A Classe Königsberg foi uma classe de cruzadores rápidos operada pela Reichsmarine e depois pela Kriegsmarine, composta pelo , e . Suas construções começaram em meados de 1926 na Reichsmarinewerft Wilhelmshaven e Deutsche Werke, foram lançados ao mar em 1927 e 1928 e comissionados na frota alemã em 1929 e 1930. Seu projeto foi limitado pelo Tratado de Versalhes e os projetistas tiveram dificuldades no desenvolvimento de navios adequados. Torres de artilharia triplas foram usadas para reduzir o comprimento do casco e soldagem para reduzir peso. Os cascos das embarcações acabaram tendo várias fraquezas, o que limitou suas capacidades de combate.

Os três cruzadores da Classe Königsberg eram armados com uma bateria principal composta por nove canhões de 149 milímetros montados em três torres de artilharia triplas. Tinham um comprimento de fora a fora de 174 metros, uma boca de quinze metros, um calado de seis metros e um deslocamento carregado de mais de sete mil toneladas. Seus sistemas de propulsão eram compostos por seis caldeiras a óleo combustível que alimentavam quatro conjuntos de turbinas a vapor, que por sua vez giravam duas hélices até uma velocidade máxima de 32 nós (59 quilômetros por hora). Os navios também eram protegidos por um cinturão principal de blindagem com cinquenta milímetros de espessura.

Os três cruzadores foram usados como navios-escolas no decorrer da década de 1930, também participando de cruzeiros internacionais e patrulhas durante a Guerra Civil Espanhola. A Segunda Guerra Mundial começou em 1939 e os navios criaram campos minados no Mar do Norte e participaram da invasão da Noruega em abril de 1940, com o Königsberg sendo afundado por ataques aéreos e o Karlsruhe por um submarino britânico. O Köln deu suporte para a invasão da União Soviética em 1941 e atuou na Noruega entre 1942 e 1943. Foi parcialmente afundado por ataques aéreos em Wilhelmshaven em março de 1945, mas continuou dando suporte de artilharia para as forças alemãs em terra.

Desenvolvimento O Tratado de Versalhes de 1919 limitou os navios da Reichsmarine a um deslocamento de no máximo 6,1 mil toneladas; o , o primeiro cruzador rápido alemão construído após a Primeira Guerra Mundial, aderiu a esse limite. O Tratado Naval de Washington de 1922 criou a definição de deslocamento padrão e os alemães, apesar de não terem assinado o tratado, pediram para a Comissão de Controle Aliado permissão para usarem o deslocamento padrão para seus futuros navios, pois permitiria a construção de embarcações ligeiramente maiores; isto foi aceito pela comissão.

Os projetistas tiveram dificuldades em desenvolver um projeto adequado. Torres de artilharia triplas para a bateria principal foram adotadas para reduzir o comprimento do casco, enquanto soldagem foi usada na construção para economizar peso. Foi considerado um sistema de propulsão totalmente a diesel, porém foi determinado que a tecnologia da época era inadequada e assim motores a diesel foram instalados apenas para serem usados em velocidade de cruzeiro, com tradicionais turbinas a vapor para velocidades mais elevadas. Novos canhões secundários de 88 milímetros foram selecionados, mas seu desempenho mostrou-se insatisfatório e assim um modelo antigo foi instalado. Instalações para hidroaviões eram proibidas pelo Tratado de Versalhes, mas espaço para elas foi mesmo assim adicionado.

Os cascos dos navios Classe Königsberg acabaram tendo várias fraquezas, o que comprometeu suas capacidades de combate à ponto de nunca serem usados na linha de frente. Eles foram equipados para transportarem e lançarem minas navais, mas por conta de seus problemas estruturais e de estabilidade precisavam de um lastro para compensar o peso adicional das minas. Além disso, foi considerado que o sistema de propulsão com motores a diesel e turbinas a vapor desperdiçava muito espaço.

Projeto Características thumb|esquerda|270px|Desenho da Classe Königsberg Os navios da Classe Königsberg tinha 169 metros de comprimento da linha de flutuação e 174 metros de comprimento de fora a fora. Tinham uma boca de 15,3 metros e um calado máximo de 6,28 metros. Tinham um deslocamento normal de toneladas e um deslocamento carregado de 7,8 mil toneladas. Os cascos foram construídos com armações de aço longitudinais e incorporaram grande uso de soldagem, com até 85 por cento de seus cascos sendo soldados em vez de rebitados. Os cascos eram subdivididos em dezenove compartimentos estanques e tinham um fundo duplo que abrangia 72 por cento do comprimento.

Tinham uma tripulação padrão de 21 oficiais e 493 marinheiros. Este número depois cresceu para 23 oficiais e 588 a 591 marinheiros, enquanto na Segunda Guerra Mundial cresceram mais para entre 820 a 850 oficiais e marinheiros. Levavam várias embarcações menores, incluindo dois barcos de piquete, duas lanchas, um cúter e um bote. Era considerado que tinham uma navegabilidade relativamente boa, mas com o potencial de emborcar caso suas cargas não fossem carregadas adequadamente, também sofrendo de uma ligeira tendência a desviar do vento. Alteavam em até vinte graus com o leme totalmente virado. Eram mesmo assim bem manobráveis e perdiam pouca velocidade navegando contra a corrente. Em uma virada total perdiam até vinte por cento de suas velocidades.

Os três cruzadores foram modificados na década de 1930 para levaram dois hidroaviões para reconhecimento. Foram equipados com uma catapulta de aeronaves e um guindaste para recuperá-las depois de pousarem na água. Os navios inicialmente carregavam dois hidroaviões biplanos Heinkel He 60, sendo substituídos depois por dois monoplanos Arado Ar 196. Apenas um avião podia ser guardado na catapulta por vez, com o segundo sendo desmontado e guardado porque os cruzadores não tinham um hangar.

Propulsão O sistema de propulsão tinha quatro turbinas a vapor e dois motores a diesel de quatro tempos com dez cilindros. As turbinas ficavam divididas em três salas de máquinas, com os motores a diesel ficando em suas próprias salas diretamente à ré. O vapor para as turbinas vinha de seis caldeiras de tubos d'água. Os motores giravam duas hélices de três lâminas que tinham 4,1 metros de diâmetro no Königsberg e Karlsruhe e 3,7 metros no Köln. A velocidade máxima era de 32 nós (59 quilômetros por hora) com uma potência indicada de 65,3 cavalos-vapor (48 mil quilowatts), mas os três navios excederam 69,4 mil cavalos-vapor (51 mil quilowatts) durante seus testes marítimos. Foram projetados para carregar seiscentas toneladas de óleo combustível, mas tinham um carregamento máximo de toneladas. Isto dava uma autonomia de 5,7 mil milhas náuticas (10,6 mil quilômetros) a dezenove nós (35 quilômetros por hora) e 7,3 mil milhas náuticas (13,5 mil quilômetros) a dezessete nós (31 quilômetros por hora). A direção era controlada por um único leme. Os três cruzadores foram equipados com três turbogeradores e dois geradores a diesel para energia elétrica; os geradores produziam 540 quilowatts a 220 volts.

Armamento thumb|250px|Diagrama de uma torre de artilharia O armamento principal tinha nove canhões de 149 milímetros montados em três torres de artilharia triplas, uma torre à vante e as outras duas sobrepostas à ré, com estas duas desalinhadas para aumentar os arcos de disparo. Cada navio tinha um suprimento de projéteis, ou 120 por canhão. Foram originalmente construídos com duas canhões antiaéreos calibre 45 de 88 milímetros em montagens individuais; cada arma tinha um carregamento de quatrocentos projéteis. Os navios originalmente tinham doze tubos de torpedo de 500 milímetros montados em quatro lançadores triplos à meia-nau com um carregamento de 24 torpedos. Esses lançadores foram substituídos em 1940 por versões com tubos de 533 milímetros. As embarcações também podiam levar até 120 minas navais.

As baterias antiaéreas foram revisadas e aprimoradas no decorrer das carreiras dos três navios. Os canhões originais de 88 milímetros foram substituídos por novos modelos do mesmo calibre em duas montagens duplas, com uma terceira também tendo sido instalada, elevando o total de armas para seis. Oito canhões de 37 milímetros foram instalados em meados da década de 1930, com até oito armas Flak 30 de 20 milímetros também sendo adicionadas. O Köln, o único membro da classe a sobreviver durante toda a guerra, acabou sendo armado com oito canhões de 37 milímetros e dezoito de 20 milímetros, porém planos foram elaborados para aumentar esses números para dez e 24 armas, respectivamente.

Blindagem Os navios eram protegidos por um convés blindado de quarenta milímetros de espessura à meia-nau que reduzia para vinte milímetros nas extremidades. Tinham um cinturão principal de cinquenta milímetros que era fechado nas extremidades por anteparas transversais de setenta milímetros. A proteção subaquática consistia em uma antepara antitorpedo de quinze milímetros e uma antepara de colisão de vinte milímetros. A torre de comando tinha laterais de cem milímetros e um teto de trinta milímetros. As torres de artilharia tinham frentes de trinta milímetros e laterais, tetos e traseiras de vinte milímetros. As torres ficavam em cima de barbetas que também tinham trinta milímetros de espessura. O Karlsruhe teve sua blindagem reforçada posteriormente, consistindo em uma placa externa de dez a catorze milímetros e um convés superior de dezesseis milímetros.

Navios NavioConstrutorBatimentoLançamentoComissionamentoDestino Reichsmarinewerft Wilhelmshaven 12 de abril de 1926 26 de março de 1927 17 de abril de 1929 Afundado em 10 de abril de 1940 Deutsche Werke 27 de julho de 1926 20 de agosto de 1927 6 de novembro de 1929 Afundado em 9 de abril de 1940 Reichsmarinewerft Wilhelmshaven 7 de agosto de 1926 23 de maio de 1928 15 de janeiro de 1930 Desmontado em 1956

História thumb|esquerda|250px|O Karlsruhe em Vancouver, no Canadá, em 21 de março de 1935 Os três membros da Classe Königsberg serviram principalmente como navios-escola para cadetes navais no decorrer da década de 1930. Eles realizaram vários cruzeiros pela Europa, com o Karlsruhe e o Köln chegando a viajar para outros continentes. Todos passaram por modificações durante esse período, tendo seus armamentos antiaéreos aprimorados repetidas vezes, dentre outras alterações. Os três tambeparticiparam de patrulhas de não intervenção na Guerra Civil Espanhola de 1936 a 1939, em seguida criando campos minados defensivos no Mar do Norte após o início da Segunda Guerra Mundial em setembro de 1939.

Os cruzadores participaram em abril de 1940 da invasão da Noruega. O Königsberg e Köln atacaram Bergen, enquanto o Karlsruhe atacou Kristiansand. O Königsberg foi seriamente danificado por baterias costeiras de 210 milímetros, sendo atracado no porto de Bergen para reparos. Recebeu ordens de voltar para a Alemanha, mas foi atacado na manhã seguinte por bombardeiros britânicos e acertado por pelo menos cinco bombas. Afundou lentamente, permitindo que a maior parte de sua tripulação escapasse; houve apenas dezoito mortos no ataque.

O Karlsruhe enquanto isso enfrentou as baterias costeiras de Kristiansand e desembarcou seu contingente de soldados. Entretanto, foi torpedeado duas vezes pelo submarino britânico HMS Truant enquanto deixava o porto. Os acertos derrubaram sua energia e impediram que a tripulação bombeasse para fora a água que estava inundando rapidamente a embarcação. Os tripulantes foram evacuados para um barco torpedeiro, que então lançou dois torpedos para afundar completamente o cruzador.