Reinaldo Rabelo é um advogado e executivo brasileiro. Esteve à frente do Mercado Bitcoin (MB), uma das maiores corretoras de criptoativos da América Latina, entre 2018 e 2025, período em que a empresa deixou de ser uma plataforma voltada apenas à compra e venda de bitcoin para se posicionar como um grupo de serviços financeiros baseado em blockchain. No fim de 2025, transferiu o comando da operação brasileira e passou a presidir a expansão do grupo na Europa, a partir de Portugal.
Formação e início de carreira Rabelo é natural de Sergipe e formou-se em Direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), tendo depois cursado formação executiva na Fundação Getulio Vargas (FGV). Iniciou a carreira na advocacia tributária e empresarial, atuando no escritório Meirelles Rosa Advogados entre 2002 e 2008.
Na década seguinte, migrou para posições executivas na área jurídica e de compliance, passando por empresas como a GRV Solutions e a Sascar antes de ingressar na Cetip — depositária e câmara de registro que viria a ser incorporada pela bolsa brasileira B3. Na instituição, respondeu pelas áreas jurídica, de compliance, de riscos e de relações institucionais, com atribuições que incluíam a prevenção à lavagem de dinheiro. Também atuou como investidor e cofundou, em 2019, a gestora Gear Ventures.
Mercado Bitcoin Rabelo aproximou-se do Mercado Bitcoin em 2017, ao lado de Roberto Dagnoni, adquirindo participação na empresa fundada em 2013. Em outubro de 2018, assumiu a posição de executivo-chefe (CEO), convidado pelos irmãos Gustavo e Maurício Chamati — que se afastaram da gestão e migraram para o conselho — com a missão de reestruturar a governança da companhia.
Sob sua gestão, o grupo, reorganizado sob a controladora 2TM, ampliou o portfólio para além do bitcoin, incorporando dezenas de criptoativos, stablecoins e produtos de renda fixa digital baseados em tokenização de recebíveis. Rabelo passou a descrever o negócio como um híbrido entre corretora, banco e bolsa de valores. Tornou-se, no período, uma das vozes recorrentes da imprensa brasileira em análises sobre o mercado de criptomoedas.
Disputa sobre a fundação Em novembro de 2024, o cofundador e ex-executivo-chefe do Mercado Bitcoin, Rodrigo Batista — posteriormente fundador da corretora Dígitra —, criticou publicamente Rabelo em uma rede social, acusando-o de omitir seu papel na fundação da empresa ao narrar a história do negócio, que passou a creditar principalmente aos irmãos Chamati. Em resposta, Rabelo reafirmou que assumira o comando em 2018 para reestruturar a companhia e que, após a saída de sócios em 2019, foi convidado a adquirir participação relevante, sustentando que o resultado configurou, na prática, uma nova empresa.
Expansão europeia A partir de 2022, o Mercado Bitcoin passou a preparar sua entrada no mercado europeu com a aquisição da corretora portuguesa Criptoloja, que detinha licença junto ao Banco de Portugal; a participação foi integralmente incorporada em 2025. O movimento foi impulsionado pela entrada em vigor do marco regulatório europeu MiCA (Markets in Crypto-Assets), que permite a uma empresa autorizada em um país do bloco operar em toda a União Europeia.
Em novembro de 2025, a empresa anunciou Lucas Lopes como novo presidente no Brasil, enquanto Rabelo passou a comandar a operação europeia — que recebeu aporte anunciado de 50 milhões de euros —, mudando-se para Portugal para conduzi-la de perto. Ambos passaram a reportar-se a Roberto Dagnoni, presidente do conselho da 2TM. À frente do MB na Europa, Rabelo estabeleceu como meta pública levar o grupo ao grupo das dez maiores fintechs do continente até 2030 e supervisionou o lançamento da assistente virtual "Vera", que permite operações com ativos digitais pelo WhatsApp.
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