Diego de Mazariegos foi um administrador colonial da Monarquia Hispânica, documentado como governador da ilha de Cuba desde 1556 e como governador e capitão-general da Província da Venezuela entre 1570 e 1576. Tomou posse do governo venezuelano em 5 de dezembro de 1570 e manteve-o até à chegada do seu sucessor, Juan de Pimentel, em maio de 1576.

Origem e família

Um assento de passageiros para as Índias, datado de 12 de janeiro de 1570, identifica-o como governador da Venezuela, natural de Zamora e filho de Antonio de Guadalajara e de D. Guiomar de Mazariegos, informando também que a sua licença para seguir para a Venezuela foi referendada em 1 de fevereiro desse ano.

Governo de Cuba

Os livros de actas do Ayuntamiento de La Habana conservam uma provisão real, datada de 8 de março de 1556, pela qual foi concedido a Diego de Mazariegos o governo da ilha de Cuba. Segundo Luis Martínez-Fernández, a sua chegada a Cuba, em 1556, inseriu-se na resposta da Coroa aos ataques sofridos por Havana e no esforço de reforço das fortificações da cidade. Mazariegos era um oficial militar de carreira, tendo-lhe sido confiada a tarefa de fortalecer as defesas havanesas.

Governo da Venezuela

Início do mandato e campanha no vale de Caracas

Diego de Mazariegos tomou posse como governador da província da Venezuela em 5 de dezembro de 1570. Pouco depois, interessou-se na submissão dos grupos indígenas do vale de Caracas, especialmente dos mariches. Para esse fim, nomeou Francisco Calderón tenente da recém-fundada cidade de Santiago de León de Caracas, o qual delegou no capitão Pedro Alonso Galeas o comando de uma expedição de oitenta homens.

Segundo a mesma fonte, a expedição contou com a participação de Garci González de Silva e do cacique Aricabacuto, que serviu de guia. O confronto com os mariches culminou na captura de Tamanaco, que foi condenado à morte e morreu depois de ser forçado a enfrentar um cão de combate pertencente a González de Silva.

Ensino religioso e pueblos de doctrina

Em 29 de outubro de 1571, Mazariegos solicitou o envio de doze jesuítas para a província da Venezuela, pedido que reiterou até 1573. O projecto destinava-se à educação dos filhos dos conquistadores e dos indígenas, mas não se concretizou devido à oposição do bispo Pedro de Ágreda.

Em 1574, recebeu uma cédula real de Filipe II ordenando-lhe a formação de povoações com os indígenas da província dispersos pelos montes e selvas, medida associada à organização dos primeiros pueblos de doctrina da província, política promovida pelo bispo Pedro de Ágreda.

Nueva Zamora de Maracaibo

Em 1574, Mazariegos encarregou o capitão Pedro Maldonado de prosseguir o povoamento das margens do Lago de Maracaibo. Maldonado estabeleceu, no local onde existira a efémera Nueva Rodrigo, a povoação de Nueva Zamora de Maracaibo.

A partir dessa refundação, Maracaibo consolidou-se como ponto comercial e militar entre a ilha de Santo Domingo, o ocidente venezuelano e a Nova Granada.

Medidas relativas ao trabalho indígena

Em 1576, Mazariegos proibiu que, em Trujillo, os indígenas fossem obrigados a transportar madeira, sal, milho ou outras cargas. A ordem previa uma multa de três pesos de ouro, dividida entre o denunciante, o juiz e o indígena lesado.

No mesmo ano, procuradores de Coro, El Tocuyo, Nueva Segovia de Barquisimeto, Nueva Valencia del Rey, Caracas, Caraballeda e Cuicas solicitaram-lhe a concessão de 1 300 escravos africanos, entre os quinze e os trinta anos, para distribuição pelos moradores. Pediram que o pagamento pudesse ser efectuado oito anos depois da entrega; a fonte apenas regista o pedido, sem indicar a decisão tomada por Mazariegos.

Expedição enviada a Valencia

Também em 1576, Mazariegos enviou uma expedição comandada por Garci González de Silva para defender Valência de um ataque atribuído pela fonte a grupos caribes. Após repelir o ataque, a força perseguiu os indígenas pelos rios Tiznados e Guárico, quase até às margens do Orinoco.

Fim do governo e juízo de residência

Juan de Pimentel tomou posse como governador e capitão-general da província em 8 de maio de 1576. Durante o seu mandato, abriu um juízo de residência a Diego de Mazariegos, como seu antecessor no governo venezuelano.

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