Martha Geiringer (Viena, 28 de agosto de 1912 – Campo de concentração de Auschwitz-Birkenau, 18 de janeiro de 1943) foi uma bióloga austríaca de origem judaica.

Embora sua carreira científica tenha sido interrompida precocemente, Geiringer integrou uma geração de jovens pesquisadoras austríacas que contribuíam para o avanço da biologia experimental nas décadas de 1930 e 1940. Seus estudos sobre a metamorfose de anfíbios e a ação hormonal refletiam temas de destaque na biologia da época. Sua perseguição, exílio forçado e assassinato em Auschwitz ilustram as profundas perdas humanas e intelectuais causadas pelo Holocausto. A exclusão e o extermínio de cientistas judeus privaram a Áustria de uma parte significativa de seu potencial acadêmico, afetando especialmente mulheres pesquisadoras, que já enfrentavam obstáculos para ingressar e permanecer na carreira científica. A trajetória de Geiringer tornou-se, assim, um símbolo das contribuições científicas interrompidas pela violência do regime nazista.

Biografia Geiringer nasceu em 28 de agosto de 1912, em Viena, em uma família judaica. Era a segunda filha de Wilhelm Geiringer (1881–1930), proprietário de um café, e de sua esposa Irma Geiringer, nascida Koerner (1885–1957). Wilhelm Geiringer era um primo distante do compositor Gustav Mahler.

Formação acadêmica Entre 1931 e 1935, Geiringer estudou Biologia e Sociologia na Faculdade de Filosofia da Universidade de Viena, embora não tenha concluído o curso nesse período. Em seguida, passou a trabalhar na Estação Biológica Experimental (Biologische Versuchsanstalt, BVA) da Academia Austríaca de Ciências, localizada no distrito vienense de Leopoldstadt. Sua prima, Hanny Hieger, relatou posteriormente que, além do trabalho científico, Martha fazia trabalhos em crochê para complementar sua renda, pois recebia pouco por suas atividades de pesquisa.

No outono de 1937, retomou os estudos para concluir a graduação e iniciou uma dissertação sob orientação do zoólogo Hans Leo Przibram. Suas pesquisas consistiam em estudos experimentais sobre a metamorfose de sapos e o papel dos hormônios nesse processo. Entre outros temas, investigou a função da adrenalina como agente sinérgico da tiroxina.

A anexação da Áustria pela Alemanha Nazista, em 1938, interrompeu sua carreira acadêmica. Em decorrência das medidas antissemitas adotadas pelo novo regime, perdeu seu emprego na BVA. Em uma lista elaborada após março de 1938, foi classificada como "não ariana" e registrada como tendo se desligado da instituição em 15 de março daquele ano, embora, na prática, tenha sido demitida compulsoriamente.

Exílio e deportação Juntamente com sua irmã Gertrude, Martha conseguiu fugir de Viena. Uma tentativa de se estabelecer nos Países Baixos fracassou, levando-a a emigrar para a Bélgica. Em outubro de 1938, procurou dar continuidade aos estudos de Biologia na Universidade de Gante, mas, em 1939, o cônsul alemão recusou a renovação de seu passaporte.

Enquanto sua irmã Gertrude conseguiu emigrar para a Inglaterra em 1939 e posteriormente para os Estados Unidos, Martha permaneceu na Bélgica. Nesse período, iniciou um relacionamento com a ginecologista Yvonne Fontaine, pertencente a uma família burguesa francófona e casada com o arquiteto Andreas Claessens.

Em 1939, Geiringer viajou para as Filipinas com o objetivo de contrair um casamento de conveniência com um exilado austríaco oriundo de Viena, mas o plano fracassou. Hanny Hieger apresentou posteriormente uma versão diferente dos acontecimentos, afirmando que Martha havia recebido uma oferta profissional nas Filipinas, mas decidiu retornar à Bélgica porque havia deixado para trás uma amiga muito próxima.

Após regressar à Europa, encontrava-se em Gante no momento da invasão alemã da Bélgica, em maio de 1940. Depois de um breve período de detenção em Nice, retornou à Bélgica em janeiro de 1941, passando a viver na clandestinidade com a ajuda de Yvonne Fontaine.

Em 8 de junho de 1941, registrou-se no Escritório de Estrangeiros de Gante. Nesse período, Andreas Claessens, marido de Fontaine, aproximou-se cada vez mais de círculos antissemitas e aderiu ao colaboracionismo belga. Movido por ciúmes em relação ao relacionamento entre sua esposa e Martha Geiringer, denunciou-a inicialmente ao colaborador Willem Verhulst que, por sua vez, informou as autoridades nazistas. Após a guerra, Claessens foi condenado a quatro anos de prisão e ao pagamento de multa.

Entre 1941 e 1943, Geiringer foi presa diversas vezes pela Gestapo. Em janeiro de 1943, durante uma operação contra a população judaica de Gante, foi enviada ao campo de trânsito da SS em Mechelen. Em 15 de janeiro de 1943, foi deportada para Auschwitz-Birkenau no Transporte XVIII. Presume-se que tenha sido assassinada três dias depois, em 18 de janeiro de 1943.

Homenagens O Fórum Cultural Austríaco em Bruxelas promoveu a instalação de uma Stolpersteine em homenagem a Martha Geiringer na Sint-Joriskaai 5, em Gante. Seu sobrinho, o compositor e pianista Frederick Charles Adler, dedicou-lhe o Quarteto de Cordas n.º 1 – In memoriam Martha Geiringer, cuja estreia ocorreu em maio de 2005, na cidade de Gante.

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