A Estação Ecológica do Tripuí (ESEC do Tripuí) é uma unidade de conservação de proteção integral localizada no município de Ouro Preto, Minas Gerais. É administrada pelo IEF-MG.

Legislação A estação ecológica foi criada através do Decreto Estadual nº 19.157, de 24 de abril de 1978, como Estação Biológica do Tripuí, com uma área de 392,00 ha. Em 198a, passou a denominar-se Estação Ecológica do Tripuí, através do Decreto Estadual nº 21.340, de 4 de junho de 1981. Em 1988, sua finalidade passou a incluir a proteção da "vegetação em área contígua à referida Estação, visando preservar a segurança e a integridade daquele patrimônio ecológico", incluindo o "habitat do Peripatus accacioi, animal considerado pela comunidade científica como um autêntico fóssil vivo".

Características A ESEC do Tripuí está localizada na bacia do rio Doce, com bioma da Mata Atlântica e apresenta floresta estacional semidecidual.

Geografia A unidade ocupa cerca de 392 hectares no vale do ribeirão do Tripuí, na porção sul do município de Ouro Preto, às margens da rodovia BR-356, em pleno Quadrilátero Ferrífero. A área protege remanescentes de Mata Atlântica na forma de floresta estacional semidecidual, inseridos na bacia do rio Doce. O relevo acidentado e a vegetação preservada abrigam nascentes e cursos d'água numa região historicamente marcada pela mineração.

História A região de Ouro Preto está ligada às origens da mineração no Brasil: foi ali que, no fim do século XVII, bandeirantes paulistas descobriram o chamado "ouro preto", dando início ao ciclo do ouro. Por volta de 1698, o bandeirante Antônio Dias de Oliveira fundou um dos arraiais que originaram Vila Rica, atual Ouro Preto. O ribeirão do Tripuí, que dá nome à unidade, situa-se nesse contexto histórico. A área foi protegida em 1978 — inicialmente como Estação Biológica do Tripuí — e preserva um remanescente de mata em meio à expansão urbana e mineradora da cidade, hoje Patrimônio Mundial da UNESCO.

Visitação Por se tratar de uma área de proteção integral, a visitação só é permitida em caso de atividade científica ou educacional previamente agendada.

O peripatus e a criação da estação A estação ecológica é notável por ter sido criada para proteger o Epiperipatus acacioi, um pequeno onicóforo (filo Onychophora, família Peripatidae) conhecido popularmente como peripatus. O animal, de corpo aveludado e coloração marrom-avermelhada e cerca de 24 milímetros de comprimento, é considerado um "fóssil vivo" por reunir características intermediárias entre os anelídeos (animais de corpo segmentado) e os artrópodes.

A espécie foi descrita pelo casal de pesquisadores Eveline e Ernesto Marcus em 1955, e o epíteto homenageia o entomólogo Acácio Costa Júnior, que coletou os primeiros exemplares no local. Como jamais foi encontrada em qualquer outro ponto do planeta, a preocupação com sua preservação motivou a criação da unidade, considerada uma das únicas áreas de conservação do mundo estabelecidas para proteger um invertebrado. A espécie é endêmica e está ameaçada de extinção. Foi nesse contexto que o Decreto Estadual nº 27.848, de 1988, ampliou a finalidade da estação para resguardar expressamente o seu habitat.

Ligações externas

Tripuí Tripuí Categoria:Fundações no Brasil em 1978