intervenção paisagística.
Teve origem na coleção privada do engenheiro civil e empresário brasileiro Renato de Albuquerque, desenvolvida ao longo de mais de seis décadas e composta por mais de 2600 peças, abrangendo sobretudo porcelana chinesa produzida para exportação entre as dinastias Ming e Qing, mas contando também com porcelanas destinadas ao mercado imperial e doméstico chinês, bem como objetos provenientes da Índia, Sri Lanka, Japão e África.
A fundação dedica-se ao estudo, conservação e divulgação da coleção, promovendo exposições de longa duração da coleção Albuquerque e exposições temporárias de artistas contemporâneos ligados à cerâmica, com o intuito de promover reflexão sobre o significado artístico, cultural e histórico da produção cerâmica.
A instituição promove, também, residências artísticas e académicas de curta e longa duração em que o estudo da coleção deve ser o ponto de partida para a investigação e desenvolvimento de projetos. Inclui ainda uma biblioteca especializada em cerâmica, com mais de 600 livros, e uma loja dedicada à divulgação e comercialização de obras de ceramistas portugueses.
Administração A administração da Fundação Albuquerque, uma fundação de direito privado sem fins lucrativos, está estruturada em torno do Conselho de Fundadores, do Conselho de Administração e da Comissão Executiva, nos termos dos estatutos da instituição.
O Conselho de Administração, composto por cinco membros, é responsável pela definição da orientação estratégica e pela gestão institucional da Fundação, sendo presidido no mandato de 2025–2028 por Mariana Teixeira de Carvalho, e integrando ainda Miguel Maria de Sousa Ribeiro Teles, Patrícia Pinheiro Ressutti Rego, Nuno Luís de Carvalho Lopes Alves e Carlos Luís Oliveira de Melo Loureiro, enquanto a gestão corrente é assegurada pela Comissão Executiva, composta por três membros do Conselho de Administração, Miguel Maria de Sousa Ribeiro Teles como presidente e Mariana Teixeira de Carvalho e Patrícia Pinheiro Ressutti Rego como vogais.
O Conselho de Fundadores é composto por Renato de Albuquerque, que preside ao órgão, e pelos vogais Fábio de Albuquerque e Maria Teresa de Albuquerque.
Lista de Presidentes do Conselho de Administração NomeInício do MandatoFim do MandatoMariana Teixeira de Carvalho2025Presente
Projeto de Requalificação miniaturadaimagem|225x225px|Motivos vegetalistas miniaturadaimagem|200x200px|Escada helicoidal O projeto de requalificação, liderado pela Bernardes Arquitetura, desenvolve-se numa área de cerca de 12.200 m² e consistiu na adaptação e ampliação do conjunto edificado através da introdução de novas construções e da reabilitação de estruturas pré-existentes.
O edifício histórico da quinta (Século XVIII), caracterizado por uma planta retangular, apresentava uma fachada sóbria com um pequeno frontão simples. O exterior era pintado em tons de rosa e incluía molduras brancas em torno das janelas, portas e muros. Apesar da simplicidade exterior, o interior destacava-se pelos salões decorados com frescos, motivos vegetalistas e boiseries. Todos estes aspetos foram mantidos e restaurados no âmbito da intervenção de reabilitação, tendo sido preservado o carácter original do edifício. As principais alterações incidiram na adaptação funcional dos espaços interiores a novos usos, nomeadamente a instalação de um restaurante, biblioteca, loja e de residências artísticas, estas últimas situadas nos antigos quartos da residência.
O edifício museológico principal, que integra a receção, exposição, arquivo e áreas técnicas, encontra-se parcialmente enterrado e desenvolve-se maioritariamente abaixo do nível do solo. É coberto por uma estrutura inclinada que acompanha a morfologia do terreno e define uma praça coberta de receção. A receção é envolvida por painéis de vidro, estabelecendo relação visual com o exterior, e articula-se com a galeria expositiva através de uma escada helicoidal. A galeria é iluminada por duas entradas de luz, uma zenital e outra vertical, que marcam pontos de conexão com os jardins. Uma vitrina na sala principal permite a observação direta para o acervo com a restante coleção.
centro|miniaturadaimagem|611x611px|Perfil Longitudinal da Fundação Albuquerque
O pavilhão multiusos, também designado pavilhão contemporâneo, localiza-se no extremo do jardim e encerra o percurso do conjunto. O edifício organiza-se em planta livre e estabelece uma relação direta com o exterior através de superfícies envidraçadas contínuas e de dispositivos de abertura que permitem a transformação do espaço entre condições de maior integração ou de maior isolamento em relação ao jardim. Esta configuração permite a adaptação do espaço às diferentes configurações expositivas e à variação dos usos ao longo do tempo.thumb|Jardim Albuquerque|234x234px
Ambos os novos edifícios seguem uma estratégia de integração na paisagem, recorrendo a materiais como betão, madeira e pedra, selecionados em função da sua relação com a envolvente natural da Serra de Sintra, classificada como Património Mundial pela UNESCO.
A requalificação do jardim, desenvolvida pela Topiaris, recaiu sobre a conservação das espécies autóctones pré-existentes, bem como os elementos estruturais como fontes de mármore, caminhos rigorosamente geométricos, arbustos podados e zonas de contemplação, típicos de um jardim setecentista português. A intervenção também reorganizou e integrou os percursos, adaptando-os aos diferentes níveis do terreno e à nova utilização dos espaços.
O projeto foi nomeado para a categoria de Melhor Intervenção com Impacto Social no Prémio Nacional de Reabilitação Urbana.
Coleção Albuquerque thumb|Two Ewers Qing dynasty|180x180pxthumb|View of Goa India (– c 1829)|168x168pxthumb|Acervo da Fundação AlbuquerqueA coleção é constituída por mais de 2600 peças de origens diversas e que abrangem um período cronológico superior a 1800 anos.
O núcleo principal da coleção é a porcelana chinesa, abrangendo peças de diferentes períodos históricos, desde vidrado cerâmico dos séculos III a V, cerâmica da dinastia Tang (618-907), potes da dinastia Liao (907-1125) e exemplares de celadão de vários períodos. No entanto, a parte mais substancial da coleção é o conjunto significativo de porcelana chinesa de exportação produzida entre as dinastias Ming (1368–1644) e Qing (1644–1911), associadas ao desenvolvimento das redes de comercio marítimo globais a partir do século XVI, destacando-se a porcelana produzida para o mercado português e espanhol.
Para além da porcelana chinesa, o acervo integra objetos provenientes de outros países como a Índia, Sri Lanka e Japão, incluindo peças em esmalte sobre cobre, grés, laca e marfim, bem como obras de escultura, mobiliário, têxteis e pintura.Sargent, William R. (intro.); Bruccoleri, Valentina (cat.); Vinhais, Luísa; Welsh, Jorge (eds.), 100 Highlights from the Albuquerque Collection, Jorge Welsh Research & Publishing / Albuquerque Foundation, 2024. ISBN 978-1-8382163-9-9.
A apresentação pública da coleção é realizada através de exposições temporárias, uma vez que a totalidade do acervo não é exposta em simultâneo, sendo a seleção de obras rotativa. Para acomodar esta lógica expositiva, o espaço de exposição é organizado de forma flexível, permitindo diferentes configurações de apresentação consoante as necessidades curatoriais de cada mostra.
A exposição Connections, comissariada por Becky MacGuire, constitui a primeira apresentação pública da coleção na Fundação Albuquerque e encontra-se atualmente em exibição, seguindo uma abordagem curatorial centrada na ideia de “conexões” entre culturas e povos no contexto dos primeiros processos de globalização. São destacadas as primeiras encomendas europeias de porcelana chinesa, entendidas como evidência dos contactos iniciais entre a Europa e a China no século XVI e da integração de elementos iconográficos ocidentais em produção cerâmica chinesa.
A Coleção Albuquerque é acompanhada por uma coleção de publicações intituladas The RA Collection of Chinese Ceramics. A Collector’s Vision. dedicada à catalogação e estudo do acervo.
O Fundador thumb|Renato de Albuquerque em 2025|249x249pxRenato de Albuquerque (São Paulo, 1928) é um engenheiro civil e empresário brasileiro, cofundador da empresa Albuquerque & Takaoka em 1951, criada com Yojiro Takaoka após a formação de ambos na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. No plano da engenharia e do urbanismo, o seu nome está sobretudo associado ao desenvolvimento do empreendimento Alphaville, frequentemente citado como um dos primeiros modelos de urbanização privada planeada no Brasil, caracterizado por condomínios fechados, forte controlo de infraestruturas e organização funcional do território, um modelo que viria a influenciar significativamente a expansão suburbana em várias cidades brasileiras e a ser posteriormente replicado noutros contextos internacionais.
Paralelamente à atividade empresarial, Renato de Albuquerque destacou-se como colecionador de arte, reunindo ao longo de décadas uma das mais relevantes coleções privadas de porcelana chinesa de exportação a nível mundial, conhecida internacionalmente como “The RA Collection” com cerca de 2600 peças.
Após um processo de abertura gradual da sua coleção ao público, através de empréstimos a instituições internacionais de referência como o Metropolitan Museum of Art, prosseguiu para a institucionalização do acervo ao inaugurar a Fundação Albuquerque em Sintra com o objetivo de continuar a partilhar a sua coleção e fomentar a investigação sobre o tema.
A 20 de fevereiro de 2025, foi agraciado com o grau de Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique, atribuído pelo Estado português.
Atualmente, Renato de Albuquerque divide o seu tempo entre o Brasil e Portugal e mantém-se envolvido em novos projetos. Continua igualmente a desenvolver e a ampliar a sua coleção privada, mantendo atividade regular de aquisição e estudo de peças.
Categoria:Fundações de Portugal