Syagrus × andrequiceana K.Soares & L.C.Assis é um híbrido natural de palmeira pertencente à família Arecaceae, subfamília Arecoideae e ao gênero Syagrus. A notoespécie foi descrita originalmente em 2014 pelos botânicos Kelen Pureza Soares e Luciano Coutinho Assis, sendo endêmica do estado de Minas Gerais, Brasil, com ocorrências registradas na região do município de Datas, nas proximidades do córrego Andrequicé.SOARES, K.; ASSIS, L.C. Four New Natural Hybrids of Syagrus from Brazil. Palms, v. 58, n. 2, p. 87-100, 2014.

Origem híbrida Classificada taxonomicamente como um nototáxon, a palmeira é identificada pelo sinal de multiplicação "×" em seu nome binomial, indicando sua natureza híbrida espontânea. O Syagrus × andrequiceana surge a partir do cruzamento natural em habitats simpátricos entre duas espécies distintas do mesmo gênero: Syagrus romanzoffiana (Cham.) Glassman – Popularmente conhecida como jerivá, espécie de grande porte amplamente distribuída no território brasileiro. Syagrus flexuosa (Mart.) Becc. – Conhecida como acumulador ou coqueiro-da-serra, típica de formações do Cerrado.

Como resultado desse cruzamento, o indivíduo híbrido expressa um conjunto de caracteres morfológicos puramente intermediários entre a estrutura de ambas as espécies parentais.

Descrição botânica O Syagrus × andrequiceana apresenta um porte moderado, desenvolvendo-se com altura que varia de 5 a 13 metros. O estipe (caule) é do tipo solitário e de crescimento aéreo, medindo entre 4,5 e 12 metros de comprimento por 14 a 21 centimeters de diâmetro. A superfície do caule encontra-se tipicamente recoberta por remanescentes persistentes das bainhas foliares das folhas secas ou já caídas, embora o indivíduo possa ocasionalmente perder esse revestimento com o tempo, deixando cicatrizes anelares visíveis ao longo do estipe.

Folhas As folhas possuem estrutura pinada, coloração verde-brilhante e são dispostas em arranjo helicoidal (espiralado) ao redor do estipe, contabilizando de 15 a 26 folhas contemporâneas com postura marcadamente arqueada. A bainha foliar mede de 57 a 93 centímetros de comprimento, apresentando disposição helicoidal permanente no estipe e margens com acabamento fibroso. O pecíolo mede entre 46 e 67 centímetros de comprimento, com margens inermes (sem espinhos) e revestimento composto por fibras achatadas. A ráquis foliar também é arqueada, medindo de 164 a 190 centímetros de comprimento.

Os folíolos (pinas) possuem consistência que transita entre o coriáceo e o membranáceo. São flexíveis, com coloração verde e concolor. Apresentam ápice pendente, de formato acuminado e marcadamente assimétrico e enrolado. A folha possui de 100 a 120 pinas de cada lado da ráquis, distribuídas em grupos que reúnem de 2 a 5 unidades, sendo inseridas em 3 ou 4 ângulos diferentes ao longo da ráquis. As pinas situadas na porção mediana da ráquis medem de 52 a 58 centímetros de comprimento por 1,8 a 2,2 centímetros de largura.

Inflorescência A inflorescência é do tipo andrógina e possui emersão interfoliar, exibindo um formato paniculado e postura pendente, mantendo a infrutescência exposta entre as folhas. O profilo mede cerca de 35 centímetros de comprimento por 6 centímetros de largura. A bráctea peduncular (espádice) é sulcada e glabra (ou levemente recoberta por indumento quando ainda fechada), registrando um comprimento total de 103 a 145 centímetros, com uma porção expandida que mede de 38 a 100 centímetros de comprimento por 7,5 a 17 centímetros de largura. O pedúnculo apresenta uma dimensão de 38 a 70 centímetros de comprimento por 1,5 a 2 centímetros de diâmetro, sendo revestido por um indumento esparso e esbranquiçado logo após o período de antese. A ráquis da inflorescência é glabra e mede de 27 a 60 centímetros de comprimento, ramificando-se em nível de primeira ordem para sustentar entre 42 e 61 ráquilas. As ráquilas proximais possuem uma disposição estritamente unilateral sobre a ráquis, enquanto as ráquilas distais ou medianas organizam-se de forma espiralada (helicoidal); as ráquilas localizadas na porção mediana medem entre 16 e 35 centímetros de comprimento.

As flores apresentam coloração que varia entre o creme, o amarelo-esverdeado e o amarelo. As flores estaminadas medem de 7 a 9 milímetros de comprimento, enquanto as flores pistiladas medem de 8 a 10 milímetros de comprimento por 7 milímetros de largura.

Frutos Os frutos possuem formato ovoide, medindo entre 4 e 5 centímetros de comprimento por 2 a 2,5 centímetros de largura. O epicarpo externo é glabro, com coloração esverdeada ou verde-amarelada, apresentando um indumento esbranquiçado concentrado estritamente na região do ápice. O mesocarpo interno caracteriza-se como fibroso e suculento. O endocarpo é do tipo lenhoso (ósseo) e formato oval, medindo de 2,2 a 3,2 centímetros de comprimento por 1,2 a 1,6 centímetros de largura, com uma superfície exterior quase lisa. O endosperma é regular e inteiramente homogêneo.

Distribuição geográfica e ecologia A presença do Syagrus × andrequiceana encontra-se confirmada na região Sudeste do Brasil, especificamente no estado de Minas Gerais. O holótipo que serviu de base para a descrição taxonômica do táxon foi coletado no município de Datas, nas proximidades do ribeirão ou córrego Andrequicé, sob as coordenadas geográficas de 18° 33' 21" S de latitude e 43° 38' 25" W de longitude, tendo como data de coleta o dia 17 de outubro de 2012. O espécime tipo encontra-se depositado no Herbário HDCF.

A notoespécie desenvolve-se na zona de transição entre os domínios fitogeográficos do Cerrado (Savana Brasileira Central) e da Mata Atlântica. Ocorre em fitofisionomias que englobam áreas antrópicas, Cerrado lato sensu, Floresta Estacional Semidecidual e formações de palmeirais (palmeirais nativos), demonstrando capacidade de adaptação em solos associados a essas transições ecológicas estaduais.

Estado de conservação Até o presente momento, o Syagrus × andrequiceana não possui uma avaliação de status formalizada na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) ou pelo Centro Nacional de Conservação da Flora (CNCFlora). Por tratar-se de um híbrido natural de ocorrência pontual e restrita a ecótonos de transição, sua preservação biológica silvestre está intimamente ligada à manutenção dos fragmentos nativos de Cerrado e matas semideciduais ao longo da bacia do córrego Andrequicé, sofrendo ameaças potenciais decorrentes da pressão de atividades agropecuárias e da degradação de matas ciliares na região municipal de Datas.

Ligações externas Syagrus × andrequiceana no World Flora Online (WFO) Syagrus × andrequiceana no Plants of the World Online (Kew) Syagrus × andrequiceana na Flora e Funga do Brasil (Jardim Botânico do Rio de Janeiro) Syagrus × andrequiceana no Global Biodiversity Information Facility (GBIF)

Categoria:Syagrus Categoria:Arecáceas Categoria:Flora de Minas Gerais Categoria:Flora do Brasil Categoria:Plantas descritas em 2014