Luiz Alves Martins Filho, também conhecido como serial killer Nando ou ainda serial killer'' do Danúbio Azu, é um assassino em série brasileiro que agiu no bairro Danúbio Azul, em Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul, entre 2010 e 2016, matando 16 pessoas. Conforme a Polícia Civil do estado, "Nando matava por justiça" e as vítimas estavam envolvidas com prostituição e uso de drogas, e, segundo o próprio criminoso, "eu não aguentava mais ser roubado. Eles roubavam velhinhos, inclusive de muletas, e então nós já começamos a agir". Em alguns dos crimes ele teve ajuda de comparsas.

Nando, que é o maior assassino em série do Mato Grosso do Sul, cumpre pena de prisão, em regime fechado, de 214 anos e 10 meses no Instituto Penal de Campo Grande.

Biografia Segundo o episódio no Histórias Perdidas, Nando "teve muitos traumas na infância". Foi estuprado várias vezes ainda criança e aos 11 anos viu o padrasto matar a mãe e dois irmãos a facadas. Em 1996 foi preso por atentado violento ao pudor e perdeu os órgãos genitais ao ser espancado na prisão.

Morador do bairro Danúbio Azul, no norte de Campo Grande, trabalhava como jardineiro, mas também se envolveu com o tráfico de drogas, favorecimento da prostituição e exploração sexual de crianças e adolescentes, se tornando nos anos 2010 "um dos criminosos mais conhecidos em Mato Grosso do Sul".

Modo de atuação Nando ou seus comparsas costumavam atrair ou levar as vítimas para uma área remota do bairro Danúbio Azul, onde então o criminoso as estrangulava usando uma corda ou outro objeto. Os corpos eram então enterrados geralmente de cabeça para baixo em covas profundas e estreitas. Segundo testemunhos, inclusive de comparsas, depois de enterrar os corpos ele "fazia uma espécie de ritual", ficando de joelhos.

"Na maioria das vezes, o acusado ia de carro procurar os jovens e oferecia drogas em troca dos programas sexuais. Conforme o Ministério Público Estadual (MPE), Luiz Alves agiria dessa forma desde 2010 e, com o auxílio de outros seis denunciados, teriam cometido o crime, no mínimo, contra 10 menores identificados", reportou o G1.

Segundo o Ministério Público do MS, ele agia de modo cruel para matar as pessoas.

Grupo de extermínio Apesar de ser Nando o executor dos assassinatos, ele atuava junto a outras pessoas, incluindo Jean Marlon Dias Domingues, Wagner Vieira Garcia e Ariane de Souza Gonçalves. O SBT MS, num quadro do Histórias Perdidas, chamou esse grupo de "grupo de extermínio".

"No dia do crime [morte de Alex da Silva Santos], os acusados atraíram a vítima até o local, sobre o pretexto de usarem drogas. Amarraram Alex pelas pernas, golpeando com caibro de madeira na cabeça e impossibilitando qualquer defesa da vítima, enterraram o corpo em uma cova. O denunciado W.V.G. [Wagner, acima] auxiliou “Nando” sob recompensa de receber uma quantidade de pasta base de cocaína. Já a denunciada A. de S.G. [Ariane, acima] ajudou no crime para se vingar das agressões praticadas pela vítima", explicou o portal especializado Jusbrasil.

Jader Alves Correa Jader chegou a ser apontado como comparsa de Nando, mas foi absolvido, sendo morto em 2025 por um grupo de pessoas após se envolver em diversos delitos no bairro Danúbio Azul.

Perfil das vítimas Segundo a Polícia Civil (PC), as vítimas "estavam ligadas diretamente a ele", sendo "prostitutas e/ou usuários de drogas". Segundo as autoridades, a maioria das vítimas eram mulheres. "Eles matavam (...) pessoas que cometiam pequenos delitos (...) eram atraídas para o meio da mata e enforcados. Depois Nando os enterrava", explicou o repórter do SBT MS num episódio de Histórias Perdidas."Eram pessoas em extrema vulnerabilidade social e alguns pais até tinham vergonha por seus filhos estarem envolvidos com algumas situações", disse a delegada Aline Sinnotti Lopes, adicionando que algumas das pessoas mortas sequer foram identificadas, já que não foram procuradas por suas famílias.

Vítimas Nando matou entre 15 ou 16 pessoas e foi condenado pela ocultação de cadáver de outra. No entanto, há suspeitas de que as vítimas passem de 20. Entre as vítimas que tiveram os nomes ou apelidos divulgados estão:

Alex da Silva Santos: morto em 2016 com o uso correia de máquina de lavar roupas após ter roubado Nando anteriormente; o crime foi cometido com os comparsas Wagner Vieira Garcia e Ariane de Souza Gonçalves Ana Cláudia Marques: 37 anos, assassinada em 2016; Nando foi acusado pela ocultação de cadáver, nunca assumindo o assassinato Lessandro Valdonado de Souza: 13 anos; morto em agosto de 2016, após ter tido um encontro sexual com Nando; Jean Marlon Dias Domingues ajudou na ocultação de cadáver Flávio Soares Correia: homossexual que morto em abril de 2016 por "ser muito afeminado" e por ter roubado pertences de Nando; o corpo nuca foi localizado (ler mais abaixo em "Curiosidades") Eduardo: menino foi morto porque teria roubado pertences do criminoso; Café ou Neguinho: vítima nunca identificada; Alemão: vítima nunca identificada

Investigações "O bairro [era pacato e tranquilo] parecia muito com uma cidade pequena, mas em meados de 2011 tudo começou a mudar. Pessoas começaram a desaparecer", diz o repórter do SBT MS. "Foram quase seis anos com 20 mortes confirmadas, sem ninguém falar nada", explicou o repórter ainda, numa referência à extrema vulnerabilidade social das vítimas.

A investigação começou quando um familiar procurou a polícia para relatar um desaparecimento. "Procurada por um familiar, ela e os agentes começaram a investigar e descobriram que Nando exercia poder na comunidade e inventava histórias sobre os sumiços - um que foi embora sem avisar, outra que tinha sido presa no interior - e assim as famílias não recorriam à polícia e a série de desaparecimentos se diluía na rotina da comunidade", reportou o Campo Grande News.

A delegada relatou que no início tudo foi muito difícil, que iniciaram as investigações com muita cautela e que durante 10 dias escavaram o local onde os corpos estariam sem encontrar qualquer vestígio.

Prisão e pena Nando foi preso em 2016. Julgado posteriormente, cumpre pena de prisão, em regime fechado, de 214 anos e 10 meses no Instituto Penal de Campo Grande.

Em abril de 2026 ele teve um pedido de prisão domiciliar negado, com o juiz alegando que ele é um condenado de "elevadíssimo grau de periculosidade".

Comparsas Jean Marlon Dias Domingues foi condenado a 1 ano em regime aberto pela ocultação de cadáver de Lessandro Valdonado de Souza e a 15 anos de prisão pela morte de "Café".

Os comparsas Wagner e Ariane também viraram réus pela morte de Alex.

Na cultura popular

Cidade Alerta: ganhou destaque num quadro chamado “O Inquérito”, com reportagens exclusivas com os delegados que estiveram à frente de investigações SBT MS: foi tema do Caso 01 - NANDO: O MAIOR SERIAL KILLER DE MS | Histórias Perdidas '' A Jornada dos Esquecidos: livro lançado pela delegada Aline Sinnott Lopes

Ver também

Assassinos em série brasileiros

Curiosidade

Em agosto de 2026, Nathalia Soares de Souza, irmã de Flávio Soares Correia, foi morta pelo namorado Ralf Ribeiro Balbuena. Nathalia tinha 20 anos e segundo o portal Campo Grande News, sua morte representou a terceira tragédia na família em 20 anos.

Referências

Ligações externas

Matérias sobre "Nando" no Campo Grande News (clique aqui) Memórias Perdidas: Nando, o maior seril killer de MS (vídeo - clique aqui) Categoria:Mato Grosso do Sul Categoria:Assassinos em série do Brasil