A Ponte do Esqueleto é um viaduto ferroviário abandonado cujas três vias de acesso estão localizadas na rodovia Doutor Cássio de Freitas Levy, entre as cidades paulistas de Limeira e Cordeirópolis. Tem 40 metros de altura e atravessa um curso d'água denominado Ribeirão do Tatu. A estrutura pertencia à extinta Ferrovia Paulista S/A (Fepasa) que planejava construir no local um ramal que nunca foi implantado. Após a extinção da Fepasa em 1998, a estrutura foi repassada para a Rede Ferroviária Federal (RFFSA), que entrou em processo de liquidação no ano seguinte. Desde 2007, a ponte passou a ser patrimônio do governo federal, sendo incorporada à Secretaria de Patrimônio da União em 2026.
Após a sua desativação, tornou-se um atrativo para esportes de aventura, como o rapel e o pêndulo, tendo inclusive sediado o primeiro campeonato estadual desta modalidade. Além disso, a ponte era também utilizada por corredores e ciclistas, recebendo no todo cerca de 500 visitantes por mês no ano de 2025.
A ponte foi palco de diversos acidentes envolvendo quedas. Em 2024, uma ciclista morreu ao cair da estrutura enquanto pedalava. O governo federal alega ter pedido para que a prefeitura de Limeira fechasse o acesso à ponte, porém o acesso foi reaberto alguns meses depois. Em junho de 2026, uma estudante de 21 anos de idade foi morta no local ao praticar o pêndulo sem ter uma corda atada ao seu corpo. A prefeitura de Limeira afirmou, em nota, que processaria o governo federal por omissão.
História A Ponte do Esqueleto fazia parte de um projeto de expansão da malha ferroviária da Ferrovia Paulista S/A, empresa estatal de propriedade do governo do estado de São Paulo. A Fepasa, que na época empenhou 75,9 milhões de cruzeiros no projeto, pretendia ligar a cidade de Campinas ao município de Itirapina. Entretanto, o projeto foi interrompido quando, em 1998, a Fepasa foi extinta e o seu patrimônio foi incorporado à Rede Ferroviária Federal, que entrou em processo de extinção no ano seguinte e que foi finalizado em 2007. A ponte, então, passou a ser chamada de "esqueleto", pois nunca entrou em operação, restando apenas a fundação e as vigas de concreto expostas.
Após a extinção definitiva da RFFSA, a ponte passou a ser patrimônio do governo federal. Entretanto, como estava classificada como "inoperante", apenas foi transferida para a superintendência da Secretaria do Patrimônio da União (SPU) de São Paulo em março de 2026. Em 2024, após a morte de uma ciclista no local, o governo federal solicitou à prefeitura de Limeira que tomasse providências para impedir o acesso ao local, ao que o município respondeu por abrir uma vala de 10 metros de comprimento na entrada da ponte.
Alguns meses depois o acesso à ponte foi reaberto. Nos anos seguintes a ponte foi palco de mais acidentes: em 2025 duas mulheres caíram e sofreram múltiplas fraturas e, em 2026, uma estudante de 21 anos faleceu ao praticar o pêndulo no local sem ter uma corda atada ao seu corpo. A prefeitura de Limeira acusou a União de omissão e afirmou, em nota, que a processaria perante à Justiça. O governo federal, por sua vez, alegou que já havia solicitado o apoio das prefeituras locais para o fechamento da ponte mas que ela foi reaberta posteriormente após pressão de empresários locais junto à Câmara de Vereadores de Limeira.
Após o acidente, a União sugeriu doar a ponte para o município de Limeira, entretanto recusada. O governo federal se comprometeu, então, a instalar avisos no local ressaltando que a entrada ali é proibida, enquanto a prefeitura se comprometeu a reabrir a vala previamente aberta em 2024. A vala começou a ser reaberta pela prefeitura de Limeira no dia 17 de junho, quatro dias após a morte da jovem. A prefeitura de Cordeirópolis, por sua vez, afirmou que o acesso do outro lado da ponte já estava bloqueado, mas que reforçaria os impedimentos já existentes. Ambas as prefeituras defendem a demolição da ponte pelo governo federal.
Acidentes notórios Em 2020, uma mulher ficou ferida após saltar da ponte e bater em uma pilastra. Em agosto de 2025, outras duas caíram da ponte e sofreram múltiplas fraturas. A ponte também era utilizada por pessoas que queriam cometer suicídio.
Queda de ciclista Em 2024, a ciclista Kelly Stefani Oliveira Alves morreu após desequilibrar-se enquanto encostou o pé na mureta da ponte, que é baixa, e teria caído com a bicicleta de uma altura de 15 metros. Na época, o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos solicitou o bloqueio de acesso à ponte e sinalizou o perigo que representava em uma placa; as atividades na ponte logo foram retomadas. De acordo com o Governo Federal, a ponte foi bloqueada por alguns meses, até que uma reabertura tornou-se possível após defesa de empresários locais em sessão na Câmara de Vereadores de Limeira.
Morte de Maria Eduarda Rodrigues
Em 13 de junho de 2026, a estudante de 21 anos Maria Eduarda Rodrigues de Freitas morreu após ser arremessada de uma altura de 40 metros por dois funcionários das empresas Entre Cordas e Ih Voei, notadamente sem estar conectada a um sistema de cordas que permitissem o salto ser praticado em segurança, caindo em queda livre. O caso foi registrado na 3ª DP de Limeira como homicídio com dolo eventual, cuja pena prevista por lei é próxima de homicídio doloso, quando há intenção de matar. A delegada, Andrea Dantas Levy, declarou que os homens não adotaram procedimento correto e fiscalizaram a fixação da corda antes do lançamento de Maria Eduarda e afirmou que a ponte é "palco de várias tragédias". O caso de Maria Eduarda teve ampla cobertura nacional e repercutiu internacionalmente nas redes sociais.
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