Francisco Antônio Pompêo de Camargo (Campinas, 9 de julho de 1882 — Campinas, 28 de fevereiro de 1933) foi médico, cirurgião, político, diretor e administrador hospitalar brasileiro. Destacou-se por sua atuação na medicina paulista nas primeiras décadas do século XX, pela fundação da Maternidade de Campinas, participação na organização da Beneficência Portuguesa de Ribeirão Preto e pela fundação de instituições de ensino superior, sendo pioneiro na transfusão de sangue no Brasil.
Foi vereador em Campinas e em Ribeirão Preto, além de participante da Revolução Constitucionalista de 1932.
Seu nome foi atribuído a logradouros públicos em Campinas e Ribeirão Preto, bem como a instalações hospitalares e acadêmicas em reconhecimento à sua contribuição para a medicina e a educação no interior paulista.
Biografia miniaturadaimagem|Fotografia de Francisco Antônio Pompêo de Camargo em sua juventude, por volta do final do século XIX e início do XX. Francisco Antônio Pompêo de Camargo nasceu em Campinas, na tradicional família Pompêo de Camargo, em 9 de julho de 1882, filho de Dario Pompêo de Camargo e Francisca Pompêo de Camargo.
Realizou os estudos primários sob orientação de Josefina Sarmento, da professora Dannemann e de Adriano Cardet. Posteriormente ingressou no tradicional Colégio Culto à Ciência, de fundação de seu avô, Antônio Pompêo de Camargo, o Totó Pompêo, uma das mais importantes instituições de ensino de Campinas.
Mudou-se para o Rio de Janeiro para cursar medicina na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, onde se especializou em cirurgia. Durante sua formação atuou como interno em importantes clínicas da capital federal e exerceu funções na Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro.
Após a graduação, estabeleceu-se inicialmente em Pedreira, onde exerceu a medicina entre 1908 e 1910. Casou-se em 27 de julho de 1908 com Elza Nogueira Penteado, filha de Francisco da Rocha Leite Penteado e Maria Luiza Pupo Nogueira.
Em seguida retornou a Campinas, cidade na qual permaneceu até 1917 e para onde retornou próximo a sua morte em 28 de fevereiro de 1933.
Atuação médica direita|miniaturadaimagem|Maternidade de Campinas, instituição que o Dr. Francisco Pompêo cofundou (1916) Durante sua permanência em Campinas, o Dr. Francisco Pompêo participou ativamente dos esforços para a criação e consolidação da Maternidade de Campinas, integrando sua primeira diretoria.
Em 1917 transferiu-se para Ribeirão Preto, onde assumiu a direção clínica da Beneficência Portuguesa de Ribeirão Preto. Sob sua administração, a instituição passou por importante processo de reorganização hospitalar e ampliação de suas instalações. Em reconhecimento aos serviços prestados, a Beneficência Portuguesa denominou sua sala de operações em homenagem ao médico, além de preservar seu retrato e uma placa comemorativa em suas dependências.
O Dr. Francisco Antônio Pompêo de Camargo foi o primeiro médico a realizar uma transfusão de sangue no Estado de São Paulo e possivelmente a primeira transfusão de sangue do Brasil. Atendia de associações beneficentes a empresas, e além de manter consultório particular em Campinas, percorria à cavalo o trajeto entre uma propriedade rural e outra para atender sua população.
Ganhou reputação pela dedicação aos pacientes e por episódios considerados "heroicos" (sic) pela imprensa e por memorialistas. Entre eles destaca-se o atendimento a uma mulher vítima de esfaqueamento, submetida a uma laparotomia de emergência. Durante a operação, o agressor tentou invadir o local para atacar novamente a paciente, obrigando Dr. Francisco Pompêo a interromper momentaneamente o procedimento para garantir sua segurança e a da equipe, concluindo a cirurgia sob circunstâncias excepcionais, com o revólver do operador, ao lado da bandeja instrumental do Dr.
Outro episódio frequentemente citado ocorreu quando salvou uma criança acometida por grave quadro de crupe asfixiante (Laringotraqueobronquite), realizando insuflação respiratória direta, procedimento que antecedeu técnicas modernas de ressuscitação respiratória.
Foi membro de diversas entidades científicas nacionais e internacionais ligadas à medicina e à cirurgia, sendo por exemplo, correspondente do American College of Surgeons, dos EUA e Canadá. Ao longo da carreira, visitou e estudou o funcionamento de importantes hospitais europeus, acompanhando avanços da medicina e da cirurgia da época. Fazia parte do Rotary Clube.
Atuação institucional
Além da atuação médica, Francisco Pompêo teve papel relevante na organização do ensino superior em medicina no estado de São Paulo. Foi o primeiro diretor clínico da Beneficência Portuguesa de Ribeirão Preto e como presidente da Associação de Ensino, participou da criação da Escola Normal Livre, da Faculdade de Farmácia e Odontologia, parte da Universidade de São Paulo (USP), e também participou da criação da Faculdade de Direito de Ribeirão Preto.
Foi também o primeiro diretor da Faculdade de Farmácia e Odontologia de Ribeirão Preto, instituição que posteriormente integraria o desenvolvimento do ensino superior ribeirão-pretano e da futura estrutura universitária da região. O Centro Acadêmico da Faculdade de Direito recebeu seu nome em reconhecimento à sua atuação na fundação da instituição.
Atuação política Membro do Partido Republicano Paulista (PRP), de também fundação de seu avô, Antônio Pompêo de Camargo, o Totó Pompêo, Francisco Pompêo foi eleito vereador de Campinas para a legislatura de 1914–1916, sendo reeleito para o período de 1917–1919.
Na Câmara Municipal de Campinas exerceu no legislativo a função de secretário e membro das comissões permanentes de Obras Públicas e de Higiene e Instrução e presidiu quase todas as sessões legislativas durante seu mandato.
Após sua mudança para Ribeirão Preto, também foi eleito vereador naquele município em diferentes legislaturas, participando da vida política local paralelamente à sua carreira médica.
Revolução Constitucionalista Em 1932 participou da Revolução Constitucionalista de 1932, movimento armado liderado por São Paulo contra o governo provisório de Getúlio Vargas. Pouco tempo depois, com a saúde debilitada, retornou a Campinas, manifestando o desejo de encerrar sua vida na cidade natal.
Morte O Dr. Francisco Antônio Pompêo de Camargo faleceu em Campinas sua cidade natal, em 28 de fevereiro de 1933. Seu falecimento foi amplamente sentido tanto em Campinas quanto em Ribeirão Preto e Pedreira, cidades nas quais havia exercido significativa influência na medicina, na educação e na vida pública.
Homenagens Entre as homenagens recebidas destacam-se:
Denominação da Rua Dr. Francisco Pompêo de Camargo em Campinas; Denominação de via pública em Ribeirão Preto; Nomeação da sala cirúrgica da Beneficência Portuguesa de Ribeirão Preto; Preservação de retrato e placa comemorativa confeccionada em bronze em sua homenagem na Beneficência; Denominação do Centro Acadêmico da Faculdade de Direito de Ribeirão Preto.
Categoria:Família Pompêo de Camargo Categoria:Médicos brasileiros do século XX Categoria:Nascidos em 1882 Categoria:Mortos em 1933