"Schisms" é o quinto episódio da sexta temporada da série de ficção científica estadunidense Star Trek: The Next Generation. É o 131º episódio geral da série e foi exibido pela primeira vez nos Estados Unidos por redifusão em 19 de outubro de 1992. Foi dirigido por Robert Wiemer e escrito por Brannon Braga a partir de uma história de Jean Lousie Matthias e Ron Wilkerson. The Next Generation se passa no século XXIV e acompanha as aventuras da tripulação da nave estelar USS Enterprise-D. Neste episódio, alguns tripulantes começam a ter dificuldades de dormir e ter reações estranhas diante de certos objetos.
Braga escreveu a história querendo que tivesse um clima de suspense psicológico e terror, coisas pouco vistas em The Next Generation, também procurando incorporar o holodeque como um meio de solucionar o mistério. Os alienígenas e seu visual foram criados em colaboração entre as equipes de cinematografia, direção de arte e figurino, com a intenção sendo que parecessem insetoides. A linguagem de cliques dos alienígenas foi desenvolvida para soar natural e com uma certa cadência. "Schisms" teve bons números de audiência, porém a recepção da crítica especializada foi na maior parte negativa.
Enredo Vários tripulantes começam a ter dificuldade para dormir, perdem a noção do tempo e tem respostas emocionais estranhas diante a objetos aparentemente normais. Os afetados, com a ajuda da conselheira Deanna Troi, usam o holodeque para recriarem memórias fragmentadas, concluindo que estiveram em uma de uma sala escura com ruídos estranhos e um dispositivo semelhante a uma mesa de operação. Exames médicos revelam que eles foram sedados e sofreram pequenas mudanças em seus corpos. Eles percebem que foram abduzidos e passaram por experimentos, com dois tripulantes estando desaparecidos. Um reaparece, mas morre pouco depois, com seu sangue tendo sido transformado em um liquido polímero.
Partículas estranhas são encontradas em uma das baías de carga e elas criam uma ruptura do subespaço que ameaça romper o casco da nave. A tripulação cria um método de enfrentar as partículas e fechar a ruptura, mas precisam encontrar sua fonte. O comandante William Riker se voluntaria, sendo injetado com um estimulante para combater o sedativo e carregando um rastreador. Ele é abduzido à noite e levado para a mesa de operação, vendo o outro tripulante desaparecido e estando cercado de alienígenas. Ele se liberta, pega o tripulante e volta pela ruptura. Esta é fechada, mas os alienígenas conseguem no último segundo enviar um pulso, com os tripulantes não sabendo interpretar se suas intenções eram benignas ou malignas.
Produção thumb|esquerda|150px|"Schisms" foi escrito por Brannon Braga A história original de "Schisms" foi proposta pelos roteiristas Jean Lousie Matthias e Ron Wilkerson, sendo depois reescrita por Brannon Braga. Este afirmou que ficou muito interessado nos quatro primeiros atos da história pelo suspense psicológico e terror, bem como "o mistério, a esquisitice e ver nosso pessoal perdendo a cabeça, que é algo que você não vê com frequência". Ele também procurou incorporar o holodeque como "uma ferramenta para solucionar um mistério", semelhante ao que havia feito antes em "Identity Crisis", da quarta temporada. Por outro lado, Braga considerou que o quarto ato do roteiro se transformou em um "pesadelo tecnológico" e que o quinto e último ato praticamente não tinha diálogos.
O diretor de arte Richard D. James, o supervisor de maquiagem Michael Westmore e o figurinista Robert Blackburn colaboraram para criarem o visual dos alienígenas e seu ambiente. James usou fibra de vidro para que o cenário parecesse difuso, construindo em frente de um fundo preto. Os alienígenas foram criados para parecerem que pertenciam a alguma civilização insetoide, com James comparando-os com um "híbrido de insetos e gafanhotos", porém Braga, o produtor executivo Michael Piller e o diretor Robert Wiemer não gostaram do resultado final, descrevendo-os como "peixes-monge". O clímax original do roteiro precisou ser diminuído em escala para ser mais barato de filmar, tornando-se apenas uma garra alienígena ao redor do pescoço do comandante William Riker no laboratório alienígena, algo que também deixou Braga, Piller e Wiemer insatisfeitos.
A abdução de Riker foi criada pelo supervisor de efeitos visuais Ronald B. Moore. Uma câmera de alta velocidade foi colocada no alto de uma torre apontando para um chroma key azul, com um dublê sendo filmado pulando com o corpo reto para a tela; três tomadas foram necessárias. As imagens foram então viradas na orientação correta e tiveram sua velocidade reduzida. A linguagem de cliques dos alienígenas foi criada pela coprodutora Wendy Neuss, o editor de som Jim Wolvington e o supervisor de edição de som Bill Wistrom, com a intenção sendo que parecesse orgânica, natural e com alguma cadência. Os três escreveram um roteiro das falas primeiro em inglês e depois o traduziram para a linguagem de cliques. Os sons foram gravados com pessoas, tanto individualmente quanto em grupo.
Repercussão Audiência "Schisms" foi exibido pela primeira vez nos Estados Unidos por redifusão na semana de 19 de outubro de 1992. Registrou um índice Nielsen de 13,2, refletindo a porcentagem de residências que assistiram durante a estreia. Foi uma pequena queda em relação aos 13,9 por cento do episódio anterior, "Relics", mas mesmo assim uma das melhores audiências da temporada. "Schisms" foi depois reprisado na semana de 2 de janeiro de 1993 e desta vez registrou uma audiência de 11,4 por cento.
Crítica Keith R. A. DeCandido da Reactor elogiou o humor da poesia de Data no começo do episódio e como o mistério e tensão psicológica da história eram lidados durante o decorrer dos primeiros atos. Entretanto, ele achou que a resolução não funcionava porque dependia demais de ciência inventada, comentando que a sessão de terapia em grupo tinha mais tensão do que o final da história. No geral, DeCandido achou "Schisms" um episódio mediano. Zack Handlen da The A.V. Club comentou que este era um episódio que parecia "estranho" e que nunca tem o efeito que pretende ter no telespectador. Ele adisse que o equilíbrio da história funcionava no início, durante a construção do mistério, mas achou que o formato de The Next Generation não permitia que uma história de "terror inexplicável" fosse feita direito, com a parte assustadora desaparecendo ao final.
Jamahl Epsicokhan da Jammer's Reviews escreveu que "Schisms" era "uma construção lenta e eficaz de um medo crescente e silencioso", achando que a premissa da abdução era inovadora "porque não parece que deveria ser aplicada em personagens que já estão em Star Trek". Epsicokhan gostou do clima geral da história, descrevendo-o como "bizarro" e também comentando que parecia que este episódio tinha sido inspirado pela série Unsolved Mysteries. Salvador Nogueira da Trek Brasilis afirmou que este era um episódio "bem fraco", dizendo que não havia desenvolvimento de personagens, alienígenas interessantes ou metáforas e alegorias sobre o mundo real, definindo o roteiro como uma "catástrofe" e cheio de conveniência. Nogueira também disse que a execução do episódio foi ruim, achando-o muito lento e que os alienígenas eram decepcionantes.
Mídia caseira "Schisms" foi lançado em LaserDisc no Japão em 21 de dezembro de 1997 como parte da coleção da primeira metade da sexta temporada, enquanto nos Estados Unidos foi lançado no mesmo formato em 5 de maio de 1998 junto com o episódio "True Q". Foi lançado em DVD nos Estados Unidos em 3 de dezembro de 2002 como parte da coleção da sexta temporada. Foi remasterizado e lançado em Blu-ray em 24 de junho de 2014 como parte da coleção da sexta temporada.
Bibliografia
Ligações externas
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