O Sillajhuay (também conhecido como Sillajguay, Alto Toroni ou Candelaria) é um vulcão localizado na fronteira entre o Chile e a Bolívia, parte de uma cadeia vulcânica que se estende pela fronteira entre os dois países e forma um maciço parcialmente coberto de gelo. Não há consenso se o gelo deve ser considerado uma geleira, mas ele recuou nas últimas décadas.

O vulcão se desenvolveu sobre ignimbritos antigos e esteve ativo durante o último milênio. No entanto, não apresentou erupções recentes, considerando a intensa erosão glacial da montanha e as amplas modificações periglaciares. A atividade não eruptiva se manteve, manifestando-se por meio de deformações superficiais e atividade sísmica.

Toponímia O topônimo "Sillajhuay" teria origem aimará e significaria "poltrona do diabo", embora o vocábulo "silla" também possa provir do cunza "sila" (lhama).

Geografia e geomorfologia miniaturadaimagem|Torre da igreja de Cancosa, com o vulcão Sillajhuay ao fundo O Sillajhuay está localizado na Cordilheira dos Andes, na fronteira entre Chile e Bolívia (comunas de Pica e Colchane, Região de Tarapacá), embora apenas uma pequena porção a leste se encontre na Bolívia. A montanha localiza-se em uma região pouca habitada: os povoados de Cancosa e Villablanca ficam a 16 km a sudeste e 18 km a noroeste, respectivamente, enquanto uma rodovia se encontra a oeste.

Durante o Holoceno, cerca de 50 vulcões diferentes e estruturas geotérmicas estiveram ativos nos Andes Centrais, com registro de terremotos em Guallatiri, Irruputuncu, , Lascar, Olca, Parinacota e Putana. A maioria dos vulcões da Zona Vulcânica Central (ZVC) é relativamente pouco estudada e muitos superam os 5000 m de altitude. Alguns deles, como o Misti, Lascar, San Pedro e Ubinas, estiveram ativos no passado. Também foram objeto de estudo o Galán e o , a maior erupção na ZVC ocorreu em Huaynaputina em 1600. A zona possui uma crosta particularmente espessa, entre 50 a 70 km, além de rochas vulcânicas com razões isotópicas de oxigênio e estrôncio distintas em comparação com a Zona Vulcânica do Sul (ZVS) e do Norte (ZVN).

A altitude máxima do Sillajhuay costuma ser tida como 5995 m, mas altitudes superiores ou inferiores a 5982 m também são possíveis, o que o torna o ponto mais alto da região. Faz parte de um maciço maior que se eleva cerca de 2000 m acima do terreno plano e em , com elevações médias de 5030 m. Alguns cumes adjacentes ao maciço incluem o Cerro Carvinto, de 5060 m de altitude, localizado a sudoeste do Sillajhuay; o Cerro Picavilque, de 5403 m, a oeste-noroeste; o Cerro Irpa, de 5234 m, a sudeste; o Candelaria, a leste; e o Morro Chuncaron, de 5874 m, a nordeste do vulcão. Em geral, o maciço se estende para nordeste, de modo que as zonas superiores são pouco acessíveis. Acima dos 4100 m de altitude, a glaciação erodiu o maciço, o que degradou o vulcão ao ponto de não apresentar crateras reconhecíveis. Já abaixo dessa elevação, as formações vulcânicas podem ser observadas com maior clareza. O vulcão foi a fonte de fluxos de lava de 30 a 90 m de espessura que atingiram distância de 5 a 14 km e originaram os vales que se formam ao seu redor. Mais a oeste, encontram-se os Cerros de Quimsamchata, que formam uma cadeia vulcânica com o Sillajhuay, onde se encontra o Tata J'achura (5269 m).

Glaciação O firn, incluindo os penitentes da montanha, ocorre em altitudes superiores a 5750 m e é visível a longa distância. Não há presença de geleiras ativas ou em movimento, a menos que estejam cobertas pela neve. Contudo, algumas fontes consideram o firn do Sillajhuay uma geleira, o que a tornaria a mais meridional ao norte da diagonal árida dos Andes. Entre 1989 e 2011, o firn perdeu mais da metade de sua superfície, a perda foi interrompida por alguns pequenos avanços, e é provável que continue recuando. Entre 2000 e 2003, a perda de gelo foi contabilizada em 0.03 km².

Durante o Quaternário Superior houve uma extensa glaciação na montanha, com cerca de nove geleiras no entorno, além de um cume secundário ao sul. As antigas geleiras atingiram comprimentos de 11 km e sua morena terminal desceu a altitudes de 4240 m nos flancos norte, leste e sul, deixando estrias glaciais bem desenvolvidas, além de vales glaciais e vários tipos de morenas. No flanco leste encontram-se as morenas mais baixas, no norte estão as mais altas e as ao sul atingem alturas intermediárias. Parte do tilito antigo foi tomado por pórfiro. A extensão da erosão glacial sugere que ocorreram dois períodos glaciais no Sillajhuay. Geleiras rochosas podem ser encontradas na zona sul da montanha e no vale do Rincón Tucuruma, em torno dos 4240 m de altitude e com comprimentos que atingem os 500 m. É comum encontrar trechos que sofreram solifluxão no flanco norte-noroeste do maciço, além de outras superfícies geradas por processos periglaciares.

Hidrografia A erosão criou vales no maciço, que incluem, no sentido horário: Rio Blanco a sudeste, Rincón Tacurma ao sul, Quebrada Mina Chucha a sudoeste, Quebrada Seca a noroeste e Quebrada Quisimachiri a norte-noroeste. Os vales chegam ao planalto do cume e possuem rios perenes, enquanto outros têm córregos efêmeros geralmente associados a leques aluviais, onde é depositado o material erodido. Há ainda nascentes de enxofre ativas no cume.

Os vales abaixo do vulcão apresentam declives abruptos: por exemplo, o Rio Blanco tem um desnível de 1,1 km em 2 m. Toda a drenagem do Sillajhuay flui para leste, em direção ao salar de Coipasa. No flanco sul, o Rio Blanco e o Rincón Tacurma drenam para o rio Ocacucho, onde anteriormente existia o paleolago de Cancosa, ao sul do Sillajhuay. Há evidências de que, durante o Chibaniano, um deslizamento de terra proveniente da montanha gerou um represamento no rio Cancosa e criou um corpo d'água, onde se depositou a formação dos estratos de Cancosa. Mais a oeste, as drenagens convergem para a pampa do Tamarugal.

Geologia

As placas de Nazca e da Antártica subductam sob a placa Sul-Americana na a um ritmo de 7 a 9 cm e de 2 cm por ano, respectivamente, o que gera atividade vulcânica e eventos geotérmicos nos Andes. O vulcanismo atual ocorre em quatro cinturões distintos: a ZVN (entre 2°N-5°S), a ZVC (16°S-28°S), a ZVS (33°S-46°S) e a zona vulcânica austral (ZVA) (49°S-55°S). Entre eles, totalizam cerca de 60 vulcões ativos e 118 com atividade registrada durante o Holoceno, sem incluir campos vulcânicos silícicos de grande porte e potencialmente ativos ou os monogenéticos muito pequenos. Estes cinturões de vulcanismo ativo encontram-se na zona onde a placa de Nazca subducta sob a Sul-Americana em um ângulo muito maior, enquanto nas lacunas vulcanicamente inativas a subducção é mais superficial. Portanto, não há astenosfera intermediária nas lacunas geradas entre a placa subductante e a sobreposta.

Entre os vulcões mais antigos da região estão os andesíticos efusivos do Eoceno, conhecidos como formação Icanche, além de seus corpos subvulcânicos associados, como o complexo intrusivo Alantaya, que também inclui plutões granodioríticos a tonalíticos. Durante a fase de deformação incaica do Eoceno-Oligoceno, o terreno foi soerguido, erodido e posteriormente coberto por ignimbritos riolíticos, denominados formação Utayane. Juntamente com a formação Utayane, o vulcanismo andesítico originou outras formações de lava andesítica, como as formações e Chojña Chaya. O vulcanismo de ignibritos riolíticos continuou e foi acompanhado durante o Mioceno pelo crescimento da cordilheira. Os grandes vulcões centrais se desenvolveram durante o Mioceno e o Plioceno, período em que se desenvolveu o Sillajhuay. Em sua maioria, não estão erodidos nem afetados pela deformação tectônica, mas as montanhas sofreram a alteração provocada por ao menos dois ciclos de glaciação.

Local

A geografia regional é caracterizada por cadeias montanhosas de direção norte-sul, separadas por planícies cobertas com sedimento Quaternário. O Sillajhuay encontra-se sobre antigos ignimbritos que, que, por sua vez, se depositaram sobre rochas , sedimentares e vulcânicas de idade Paleozoica a Mesozoica. Alguns desses ignimbritos foram identificados como o ignimbrito Oxaya, de 19,38 milhões de anos, o ignimbrito Ujina Tsu, muito mais jovem, e o ignimbrito Pastillos.

O estresse tectônico durante o processo de subducção levou à formação de um horst do qual faz parte o Sillajhuay, perpendicular ao rumo principal dos Andes, onde aumentou a formação de lava. A montanha também faz parte da cadeia montanhosa Serranía Intersalar, que separa os desertos de Coipasa e Uyuni e carece de atividade vulcânica recente. Ao norte do Sillajhuay, encontra-se isolado o Nevado Cariquima, o centro vulcânico de Churullo está a noroeste e a cadeia montanhosa de Pumiri localiza-se a noroeste, compondo os demais marcos vizinhos.

A cratera é formada de dacito, pórfiro, depósitos de fumarolas e pórfiro com enxofre de coloração amarela. As rochas vulcânicas são de uma série calcoalcalina rica em potássio. Os fenocristais incluem plagioclásios, com menor frequência de biotita, horneblenda e quartzo. As relações isotópicas das rochas vulcânicas indicam uma forte influência da crosta terrestre nos magmas que entraram em erupção no Sillajhuay.

Clima e vegetação miniaturadaimagem|Azorella compacta (yareta) na região de Taparacá. A espécie cresce cerca de 1 cm por ano e há registros de plantas com até 3000 anos A montanha encontra-se em uma região árida e apresenta um clima montanhoso, com temperaturas que podem cair durante a noite abaixo de 20 ºC. As precipitações ocorrem principalmente durante o verão e chegam aos 200 milímetros (mm) por ano aos 4500 m de altitude e entre 300-400 mm anuais acima dos 5000 m, embora, em algumas ocasiões, possam superar os 400 mm. Gramíneas e arbustos com troncos característicos compõem a flora do local, principalmente no flanco leste do vulcão, por vezes chegando a grande altitude. Entre as espécies de plantas que se desenvolvem na área encontra-se a yareta.

O clima seco tem sua origem na ação do anticiclone do Pacífico Sul, intensificado pela corrente de Humboldt na costa, que resfria a atmosfera e reduz a evaporação. Somente durante os meses de verão há presença de umidade por convecção no Altiplano boliviano, o que leva à predominância das precipitações nessa época. Enquanto isso, mais ao sul o clima torna-se ainda mais seco. Às vezes, a gota fria chega até o Sillajhuay no inverno, mas é pouco comum. Antigamente, há 28 000, 8 000 e 3 700-1 500 anos, por exemplo, o clima era mais úmido e isso provocou frequentemente o avanço das geleiras quando fazia frio suficiente. Em contrapartida, as geleiras no Sillajhuay podem ter melhorado o fornecimento de umidade para outras montanhas da zona, como em Chuquiananta, permitindo-lhes também desenvolver geleiras.

A intensa insolação leva a uma grande variação diurna de temperatura na montanha, com um gradiente térmico de cerca de 45 ºC e que, em alguns ambientes, pode ser superior a 80 ºC, o que produz termoclastia. O aquecimento também origina brisas vale-montanha, nuvens convectivas e, ocasionalmente, trombas terrestres. esquerda|miniaturadaimagem|237x237px|Sítio arqueológico com cabanas duplas no cume do Llullaillaco

Atividade humana A primeira ascensão registrada ao Sillajhuay foi do alemão Federico Ahlfeld em 1926. O cume do Sillajhuay pode ser escalado e conta com ruínas incas no topo. Há várias ruínas desse tipo em grande altitude nos Andes, por exemplo no Llullaillaco, mas esse sítio arqueológico foi descoberto em 2013 pelo alpinista escocês John Biggar. A mineração se desenvolve a leste do Sillajhuay, com minas de enxofre com depósitos estimados de 3 200 000 toneladas de minério com 47% de enxofre. Também já foi avaliada a possibilidade de obter energia geotérmica na zona.

História eruptiva