Praça do Reggae é um logradouro público em Salvador, município capital do estado brasileiro da Bahia. Foi inaugurada em 1999 e tornou-se referência em apresentações musicais do gênero do reggae na cidade, consequentemente, um lugar simbólico para a cultura reggae, para a identidade cultural soteropolitana e para a cultura afrodiaspórica. Durante a primeira década do século XXI, recebeu públicos frequentes superiores a mil pessoas que viram naquele palco artistas regueiros do Brasil e do exterior, como Adão Negro, Dennis Brown, Edson Gomes, Gregory Isaacs, Israel Vibration, Sine Calmon. Também abrigou ensaios do bloco Cortejo Afro e apresentações de Arnaldo Antunes, Arto Lindsay, Caetano Veloso, Lazzo Matumbi e Mariene de Castro. Como complexo cultural, a praça ainda era endereço de três tradicionais bares.

O Movimento Popular Pela Igualdade Étnica/Racial e Pela Representatividade e o Círculo Palmarino descreveram a criação da praça como parte de um esforço governamental para limitar a circulação dos rastafáris e domesticar a cultura reggae para o turismo internacional étnico, dado que concentrou os bares naquela praça rodeada por uma cerca e com acesso mediante pagamento e revista policial. Apesar disso, também perceberam que a resistência cultural negra aflorou no novo espaço até que uma nova iniciativa governamental estava em curso em 2011 a fim do desmonte do espaço de identidade e fortalecimento que se tornou a praça. A praça encontra-se abandonada desde 2011, até que na década seguinte o governo estadual deu início à requalificação do espaço, ainda não concluída.

História miniatura|esquerda|Porção mais baixa do Largo do Pelourinho na década de 1980. No canto inferior esquerdo, local com ripas de madeira onde posteriormente foi construída a Praça do Reggae Alguns bares localizados na área do Centro Histórico de Salvador (CHS) eram os palcos da cena do reggae na cidade: o Bar do Reggae — criado em 1981 por Albino Apolinário — ficava localizado na rua João de Deus, o Cravinho Rastafari, na Gregório de Matos e o Negros Bar — aberto em 1994, também por Apolinário. No fim do século XX, o governo do estado da Bahia executou o Projeto de Recuperação do Centro Histórico de Salvador, que reformou aquela área protegida e provocou a mudança ou expulsão de várias famílias que por ali residiam. Esse projeto trouxe novos comerciantes ao CHS, que demandaram alterações no funcionamento daqueles bares e no público frequentador, demandas essas decorrentes de discriminações raciais. Nesse contexto, em 1999, o governo estadual inaugurou em espaço conectado à parte mais baixa do Largo do Pelourinho a Praça do Reggae, com cerca e acesso controlado e pago e transferiu aqueles três bares citados para os boxes instalados na praça.

Em 2000, a Lei Municipal n. 5.817 de 2000 estabeleceu o dia 11 de maio como o Dia do Reggae, em homenagem ao músico Bob Marley, que morreu naquela data. Nessa efervescência do movimento regueiro, e com capacidade máxima da praça de 1.200 pessoas, uma vez lotada registrou-se públicos recordes no lado exterior da praça na primeira década de existência, além da apresentação de artistas renomados do reggae do Brasil e do exterior, bem como artistas de outros gêneros musicais.

miniatura|Entrada da praça em 2009, quando era um equipamento cultural ativo Por meio do Programa de Aceleração do Crescimento das Cidades Históricas, o governo federal do Brasil destinou, em 2009, recursos orçamentários para um palco móvel na praça, contudo, os recursos não foram aplicados pelo governo estadual da Bahia. A praça foi fechada em 2010. Após o fechamento, o bar Cravo Rastafári transferiu-se para a rua das Flores. E a partir de 2011 o espaço entrou em estado de abandono, virando depósito informal de lixo.

Em 2023, o deputado federal Valmir Assunção destinou recursos de emenda parlamentar ao Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC) para reativação da praça. Em 2024, o governo da Bahia via IPAC abriu licitação para elaboração de projeto de requalificação do espaço. Elaborado pela empresa LaNd5 Arquitetura e Urbanismo, o projeto executivo passou por consulta pública com a comunidade do entorno da praça e com o movimento cultural do reggae e, como se trata de área protegida como patrimônio federal, foi aprovado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Em 2026, o governo abriu a licitação para a requalificação em si, que abrange palco, camarins, estúdio de gravação de programas de áudio (podcast), sala de mídia e som, bilheteria, áreas de convivência, mobiliário urbano, paisagismo e sistema de iluminação.

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